Para pesquisador da Poli-USP, a otimização da produtividade está relacionada à expansão da logística para além do canteiro

UBIRACI ESPINELLI LEMES DE SOUZA

Mestre, doutor e livre-docente em construção civil, professor do Departamento de Construção Civil da Poli-USP desde 1984 e diretor das empresas Produtime e Indicon Gestão e Tecnologia, ele tem ampla atuação na gestão da construção. Tanto no âmbito acadêmico quanto em suas atividades comerciais, tem como foco estudos sobre produtividade, canteiro de obras, planejamento, orçamento e custos, desenvolvimento de sistemas construtivos etc. Nesta entrevista, ele comenta sobre como a logística de um canteiro de obras influencia diretamente diversos aspectos relacionados à produtividade de uma obra. De acordo com o pesquisador, para otimização de processos e conciliação de interesses entre as diversas disciplinas que constam de uma obra, seria importante que os projetistas participassem ativamente da concepção logística do canteiro, concebendo não apenas com foco na operação, mas também no processo de execução.

Quais são os principais elementos que influenciam a produtividade dentro de um canteiro de obras?
Há três fatores fundamentais que influenciam a produtividade. O primeiro deles é o próprio produto, que pode ser mais fácil ou mais difícil de ser feito. Depois, vem o processo que vai ser adotado para a execução. Ambos são anteriores ao trabalho dentro do canteiro e influenciam a produtividade. Por fim, dentro do canteiro, temos a organização desse processo e do trabalho. Então, ao falar de produtividade em canteiro de obras, é preciso conceber uma organização do trabalho que permita que os projetos do produto e do processo sejam seguidos da maneira mais eficiente possível.

Para melhor entendimento, como podemos diferenciar essas etapas?
Costumo chamar a logística dentro do canteiro de obras de intralogística. É essa que tem total interface com o transporte de materiais desde a entrega por parte do fornecedor até o momento de chegar à mão do operário que vai aplicá-los. Todo esse processo depende muito do canteiro de obra no que se refere aos posicionamentos de estoques e dos processamentos intermediários e final dos materiais, pois, o layout é determinante para a quantidade de movimentações necessárias. Em geral, há movimentação no momento de descarregar os materiais que estão sendo recebidos. É preciso levá-los ao local de estoque. Há casos em que é necessário fazer um ou mais processamentos intermediários; e o transporte é ainda necessário para se chegar ao local do processamento final, isto é, de tornar o material ou o componente uma parte da edificação sendo produzida.

Como isso ocorre na prática?
Por exemplo, quando chegam os blocos de alvenaria no caminhão, eles são descarregados e estocados em um determinado lugar. Depois, posso levá-los para uma central onde serão feitos cortes para as caixinhas elétricas, por exemplo. Por fim, todos têm que chegar à mão do pedreiro que vai assentá-los. Há movimentação em todas essas etapas. E, nessa movimentação, há aspectos ligados aos três fatores que podem torná-la mais ou menos difícil: quanto ao projeto do produto, o tamanho e o peso dos blocos são um indutor de uma quantidade maior ou menor de ciclos de transporte; quanto ao processo, a disponibilização de uma grua permite o transporte de um pálete de grandes dimensões em vez da movimentação de poucos blocos; e um bom layout do canteiro pode significar a minimização de transbordos intermediários, ou mesmo minimizar as distância a serem vencidas.

O que faz o projeto de logística?
No projeto de logística discutimos como será o fornecimento, quando e como o fornecedor entregará os materiais, qual o tipo de paletização que ele usa ou se entrega a granel. Daí, eu preciso me coordenar para fazer o desenho do canteiro conforme as necessidades apresentadas. Se eu não entender esse processo, corro o risco de acabar com a coerência entre fornecimento e logística interna.

O fornecedor pode influenciar a logística de canteiro?
Eu vi um fornecedor que entregava os blocos num pálete especial, metálico e que funcionava como uma estante aberta dos quatro lados. Dessa forma, ele organizava os blocos a serem usados em cada face dos pavimentos. Além disso, ele tinha um outro pálete que colocava em cima do primeiro para quando o pedreiro estivesse em cima do andaime já ter ao seu alcance os blocos descarregados diretamente do caminhão do fornecedor. Ou seja, ele eliminou todas as etapas intermediárias.

“Costumo chamar a logística dentro do canteiro de obras de intralogística. É essa que tem total interface com o transporte de materiais desde a entrega […] até o momento de chegar à mão do operário que vai aplicá-los.”

