Artigo: verificação dos critérios de interoperabilidade entre softwares BIM/CAD

Maciel, K. P.
Engenheiro Civil – Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

Azanki, S. D.
Engenheira Civil – Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

Lopes, R.
Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

Desenvolveu-se o presente trabalho, com o intuito de incentivar novas pesquisas no segmento e fundamentalmente comprovar na prática se o que as ferramentas se propõem é realmente exequível. O trabalho teve como objetivo complementar avaliar alguns softwares de arquitetura e engenharia que anunciam utilizar o conceito BIM/CAD, testando a interoperabilidade entre eles por meio do uso do arquivo para exportação de extensão Industry Foundation Classes (IFC) como instrumento de troca de dados. Foi modelado uma única edificação térrea de 60 m², em três softwares que anunciavam a utilização dos conceitos da plataforma BIM e as vantagens divulgadas foram avaliadas, tais como: troca de informações sem a perda de dados, elaboração de projetos com uma maior quantidade de informações, melhor visualização, minimização de correções, adequada extração de quantitativos.

Em agosto de 2004, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) publicou um relatório intitulado “Análise de Custo de Interoperabilidade inadequada no Capital das Indústrias de Instalações dos Estados Unidos.” O relatório afirmava que as linhas de capital da indústria conservadora perdiam 15,8 bilhões de dólares por ano, causada pela interoperabilidade inadequada devido à “natureza altamente fragmentada do setor, que mantém práticas de negócios da indústria em papel, falta de padronização e adoção de tecnologia inconsistente entre as partes interessadas.” (FORREST, 2007).

O surgimento dos sistemas em BIM mostra que um novo paradigma para o trabalho colaborativo precisa ser criado. Porém, em um estágio inicial, observado ainda no Brasil, percebe- se que as equipes de projeto continuam a trabalhar de maneira individual e com trocas de informação somente nos momentos de eventos-chave de compatibilização. Na prática continua-se trabalhando de forma convencional, sem o aproveitamento dos benefícios possíveis da tecnologia BIM. Eventuais justificativas para essa situação poderiam ser baseadas em questões levantadas pelos profissionais que argumentam que geralmente são obrigados a adotar métodos de trabalho particulares em virtude das limitações dos processos implantados em seus escritórios, justificando com isso a manutenção de velhos hábitos não colaborativos, fortemente arraigados na cultura da indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção Civil (AEC). (MANZIONE & MELHADO, 2014).

Segundo Florio (apud COELHO, 2008), a tecnologia BIM é o desenvolvimento dos sistemas CAD, pois não só geram as definições de projeto de um empreendimento de construção, mas dados quantitativos e qualitativos de acordo com a realidade de execução.

Bôas(2013) assegurou que em uma primeira tentativa para a introdução do BIM na construtora Tecnisa, não obteve-se os resultados esperados devido à falta de prática dos projetistas, o que causou o atraso na obra. Os primeiros edifícios residenciais já lançados foram modelados em Revit. Segundo ele um dos problemas que dificultam a modelagem 3D é o valor cobrado pelos projetistas de instalações.

O mercado AEC está em estado de desenvolvimento e adequação no que se refere à plataforma BIM, mas os problemas apontados pelo relatório e por Bôas persistem na atualidade.

Tabela 1 – ARQUIVOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CADA SOFTWARE BIM

 

Desenvolvimento dos Projetos
Com o intuito de verifcar se há interoperabilidade entre softwares, classificados como BIM foram desenvolvidos os projetos para uma residência. Assim definido o objetivo da pesquisa, para a confecção e compatibilização dos projetos foram utilizados: o software ArchiCAD, CAD TQS, DDS-CAD, DDS-VIEWER e Solibri Model Checker.

Cada software possui formatos de arquivo para importação e exportação dos projetos modelados, que podem ser visualizados na Tabela 1.

Arquitetura
A modelagem no ArchiCAD teve como referência o projeto de arquitetura já existente desenvolvido no programa bidimensional AutoCAD apresentado em planta baixa, cortes e fachadas.

O processo de confecção e compatibilização dos projetos:
a. Iniciou-se com o modelo arquitetônico, através do software Archicad;
b. Após a modelagem, foi compartilhado o projeto arquitetônico com os outros módulos (estrutural, elétrica e hidráulica);
c. E foram compatibilizados pelo programa Solibri Model Checker.

Modelagem no ArchiCAD
Para a modelagem no ArchiCAD, determinou-se as características dos materiais utilizados e os parâmetros dos objetos. A seguir, mostra-se em ordem sequencial como foi a execução da modelagem arquitetônica:
a. Inserção do nível dos pisos;
b. Inserção das paredes;
c. Inserção das esquadrias;
d. Inserção do telhado.

Primeiramente foram inseridos os níveis: Fundação, Térreo e Cobertura. Na tela de definição informou-se os pavimentos e o pé-direito.

Figura 1. Definições de parede padrão.

Logo em seguida procedeu-se a inserção das paredes, configurando espessura, altura e material de recheio. Como mostra a “Figura 1” o material selecionado para projeto foi: parede de 13 cm com reboco dos dois lados.

