Qual é o traço ideal da argamassa usada para pisos de cimento queimado?

Traço ideal de argamassa para piso de cimento queimado

Qual é o traço ideal da argamassa usada para pisos de cimento queimado? Como assegurar uma superfície lisa e prevenir rachaduras nesse tipo de acabamento?

O traço adequado para pisos cimentados depende essencialmente da granulometria da areia: para areias de granulometria média/grossa, módulo de finura em torno de 3, o traço 1 : 4 se revela ideal (cimento Portland CP II E ou CP II F e areia em volume). Para areias mais finas, ou compostas com percentual significativo de finos, há necessidade de aumentar o consumo de cimento, atingindo-se até o traço 1 : 3.

Para aumentar a resistência superficial da argamassa do piso, há necessidade de constituir-se fina camada com maior consumo de cimento. Neste caso, costuma-se polvilhar cimento e, em seguida, alisar com a colher de pedreiro (‘cimento queimado’). Outra possibilidade é preparar uma argamassa traço 1 : 1 (cimento e areia fina, em volume), com pequeno consumo de água, executando fina camada sobre a argamassa principal recém-desempenada (úmido sobre úmido).

Para evitar fissuras nos pisos cimentados, uma das principais providências é criar juntas de dilatação, formando quadros com lado em torno de 2 m a 3 m. Todavia, há dois motivos mais importantes para que as fissuras sejam evitadas: traço adequado (com introdução de aditivos plastificantes/incorporadores de ar, reduzindo-se ao máximo a relação água/cimento) e cura úmida pelo período mínimo de sete dias.

Engº Ercio Thomaz
BCETAC – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

Revestimento cerâmico assentado com junta seca

Revestimentos cerâmicos assentados com “junta seca” têm maior risco de desplacamento? Por quê?

Placas cerâmicas para revestimento apresentam em geral considerável coeficiente de dilatação térmica e elevado módulo de deformação: quanto maior o módulo, menor a capacidade de absorver deformações. Podem ainda apresentar expansões por umidade (EPU) significativas.

A capacidade geral de o conjunto (argamassa de regularização + argamassa colante + material de rejuntamento + placas cerâmicas) absorver deformações depende de vários fatores, sendo os mais importantes as características das argamassas de regularização e de assentamento (força de aderência, flexibilidade/deformabilidade, espessura das camadas), dimensões dos panos limitados por juntas de dilatação ou dessolidarização, largura das juntas de assentamento e características físicas e elásticas do material de rejuntamento.

No caso das juntas secas (placas encostadas entre si), perde-se a capacidade de deformação do rejunte, ou seja, o piso ou o revestimento de parede passa a trabalhar como se fosse “uma grande e única placa cerâmica”. No caso de pisos, por exemplo, com as placas coladas diretamente sobre a superfície superior das lajes de concreto armado e encostadas umas às outras, a grande placa cerâmica passa a atuar como capa de compressão da laje, vindo a romper ou descolar no caso do desenvolvimento de flechas relativamente moderadas. No caso exemplificado, perde-se ainda o poder de dissipação de tensões, que seria promovido pela presença da camada de regularização.

De forma geral, a largura das juntas de assentamento e as características do material de rejunte são vitais para evitar o destacamento de revestimentos cerâmicos. Todavia, existem casos em que as juntas de assentamento são bastante largas (10 mm ou 12 mm), mas o material de rejunte é tão duro quanto a cerâmica. Nessa circunstância, de nada adianta especificar juntas consideravelmente largas.

Engº Ercio Thomaz
BCETAC – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

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