O canteiro tem de acompanhar o modelo de entrega do fornecedor?
Por um lado, a resposta seria sim. Se o produto chega a granel, a grua na obra não serve para nada. Um contraexemplo seria a obra receber esse pálete diferenciado do fornecedor e deixar do lado de fora porque o portão está sendo usado para outra coisa. Daí, levar pra dentro e depositar em algum canto de maneira provisório. Depois, mandar para o estoque e só então para o pavimento. Isso mata o transporte na obra. Então, tem de compatibilizar o transporte, a política de fornecimento e o desenho do canteiro. Respondendo de uma maneira mais ampla, o gestor da produção deve escolher o modelo de fornecimento em concordância com o sistema de transporte que vai adotar. Portanto, deve escolher o melhor fornecedor, que possa fazer a entrega que seja coerente com o canteiro, e o melhor projeto de processo para sua obra.

Os canteiros brasileiros ainda sofrem com problemas graves relacionados ao transporte de materiais em canteiro?
Com certeza. Logística é um dos principais problemas dos nossos canteiros. No exemplo que eu dei, a logística depende desde o projeto do produto, que já pode ser concebido levando em conta a própria logística. Na concepção, por exemplo, se fizer uso de banheiros pré-fabricados, leva parcelas maiores do produto final com menos viagens. O processo por vezes é tomado como algo que se decide “na hora de fazer a obra”, o que pode significar a perda de uma chance enorme de otimização. E a execução deve ser conduzida por gestores que saibam otimizar o esforço na movimentação dos materiais. Ainda há muito espaço para pensar na logística no que diz respeito ao transporte de materiais, que é uma atividade que costuma consumir um terço do tempo de trabalho dos operários. Assim, trabalhar essa logística me ajuda a interferir no que ocorre em um terço do tempo dos operários em obra. Uma logística otimizada, portanto, pode significar um grande ganho de produtividade.

De maneira geral, os construtores negligenciam esses aspectos?
As obras no Brasil precisam aprender a valorizar mais o projeto do canteiro. Ainda se convive com casos onde tal projeto só é pensado com a finalidade de cumprir as exigências relativas à segurança do trabalho (NR-18; PCMAT). Embora de extrema relevância, as prescrições relativas aos equipamentos de proteção coletiva deveriam ser complementadas com toda a definição do processo de produção, incluindo sistemas de transporte, locais de estoque e processamento etc. Uma produção organizada, além de extremamente indutora de melhoria da produtividade, também contribui para o aumento da segurança dos operários.

O que seria o ideal?
Temos de desenvolver projetos que mostrem o canteiro nos diferentes momentos da vida da obra. Conforme a obra evolui, o canteiro muda. Logo, descrever o canteiro da obra significa fazer projetos para alguns dos momentos da vida da obra. Por exemplo, há que se representar a produção pelo menos no seu início, quando a escavação e a contenção da vizinhança são serviços relevantes, na sua fase intermediária, marcada pela quantidade maior de movimentações de materiais e presença de operários; e no seu final. E esse projeto precisa levar em conta a questão logística que vai trazer resultados de economia de mão de obra, de movimentação, reduzir perda de materiais. É preciso perceber, por exemplo, que cada movimentação adicional aumenta o risco de quebra dos blocos.

“… Se a logística é relevante para as obras grandes, talvez seja até mais importante para as pequenas. Afinal, percentualmente, as movimentações podem ser ainda mais expressivas. […] Empresas quando lidam com obras pequenas podem pensar que não precisam dela.”

Quais os principais aspectos que interferem no desenho do canteiro?
O layout do canteiro precisa contemplar a macro e a micrologística. A macrologística define se haverá grua ou não, se a opção será por elevador de cremalheira, onde ele seria instalado e em quais quantidades. A micrologística se preocupa com os transportes num nível mais específico, isto é, como os materiais chegam às mãos do operário que vai executar o processamento final.

É possível afirmar que a importância da questão logística varia conforme o tamanho do canteiro?
Muitas empresas boas, normalmente quando executam obras de maior porte, já perceberam a importância da logística. Mas, se a logística é extremamente relevante para as obras grandes, talvez seja até mais importante para as pequenas. Afinal, percentualmente, as movimentações podem ser ainda mais expressivas; e, infelizmente, algumas empresas quando lidam com obras pequenas podem pensar que não precisam planejar a logística.

