Como construir: telhas metálicas para grandes vãos

Com ampla aceitação no mercado, as telhas metálicas se tornaram a principal opção para a cobertura de empreendimentos que utilizam grandes vãos. Em obras como galpões industriais, comerciais e aeroportos, a solução significa ganho em velocidade, uma vez que os elementos já chegam prontos ao canteiro ou em peças a serem montadas no local. Além disso, as telhas metálicas se destacam pela estanqueidade e versatilidade.

Conforme ressalta o conselheiro diretor da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), Edson de Miranda, o sucesso do emprego de telhas metálicas começa na fase do projeto. “Vale a pena dedicar-se a essa etapa do projeto, levando em consideração as necessidades da cobertura com relação ao ambiente onde o galpão vai ser construído, se o ambiente é agressivo ou não, o clima da região etc.”, explica.

A partir dessa análise inicial é possível definir qual o tipo de telha mais adequado, o perfil, a capacidade de escoamento de água e também a inclinação da cobertura. “São questões que a princípio podem parecer um pouco óbvias, mas no dia a dia a gente ainda se depara com muito projeto que atropela essas considerações iniciais”, afirma Miranda.

Sistema de telhas zipadas permite execução rápida e segura de cobertura para o novo terminal do aeroporto da capital capixaba

Quanto aos tipos de telha metálica, as tecnologias evoluíram bastante. Há diversos materiais e formatos disponíveis no mercado, que permitem vencer vãos cada vez maiores e reduzir a estrutura de apoio. Os sistemas de fixação também apresentam avanço, evitando, ao máximo, problemas de estanqueidade. Além disso, a tecnologia de pintura de materiais metálicos evoluiu, adicionando às telhas maior proteção contra as intempéries.

“A qualidade da telha é muito importante, a uniformidade da geometria, uma telha que encaixe bem, que não deixe frestas, porque depois de montada é muito difícil arrumar”, alerta o conselheiro da Abcem. A cobertura de grandes vãos deve atender a solicitações relacionadas a isolamento térmico e acústico, iluminação natural e cargas de vento.

Independentemente do tipo de telha metálica escolhido, a construção deve seguir como recomendação as informações passadas pelos próprios fabricantes em catálogos ou folhetos. Isso porque não há uma norma da ABNT que se refira à montagem e ao uso das telhas metálicas. As únicas normas referentes ao assunto são a ABNT NBR 14513 e a ABNT NBR 14514, que dizem respeito ao produto em si.

Novo aeroporto de Vitória (ES) – Telhas zipadas

Indicadas para coberturas de médio e grande porte e pequenas inclinações, as telhas do tipo zipadas foram a solução adotada para as obras de expansão do aeroporto de Vitória (ES), que devem ser concluídas em setembro deste ano. Nesse modelo, a cobertura é produzida de forma contínua, costurada sem emendas ou frestas entre os perfis, o que garante ótima performance com relação à estanqueidade.

A expansão do aeroporto de Vitória (ES) teve como partido de projeto cobertura contínua, composta de telhas zipadas em três camadas

 A COBERTURA
Nesta obra, o sistema de cobertura utilizado foi do tipo sanduíche, pois é composto de outros materiais além das telhas zipadas, formando três camadas.

Ainda neste modelo de cobertura, treliças de aço foram utilizadas como apoio. “Foi feito um sistema de telha convencional. Então, tem treliças espaciais triangulares feitas com perfil tubular com espaçamento de 12,5 m. Essas treliças estão ligadas por terças também treliçadas (em perfil W)”, explica Renato Gioielli, diretor do Grupo Dois Engenharia, empresa responsável pela projeção da estrutura metálica.

A FABRICAÇÃO
A fabricação e montagem de toda essa estrutura metálica e telhas é feita pela Februce, empresa da região metropolitana de Curitiba, especializada em construções em aço. Para o descarregamento e içamento das telhas TP-40, que já chegam prontas à obra, é necessário um balancim para pegar as telhas sem danificar com a cinta, como explica Bruno Dugatto, diretor-técnico da empresa. Já a telha zipada é fabricada no local por meio de uma bobina de 600 mm, que é desenrolada e perfilada a máquina de acordo com o tamanho necessário, em comprimentos variáveis de até 150 m. “É como se você dobrasse e cortasse a telha no local. Você põe o equipamento pendurado numa grua e ele já vai cuspindo e cortando a telha sob medida, com o formato que você quiser. Além de tudo, ele já coloca a telha no local certinho”, afirma Renato Gioielli.

 

Balancim garante içamento das telhas livre de riscos

A EXECUÇÃO
Em seguida, cada uma dessas lâminas de telhas expelidas pela perfiladeira é fixada por meio da zipagem, que nada mais é do que um processo realizado por um robô capaz de dobrar as abas das telhas fixando uma nas outras, como se fosse uma máquina de costura. O diretor da Februce, Bruno Dugatto, ressalta que “é essencial que cada telha seja perfilada com precisão, para que o encaixe se dobre perfeitamente”. Nesse processo, é dispensado o uso de parafusos ou fitas de vedação. Portanto, trata-se de uma construção limpa e rápida, que confere excelente estética e perfeita estanqueidade, quando corretamente executada. Além disso, o sistema permite racionalização e precisão no dimensionamento dos custos e recursos necessários para a viabilização do empreendimento. Para a montagem das telhas é necessária a linha de vida nos dois sentidos para o funcionários prenderem seus cintos de segurança. Ao todo, sete homens trabalham na instalação da cobertura, que avança na velocidade de 500 m² por dia. “O curto prazo foi o nosso principal desafio, pois estão sendo montada toda a estrutura metálica e as telhas em cinco meses”, destaca Dugatto. Até o fechamento desta edição, 40% das telhas de cobertura já haviam sido instaladas e a previsão era de que essa etapa terminasse no fim de junho. A cobertura possui caixas de concreto por onde a água é escoada, e toda essa água é concentrada nas duas extremidades. Segundo Renato Gioielli, do Grupo Dois Engenharia, os 210 metros de comprimento da cobertura têm apenas duas captações verticais da água. “É uma estrutura bem grande com somente dois pontos de captação nas extremidades”, afirma.