Finalizado a etapa de inserção das paredes modelou-se as esquadrias (portas e janelas). O telhado foi modelado também com base no projeto bidimensional fornecido. Concluído o modelo arquitetônico, o mesmo foi salvo em IFC (para posterior compatibilização) e em dxf (para inserir no CAD TQS).

Projeto estrutural
O projeto estrutural foi todo modelado no CAD TQSt. Um programa que exporta o modelo em IFC.

Como o presente trabalho é uma construção de pequeno porte, adotou-se a ABNT NBR 6118:2003, pois, a mesma permite que a dimensão mínima dos pilares pode ser adotada entre 12 e 19 cm com a mesma condição de majorar os esforços. Esta opção pôde ser feita devido ao fato do programa CAD TQS dar a liberdade para o autor do projeto escolher qual norma utilizar.

Depois de inserida a Fundação modelou- se o Térreo. Finalizada toda a estrutura, o próximo passo foi salvar os quantitativos de aço e concreto do projeto para posterior verificação e exportar o edifício no formato IFC com a finalidade de compatibilizar com os demais projetos. Ao clicar no menu “Exportar Modelo IFC” escolheu-se o destino do arquivo, e logo em seguida, em outra janela determinou-se qual pavimento exportar. Determinou-se também a exportação de detalhes específicos como a taxa de aço e o fck do concreto.

Concluída toda a configuração dos parâmetros do edifício iniciou-se a modelagem. Cada pavimento possui o seu “modelador estrutural” que permite o uso do arquivo em dxf como referência de origem.

É de extrema importância a observação do fato de que o ponto de origem de todos os projetos devem ser o mesmo. Assim foi determinado a origem na coordenada (0,0) pela arquitetura e tomado como referência para a confecção dos demais projetos. A não observação de tal consideração impossibilita a compatibilização.

Modelagem do projeto elétrico
Após a elaboração da arquitetura, gerado o arquivo base em IFC e iniciou- se o desenvolvimento do projeto elétrico no software DDS-CAD.

A opção de importação escolhida foi ‘Import and convert to DDS objects’ que além de manter a origem do projeto no ponto (0,0), possibilita a visualização 3D do projeto elétrico em conjunto com a arquitetura modelada pelo ArquiCAD.

Importado o arquivo IFC do ArchiCAD, iniciou-se o cálculo luminotécnico de cada ambiente, seguindo os processos abaixo:
a. Definição da área a ser iluminada;
b. Determinação de parâmetros (Altura de trabalho, iluminância, reflexão, ambiente, fator de manutenção, quantidade);
c. Escolha do tipo de luminária, orientação e as características de iluminação da luminária;
d. E finaliza com o dimensionamento do software, que são analisados em relação a norma brasileira NBR 5413 – Iluminância e Cálculo Luminotécnico, e em caso do não atendimento, o projetista pode modificar critérios como iluminância do ambiente devido as características da luminária ou forma de disposição no layout, até adequar o projeto a norma e ao desejo do cliente.

Prosseguiu-se com a determinação dos pontos de tomada, interruptores, caixa de passagem; e interfone, redes que saem do quadro de distribuição e ao desenho de todos os eletrodutos e fios, que podem ser visualizados no projeto elétrico (Figura 2).

Finalizada a parte de desenho, foram testados pelo próprio software os dimensionamentos, e analisada a concordância com a norma.

Rede de distribuição de água
Concluída a parte elétrica, dimensionou- se a rede de água potável, com o projeto estrutural desenvolvendo-se em paralelo sobre a mesma arquitetura exportada pelo ArchiCAD, houve uma preocupação como projetista em delimitar um nível de trabalho para a rede, a fim de evitar o conflito com projeto estrutural, como vigas ou pilares sendo transpassados por tubos, o que impossibilita o projeto, pois em vigas compromete a taxa de aço dos elementos, e nos pilares é inexequível. Caso ocorrem-se conflitos, esperava-se que esses fossem destacados pelo software de compatibilização Solibri Model Checker, apresentado no próximo tópico.

Figura 2. Planta Baixa do Projeto Elétrico.

O desenho da rede distribuição seguiu-se conforme Figura 3 mostrada na sequência:
Descrição dos tópicos:
a. Tubulação – comando inicial para inserção da tubulação;
b. Determinação de especificações (Água potável/Esgoto, água fria/quente, material (PVC/Cobre);
c. Diâmetro – necessário estimar um valor para desenho e posterior cálculo;
d. Origem – definiu-se a origem do pavimento superior (onde foi determinado a instalação de caixa d´água.
e. Após todas as definições prosseguiu- se com o desenho da rede.

Após determinar todo o percurso da rede de alimentação, verificou-se pelo programa o volume de água por segundo que passa pelo conduto do sistema modelado até a chegada nos lavatórios, vasos, chuveiro e torneiras.

Se ocorrer o não cumprimento das exigências em norma, deve ser avaliado pelo projetista qual a melhor forma de alteração para o atendimento, que vão desde a mudança do diâmetro da tubulação até a mudança de caminhamento dos tubos ou alteração da altura de alimentação da água. Após a conferência e atendimento, são encaminhados para a compatibilização.