“Temos de desenvolver projetos que mostrem o canteiro nos diferentes momentos da vida da obra. Conforme a obra evolui, o canteiro muda.”

Quando a construtora começa a investir mais em logística, há consequências na relação com os empreiteiros?
Sim, porque é preciso definir quem é o responsável por fazer o material chegar ao local de trabalho. Pode ser o fornecedor, o construtor ou, numa sutuação mais tradicional, o subempreiteiro. Há vantagens e desvantagens em cada modelo, mas, ao tirar a responsabilidade do empreiteiro pelo transporte, ele deveria entender que há redução de seus custos. Logo, deveria refletir no preço. Com isso, abre-se espaço para se discutir soluções mais econômicas e perceber que, às vezes, um fornecedor mais industrializado custa mais, mas acarreta outras economias que fazem a conta fechar.

Por onde começam essas mudanças?
Em primeiro lugar, os gestores precisam ser sensibilizados. Eu acho até que eles enxergam o problema, mas eles têm de ver as vantagens das alternativas, as inovações possíveis no fornecimento e na logística de entrega do material. Além disso, de forma complementar, precisariam ser mais treinados. Então, tem de sensibilizar para querer aprender e dar importância ao tema e, depois, querer ser treinado adequadamente para tomar decisões melhores.

E como se dá essa sensibilização?
Tem uma questão-chave aí que é integrar a discussão e a tomada de decisão, sempre envolvendo o gestor da obra, o subempreiteiro e o fornecedor de materiais. Eventualmente, até o projetista do produto tem de ser envolvido para que ele entenda o processo de fabricação daquilo que projetou e seja possível chegar a uma maximização dos ganhos em logística.

Poderia citar um exemplo prático de envolvimento do projetista?
De vez em quando pedimos ao projetista estrutural para conceber uma armadura que seja manuseável, porque o processo executivo prevê transporte manual. Mas, se estou usando grua, posso trabalhar com grandes gaiolas de armadura. O projetista pode ajudar nisso. Em paralelo, tem de ter um projeto de logística que ajude a quantificar ônus e benefícios e permita chegar a uma equação de ganha-ganha para todos os agentes envolvidos.

De maneira geral, as construtoras investem em equipamentos adequados para o transporte de materiais?
A disponibilização de equipamentos aumentou muito no Brasil. Se você procurar guindastes móveis, gruas, bombas para concreto ou argamassa em São Paulo, não terá dificuldade para encontrar. Já temos tecnologias utilizadas nos Estados Unidos e na Europa. Isso permite aumentar a mecanização. Entretanto, não é verdade que em todo lugar do Brasil tenhamos a mesma disponibilidade de equipamentos. Eu estava num canteiro de obras no Norte do país e queria colocar uma grua, mas havia dificuldade de fornecimento, de manutenção e até de aceitação local.

Ou seja, não se trata de falta de equipamentos adequados, mas de uma questão cultural?
Existem lugares onde um processo mais mecanizado não está sendo utilizado porque os gestores não estão acostumados a ele, receando sua adoção. Afinal, não basta ter o equipamento, tem de saber usar. Mesmo que eu tenha as raquetes do Djokovic, se eu usá-las contra um tenista mais ou menos, eu vou perder porque sou péssimo em tênis. O que quero dizer é que não basta ter o equipamento, tem de saber empregá-lo, pensando inclusive na atividade de concepção da logística. Nos grandes centros isso não é mais um problema e, portanto, o estudo e implementação de uma boa solução logística é uma obrigação do gestor.

Como se dá o processo de amadurecimento de um mercado?
Exige interação e integração entre os diversos agentes. Passa pelo fornecedor disponibilizar o equipamento, o subempreiteiro perceber como pode se apropriar das vantagens proporcionadas pela mecanização e adequar o pagamento para seus próprios empregados. Em paralelo, o projetista do produto tem de perceber que não projeta apenas para ser estruturalmente adequado; ele tem de conceber também pensando no processo de produção. E o construtor, por sua vez, é o integrador dessa discussão toda.

“Existem lugares onde um processo mais mecanizado não está sendo utilizado porque os gestores não estão acostumados […]. Afinal, não basta ter o equipamento, tem de saber usar.”

