Concreto aparente em regiões litorâneas

Qual é a técnica mais indicada de impermeabilização para fachadas de concreto aparente em regiões litorâneas?
Sob o aspecto da durabilidade da estrutura há que se atentar para o risco de ataque por sulfatos e, principalmente, cloretos carreados pela brisa marinha. Nesse sentido, há a necessidade da correta especificação da classe de resistência do concreto (implicando a sua permeabilidade), adequado cobrimento das armaduras, tipo e consumo compatíveis de cimento (cimentos pozolânicos, cimentos resistentes a sulfatos etc.), competente dosagem do concreto com adições e aditivos apropriados (sílica ativa, aditivos superfluidificantes, aditivos inibidores de corrosão etc.). Além disso, o projeto da estrutura deverá evitar ao máximo concentrações de armaduras, estreitamento de peças e outros fatores de risco, e considerar com todo rigor a necessidade de limitar a abertura de fissuras, optando-se eventualmente no cálculo pela total eliminação do risco de fissuras em peças fletidas, submetidas à torção ou cisalhamento.

São necessários também cuidados especiais na seleção dos agregados e água de amassamento (isenção de cloretos e outros sais), no lançamento, adensamento e processo de cura do concreto: se ocorrerem falhas, não será atingida a compacidade necessária, facilitando a penetração de agentes agressivos. Nesse último aspecto, entre a retirada das fôrmas e a aplicação do acabamento final ao concreto aparente, seria interessante proteger a superfície das peças contra a infiltração dos sais dissolvidos na brisa que, ao se cristalizarem, podem provocar descolamentos do verniz de proteção e manchas esbranquiçadas sob a respectiva película. Nesse sentido, as peças podem ser protegidas por lonas plásticas ou outros recursos.

De acordo com Milton Chaves (dissertação de mestrado IPT – 2016), a proteção superficial do concreto deverá ser especificada com os seguintes objetivos: barrar o ingresso de CO2, O2, água, cloretos e outras substâncias agressivas; deter o avanço da frente de carbonatação; evitar ou minimizar eflorescências; impedir a aderência de sujeiras; evitar a proliferação de fungos; proporcionar impermeabilidade da superfície; facilitar a remoção de pichações; compensar o cobrimento do concreto nos casos de cobrimento insuficiente; melhorar o aspecto visual; proporcionar maior durabilidade à estrutura.

Quanto ao sistema de proteção superficial, que embora com diferentes graus de efetividade não pode ser considerado na previsão da vida útil de projeto da estrutura (mínimo de 50 anos segundo a normalização técnica brasileira), é comum adotar-se sistema duplo constituído por primer à base de silano-siloxano oligomérico e uma ou duas demãos de verniz acrílico puro ou acrílico estirenado. Observa-se ainda que as dispersões acrílicas base solvente têm revelado melhor desempenho que aquelas base água, devendo optar-se preferencialmente por essas últimas sob o prisma dos impactos ambientais.

Outros vernizes podem ainda ser utilizados, como os poliuretanos alifáticos, que, no geral, produzem excelentes condições de impermeabilidade superficial, Todavia, há risco de certos vernizes amarelarem em tempo relativamente curto após a aplicação, resultado da ação dos raios solares/fotodegradação.

Engo Ercio Thomaz
BCETAC – Centro Tecnológico do Ambiente Construído

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