Editorial: patrimônio técnico

Paulo Kiss

A Encol era a maior construtora imobiliária do país na década de 80. Faturava quase R$ 2 bilhões ao ano, empregava mais de 20 mil pessoas e bateu a casa das 100 mil unidades construídas. A Encol era também a mais inovadora do país. As áreas técnicas e de P&D reuniam profissionais qualificados em campo e na academia.

O caminho aberto pela Encol permitiu que o setor avançasse muito nas décadas seguintes, inclusive pelos “maus exemplos”. Antes de ruir após sucessivos planos econômicos, “pedalava” recursos de um empreendimento para outro, a fim de garantir funding aos lançamentos. Hoje, mecanismos jurídicos isolam incorporações e oferecem garantias sólidas a quem compra um imóvel.

O inquestionável legado técnico da Encol, porém, encontra poucos paralelos. Hoje, com dificuldade para reduzir estoques e cenário desfavorável aos lançamentos, as construtoras investem cada vez menos em inovação. Uma tecnologia comprovadamente eficiente pode levar dez anos para ser absorvida. Ferramentas e sistemas que poderiam garantir maior produtividade, maior controle de prazos e processos menos artesanais são difíceis de serem aceitos no setor. Mas quem investe colhe a diferença.

O Departamento de Desenvolvimento Tecnológico da Tecnisa (DDT), criado em 1995, tem levado para os empreendimentos diversas soluções testadas e comparadas exaustivamente. A construtora reduziu para 5% as perdas na aplicação de gesso e um percentual semelhante no revestimento externo; utiliza argamassa autonivelante para contrapiso e reduziu em até 7% o ciclo de alguns processos. O patrimônio técnico de uma construtora é um dos seus maiores ativos. Quem garante é o engenheiro Maurício Bernardes, gerente de Desenvolvimento Tecnológico da Tecnisa, o entrevistado desta edição, e também blogueiro do portal PINIweb. Indispensável ler.

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