IPT Responde: qual deve ser o tratamento das empenas cegas de edifícios antes de receber jardins verticais irrigados?

Empenas cegas em jardins verticais

Qual deve ser o tratamento das empenas cegas de edifícios antes de receber jardins verticais irrigados? Nesse caso, a sobrecarga sobre a estrutura (terra + estrutura de sustentação das plantas + água) pode oferecer risco ao edifício?

Existem diversos sistemas de jardim vertical disponíveis no mercado, com diferentes configurações de plantio (vasos plásticos, substrato em não tecido, substrato vegetal como fibra de coco, blocos cerâmicos, entre outros) e de fixação à parede (fixação direta com buchas e parafusos, uso de estruturas metálicas leves para suporte, assentamento com argamassa colante, entre outros). Sendo assim, as recomendações técnicas vão variar conforme o tipo de sistema adotado na obra.

De um modo geral, recomenda-se primeiramente inspecionar a integridade da superfície da empena cega. Caso haja fissuras no revestimento, estas devem ser tratadas; caso o revestimento apresente problemas, tais como superfície friável ou som cavo, ele deve ser recomposto. Para revestimentos de argamassa, recomenda-se impermeabilização com membrana acrílica ou mem- brana asfáltica a frio, em conformidade com as instruções do fabricante. Recomenda- se ainda a aplicação de inibidor de raízes, caso o sistema de jardim vertical não tenha essa solução integrada.

A carga de jardins verticais em geral varia entre 50 e 70 kgf/m² (com exceção de sistemas que utilizam blocos cerâmicos, cuja carga é por volta de 120 kgf/m²). Para fixação em alvenaria estrutural ou de vedação, em geral não há risco com relação à carga adicional; entretanto, recomenda-se que a fixação do jardim vertical seja feita com dispositivos adequados e com tamanhos suficientes (buchas de repuxo, “chumbamento” com argamassa de cimento e areia etc.), evitando-se que a ancoragem atue somente na camada de argamassa de revestimento.

Engª Fernanda Belizario Silva Cetac – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

Movimento em “corda”: aplicação de argamassa projetada

O que significa movimento em “corda”, usado na aplicação de argamassa projetada para revestimento de parede (interna e externa)?

A expressão é utilizada para designar aplicação com o bico de projeção (sistema “jet”), sendo movimentado de um lado para outro em passagens horizontais que vão se superpondo paralelamente.

A expressão provavelmente foi cunhada quando a aplicação da argamassa ocorria com pouca pressão, fluindo a argamassa pelo bico projetor na forma de cordões contínuos que se assemelhavam a cordas relativamente grossas (diâmetro da ordem de 3 cm a 4 cm). No sentido de otimizar-se a compactação da camada de argamassa e sua aderência à base, atualmente bombas e bicos são regulados para que a projeção e dê sob maior velocidade e pressão, ocorrendo a aspersão de argamassa na orma de “nebulização”, de maneira muito parecida com aquela verificada na projeção com canequinhas. bicos são regulados para que a projeção se dê sob maior velocidade e pressão, ocorrendo a aspersão de argamassa na forma de “nebulização”, de maneira muito parecida com aquela verificada na projeção com canequinhas.

Engº Ercio Thomaz Cetac – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

Manejo responsável e reutilização de resíduos gerados em perfuração de rocha por hidrofresa

Qual deve ser o destino dos resíduos obtidos com a perfuração em rocha com hidrofresa? É possível reutilizar esse material no próprio canteiro? Como?

Hidrofresas são equipamentos normalmente utilizados para escavação de paredes-diafragma e estacas barrete. A hidrofresa tem em sua ponta rodas e correntes de corte que desagregam rochas e solos resistentes, que não poderiam ser escavados pelo método tradicional com “clamshell”. Além disso, a hidrofresa permite escarificar as lamelas já concretadas, conformando juntas entre os painéis da parede-diafragma sem necessidade de uso de perfis metálicos.

O material desagregado fica suspenso no fluido estabilizante (lama bentonítica ou polímero), e essa lama é sugada por meio de bombas hidráulicas e encaminhada à central Foto: Tishman Speyer de tratamento de lama. Nessa central, separa-se o fluido estabilizante dos demais materiais (solo, fragmentos de rocha e fragmentos de concreto escarificado). Algumas centrais possuem peneiras vibratórias e ciclones que permitem a separação desses materiais por granulometria. Os resíduos de solo, rocha e concreto são classificados como “Classe A”, de acordo com a Resolução Conama no 307. O reaproveitamento do solo na obra pode ser feito para áreas de aterro, respeitando-se os parâmetros de compactação e resistência previstos em projeto. Já o reaproveitamento dos fragmentos de rocha e/ou concreto depende da caracterização experimental de seu desempenho em função do uso pretendido, restringindo-se, em geral, a usos não estruturais (sub-base ou base de pavimentação, enchimentos, contrapisos e outros).

O fluido estabilizante passa por tratamento e é recuperado para uso na própria obra. A partir do momento em que o fluido estabilizante recuperado não atende aos parâmetros normativos, ele deve ser descartado. Há processos de tratamento que permitem a separação entre o material estabilizante bentonita, polímero) e a água utilizada. Quando não se prestam mais ao emprego a que se destinam, tanto a lama bentonítica quanto o polímero devem ser descartados em aterros industriais, para resíduos classe IIB (não perigosos e inertes).

Engº Fernanda Belizario Silva Cetac – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

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