Corte esquemático do novo terminal: a cobertura leve possibilitou a execução do traço dos arquitetos

O DETALHAMENTO
Outro detalhe interessante é que o desenho da cobertura recebeu um tratamento especial, de maneira a evitar reflexos pontuais nas aeronaves. Além do formato curvo das telhas, o material foi pintado com um perfil de cor amarelopetrobras, que também tem um efeito de elemento-surpresa para o passageiro que vê a cobertura do avião. “Essa escolha impede que haja um reflexo nas aeronaves que possa atrapalhar a operação do aeroporto”, explica Renato Gioielli. Executada pela Construtora JL, a expansão do aeroporto de Vitória tem como objetivo ampliar a capacidade do terminal capixaba de 3,3 milhões para 8,4 milhões de passageiros por ano.

FICHA TÉCNICA

Novo Aeroporto de Vitória (ES)

Localização Av. Fernando Ferrari, 3.800, Vitória (ES)
Início da obra 2013
Entrega Setembro de 2018
Área total construída 17.220 m² (1a fase)
Arquitetura Bacco Arquitetos
Construção Construtora JL
Projeto Estrutural Grupo Dois Engenharia
Fornecedor de telhas metálicas Februce Construções em Aço

Centro de Distribuição Lojas Cem- Sistema de cobertura roll-on

Com expansão prevista desde a concepção do projeto, o centro de distribuição das Lojas Cem, em Salto (SP), utilizou na sua área de aproximadamente 125 mil m² o sistema de cobertura roll-on, estrategicamente escolhido por ser um produto industrial, padronizado e modular. Após a conclusão da primeira fase, em 2002, o prédio existente foi ampliado dez anos depois, agregando novos módulos do produto.

 A COBERTURA ROLL-ON

O modelo de cobertura roll-on foi lançado em 1980 pela Marko Sistemas Metálicos. O sistema é formado por bobinas contínuas de aço revestido, que são desenroladas sobre módulos estruturais, que criam canais com o comprimento total da cobertura, sem emendas ou sobreposições, conduzindo as águas para fora do prédio. Dessa maneira, não há emendas, nem furos nem justaposições, garantindo, assim, a vedação das águas pluviais, mesmo que haja a complicada combinação de chuva e vento forte. “É um sistema que integra a estrutura e o telhado em um único produto, fazendo com que a cobertura trabalhe como um conjunto e não como partes distintas”, explica Francisco Caçador, CEO da WTorre Engenharia e Construção, empresa responsável por toda a implantação do mpreendimento.

FICHA TÉCNICA

Centro de Distribuição – Lojas Cem

Localização Rodovia Engenheiro Ermínio de Oliveira Penteado, km 46, Salto (SP)
Entrega 2012
Área total construída 124.917,3 m²
Arquitetura Dal Pian Arquitetos Associados
Construção WTorre Empreendimentos Imobiliários
Fornecedor Marko Sistemas Metálicos

A EXECUÇÃO

A instalação do sistema começa no solo, onde todas as peças são organizadas e parafusadas. “O recebimento dos módulos para a execução das treliças tem a garantia do controle de quantidade de peças e também a aferição da qualidade, tornando praticamente nulo o atraso de montagem por falta de peças e/ou a não conformidade do produto”, ressalta Caçador.

O comprimento típico dos módulos de roll-on é de 12 m, antes da formação da viga treliça, que é montada no solo com o acoplamento de módulos, até atingir o vão indicado no projeto. O comprimento máximo das vigas treliças em geral é de até 50 m, que são basicamente constituídos por quatro conjuntos de módulos montados e emendados no sentido do comprimento.

Em seguida, são colocadas cintas que apóiam o recebimento das bobinas rollon, que são içadas até a cobertura, onde a matéria-prima é fatiada em diferentes tamanhos, produzindo os perfis. Quando especificado, o isolante térmico pode ser instalado antes do desenrolamento das bobinas e da colocação das chapas que formam os canais.

Por ser industrial, todo o processo, desde o início dos trabalhos, foi feito baseado em um produto padronizado e pré-calculado. “As peças não variam de projeto para projeto, proporcionando praticidade e rapidez de entrega. O seu caimento de i=1% proporciona uma liberdade de altura livre (pé-direito livre) ao cliente, otimizando a utilização dos volumes de produtos nas estantes”, explica Francisco Caçador, CEO da WTorre Engenharia. Uma das características de empreendimentos de construções logísticas é a execução da obra em curto cronograma, a fim de utilizar o galpão para o armazenamento e a distribuição de produtos. “Nesse caso não foi diferente, pois o prazo de entrega da obra foi um grande desafio”, afirma. Assim, foram adotadas novas tecnologias como o sistema Tilt Up, associando a execução de peças prémoldadas de concreto ao travamento pela estrutura metálica da roll-on.

 O CONFORTO TÉRMICO E ACÚSTICO

Para o conforto térmico e acústico, um isolamento de lã de vidro revestido por lâminas de alumínio foi a solução encontrada. Somados ao sistema, foram instalados ventiladores mecânicos na cobertura, para proporcionar maior conforto aos funcionários de operação do centro de distribuição.

Fonte: Edison de Miranda (Abcem)
Edição: Dirceu Neto
Ilustrações: Amanda Favali

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