Qual a sua percepção quanto à logística de canteiro do mercado da construção como um todo?
Cada vez mais as construtoras têm feito projeto de logística. Na Produtime trabalhamos fazendo projeto de canteiro de obras, pensando em layout, macrologística e plano de ataque. Pensamos na sequência do que executar primeiro ou depois. Atualmente, estamos fazendo projetos de canteiro de várias obras; cada caso pode ter problemas específicos a serem resolvidos. Há um caso em São Paulo onde os vizinhos não toleram barulho ou sujeira na rua e onde as ruas de acesso são muito congestionadas; neste caso, o cuidado com a posição e a eficiência do lava-rodas foi fundamental para a eficiência do movimento de terra, e a definição da política de suprimento com os fornecedores de concreto e aço permitiu o trabalho com produtividade durante a execução da estrutura. Num outro caso, no Maranhão, uma obra de construção de grande número de edificações baixas demandou um enorme cuidado com a movimentação dentro do canteiro para que não faltasse material nas frentes de trabalho e a produtividade não fosse prejudicada.

Essa preocupação também se dá em canteiros pequenos e menos complexos?
Sim, pois, mesmo quando a obra é de reforma da edícula de uma casa, certamente um grande esforço é reservado à movimentação de materiais. Por isso, as mecanizações têm aumentado até nos pequenos empreendimentos.

Quais as mudanças mais significativas na sua opinião?
Há 20 anos, o concreto era transportado com jerica, no máximo no elevador da obra. Hoje, é muito comum usar em obras o concreto bombeado. A velocidade de fornecimento de concreto para a frente de trabalho sai de menos de 5 m³/hora e pode ir a 25 m³/hora ou mais. O mesmo ocorre com a argamassa, que é um material muito demandado no sistema construtivo tradicional. Transportar por bombeamento e, eventualmente, utilizar projeção para aplicar, elimina muitas pessoas no processo. A substituição dos elevadores com cabo pelos elevadores cremalheira aumentou a capacidade e a velocidade desses equipamentos, melhorando significativamente o fluxo.

“Os equipamentos têm evoluído tanto em confiabilidade quanto em relação à disponibilidade e tipologia. Há gruas com lanças diferentes, com a possibilidade de a lança ser basculante, com giro em relação ao eixo na horizontal. […] Existe um mercado novo de pequenos equipamentos transportadores de carga para atuar dentro dos andares.”

Há mudanças significativas relacionadas à argamassa projetada nas fachadas, certo?
Um sistema bem usual no passado era produzir a argamassa numa central no andar térreo, movimentá-la com jericas por um elevador de obras até o andar de uso, passá-la aos pedreiros trabalhando nos balancins para, então, eles fazerem sua aplicação manual na fachada. Hoje podemos ter no térreo um grande silo onde a argamassa é recebida e estocada pré-misturada a seco; depois, é levada por bombeamento até o andar de aplicação, onde é feita uma mistura automática com água. Daí é bombeada e sai no jateador, na mão do pedreiro. Ou seja, a única operação é abastecer o cilindro do térreo. Isso existe há alguns anos e há esforços de todas as partes para difundir mais essa tecnologia.

Que tipo de esforço é necessário?
Planejamento e projeto. Tudo que é manual, que o operário consegue se virar para fazer acontecer, depende menos do gestor, exige menos planejamento. Tudo o que mecaniza e industrializa, em contrapartida, exige que o gestor pense mais. É preciso pensar no reabastecimento de material, na quantidade de equipamentos e em seu compartilhamento pela equipe de trabalhadores. Esse tipo de coisa, quando falha, causa grandes problemas. Por isso, o projeto de logística tem de ter um bom gestor por trás para que acarrete enormes ganhos.

Houve evolução também no campo das armaduras?
Deixar de usar aço em barras para adotar aço pré-cortado e dobrado diminui algumas das movimentações entre estoque, montagem e aplicação. Inicialmente, houve resistência entre os gestores e empreiteiros, mas eles aprenderam as vantagens de trabalhar com o aço pré-cortado e dobrado e hoje essa conduta é algo amplamente difundido. Tanto que a discussão atual progrediu na direção de se avaliar a viabilidade de levar a gaiola já pré-montada para o andar. Claro que, nesse caso, é preciso ter o equipamento adequado para levar a gaiola.

A capacidade de carga dos equipamentos de içamento é uma questão complexa?
Os equipamentos têm evoluído tanto em confiabilidade quanto em relação à disponibilidade e tipologia. Há gruas com lanças diferentes, com a possibilidade de a lança ser basculante, com giro em relação ao eixo na horizontal. Há lanças com comprimentos e capacidade de carga diferentes. Além disso, existe um mercado novo de pequenos equipamentos transportadores de carga para atuar dentro dos andares. Evidentemente, tudo isso demanda projeto. Afinal, se a laje não foi pensada para o peso do equipamento, ele não pode ser usado. Com isto percebe-se que o projeto de logística influencia os demais projetos e, portanto, tem mais chance de influenciar a produtividade quanto mais cedo se iniciar sua discussão ao longo da vida do empreendimento.

“Há uma palavra por trás disso tudo que é industrialização. Esse é o caminho da construção. E industrialização é, primeiro, organização, que vale para todos os aspectos, desde o projeto até a obra.”

A que se deve essa evolução?
Os projetos têm pensado mais em fabricação fora do canteiro, com a ideia de pré-fabricados para vigas, lajes e banheiros prontos. Isso tudo torna obrigatória uma mecanização mais pesada. Por outro lado, usar pré-fabricado e não pensar em logística adequada é pior do que ter um processo mais tradicional.

Teria algum exemplo?
Vou usar como exemplo uma grande obra em São Paulo, onde a logística foi encarada com muita seriedade. Em uma das torres foi necessário utilizar três gruas para obter a velocidade de montagem adequada para aproveitar a maior rapidez potencial proporcionada pelos pré-fabricados. Se tivesse só uma grua, era melhor fazer tudo moldado in loco. Porque daí coloca-se um monte de gente na frente de trabalho e consegue-se produção, ainda que com pouca produtividade. Com o pré-fabricado não tem jeito, tem de ter equipamento.

Ou seja, sem o equipamento adequado e na quantidade indicada, o pré-fabricado pode até não ser viável?
Nessa mesma obra, em outra gleba, não tinha um bom local para colocar as três gruas de modo que trabalhassem com eficiência. Então, mudamos a laje para moldada in loco. Daí bombeamos concreto e a produtividade foi melhor do que se as gruas estivessem se atrapalhando. Para aumentar a produtividade, usamos mesa voadora para deslocar toda a fôrma, mas esse trabalho me permitiu ter duas gruas dando conta de um processo bem rápido. Mais rápido do que se fosse pré-fabricado com duas gruas.

Há algum tipo de tecnologia ou conceito disruptivo cuja proposta seja o aumento da produtividade baseado em logística de canteiro?
Há uma palavra por trás disso tudo que é industrialização. Esse é o caminho da construção. E industrialização é, primeiro, organização, que vale para todos os aspectos, desde o projeto até a obra. O segundo aspecto é o da mecanização. Transportar manualmente as coisas em construção é muito complicado e demanda muito esforço. Eu costumo perguntar aos meus alunos se eles sabem quanto pesa um saco de cimento, e alguns respondem imediatamente que pesa 50 kg. Depois, pergunto quanto pesa 50 kg e sugiro que tentem um dia levantar um saco de cimento para sentir o esforço demandado. E pesa demais! Transportar isso é complicado e afeta a saúde das pessoas. O terceiro aspecto é a pré-fabricação, com uso de componentes maiores, que têm impacto enorme na logística.

“No caso de um processo construtivo com alto nível de industrialização, a logística é uma condição essencial para sua efetivação. E, no caso de processos mais manuais, o estudo da logística permite um aumento significativo da eficiência possível.”

Pode-se dizer que uma boa logística é absolutamente necessária para se alcançar os mais altos níveis de produtividade?
Na minha opinião sim. No caso de um processo construtivo com alto nível de industrialização, a logística é uma condição essencial para sua efetivação. E, no caso de processos mais manuais, o estudo da logística permite um aumento significativo da eficiência possível. Portanto, é um dever pensar na logística para a execução de grandes obras com processos inovadores, mas isso não exime os gestores das pequenas obras que usam processos convencionais de fazê-lo também. Há que se ter essa discussão presente nas decisões macro e micro. Essa postura, de olhar para a industrialização, pensar nas inovações, abre um espaço que proporciona grandes chances de ganhos. Mas mesmo pensando em detalhes é possível ganhar em produtividade. Há soluções pequenas que mudam muito um serviço grande. Mas, se pensar grande, pode ganhar ainda mais. Quem não pensar assim vai ficar muito para trás. A grande questão, afinal, é fazer um projeto de logística. Quer a construtora contrate um especialista, quer estude e faça por conta própria, ela não pode deixar de pensar formalmente nessa questão.

Por Bruno Loturco

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