Distribuição de esgoto sanitário
A rede de esgoto é introduzida na mesma interface da rede de água, ambas podem ser inseridas na visualização 2D/3D, distinguindo-se pela cor das tubulações, sendo água potável na cor verde e esgoto na cor roxa. A partir da escolha de tubulação para esgoto, todo o percurso desenhado desenvolveu- se com inclinação de 1% automática do ponto de início ao ponto final determinado (caixas de gordura, ralos, fossa séptica, sumidouro).

Compatibilização dos projetos
A verificação de conflitos de todos os projetos foi realizada pelo software Solibri Model Checker, que se propõe a importar o arquivo IFC de cada módulo (Arquitetura, Estrutural, Elétrico e Hidro sanitário), unindo os mesmos em uma única visualização, permitindo- se analisar os conflitos entre os diferentes projetos, classificando o nível da interferência dentro do projeto, e em seguida gerando um relatório onde os conflitos são graduados como:
– Crítico – cor vermelha – necessária alteração imediata;
– Médio – cor alaranjada – entende como conflito, mas cabe ao projetista alterar ou dar continuidade;
– Pontual – cor amarela – interferências como encontro de paredes que foram modeladas uma sobre a outra, que implica em erro nos quantitativos.

Figura 3. Esquema de modelagem da rede de água potável.

 

Figura 4. Checagem do Solibri – Destacando a obstrução da passagem pelo tanque.

Na Figura 4 é descrito um conflito classificado como crítico, pois o tanque obstrui a abertura da porta.

Lista para orçamento
Finalizados os projetos de cada módulo (Arquitetura, Estrutural, Elétrico, Hidráulico) gerou-se as listas de materiais individuais.

Em cada software são especificados o tipo de material, mas as quantidades, volumes ou metragem são calculadas pelo programa de acordo a configuração inserida, como na Figura 5, que mostra parte de uma lista de material do projeto elétrico, onde os produtos presentes na descrição foram determinados pelo projetista, que especificou caixas e cabos, e o caminho que o cabo deve percorrer, mas a quantificação é toda por parte do modelador.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
ArchiCad
Ao serem introduzidas as definições específicas de parede, esperava-se que na lista de quantitativo viessem expressas separadamente as quantidades de volume de reboco e área de tijolos necessárias à execução. Para a modelagem executada percebeu-se que a inserção de dados da forma como foi realizada, não conduziu a uma parametrização de todas as variáveis citadas, sendo, provavelmente, necessária uma configuração das ferramentas disponibilizadas, conforme o interesse do projetista, o que não foi possível por desconhecimento de alguns recursos do software.

Embora tenha ocorrido está limitação do modelo, podemos relatar algumas vantagens nesta utilização do BIM, como o fato das paredes terem a espessura, altura, dentre outras características previamente definidas.

Uma característica avaliada dentro dos parâmetros da modelagem executada e que pode ser considerada uma desvantagem para a configuração default está no fato de que todas as esquadrias idênticas inseridas foram nomeadas e contabilizadas como elementos diferentes, aumentando desnecessariamente a quantidade de itens da lista, sendo necessário a renomeação manualmente delas, para que o quantitativo gerado agrupasse os elementos de mesma nomenclatura. Tal fato poderia ser corrigido se fosse ajustado a configuração do programa de renumeração automática.

Após verificar que o programa ArchiCAD permite a compatibilização de todos os projetos não só para visualização, mas gera uma nova lista de materiais de acordo com a sua compreensão de dados do modelo completo, foram importados todos os arquivos IFCs de cada modalidade e compatibilizados, em seguida uma lista de materiais para comparação com as listas específicas.

Ao exportar o IFC do CAD TQS para o ArchiCAD, a taxa de aço não foi lida e quantificada no ArchiCAD. Outra desvantagem foi a perda de dados na importação do projeto elétrico onde os eletrodutos não são visualizados, problema confirmado ser do ArchiCAD, pois o software Solibri Model Checker utilizando do mesmo arquivo conseguiu assimilar e visualizar.

O ArchiCAD, foi analisado sobre três critérios:
– Exportação – como software de modelagem o mesmo apresentou a exportação de modelos IFC de forma adequada;
– Atualização de desenho – demonstrou automatização em todos os cortes e vistas ao serem feitas alterações nos modelos 2D;
– Compreensão de dados após importação – O programa reconheceu cada arquivo IFC diferenciando as modalidades, porém houve perda de dados na importação de arquivos IFC do programa DDS-CAD, possivelmente associado a inconsistência entre versões dos softwares utilizados;

CAD TQS
O CAD TQS, foi analisado sobre três aspectos:
– Atualização de desenho – Cada modificação feita no modelo 2D atualiza simultaneamente o 3D;
– Compreensão de dados após importação – O software não importa arquivos com extensão IFC, portanto, não assimila dados de outros projetos como, por exemplo, a arquitetura base elaborada no ArquiCAD;
– Normas – Utiliza a NBR 6118:2014/2003 entre outras Brasileiras.

DDS CAD – MÓDULOS ELÉTRICO E HIDRÁULICO 
O software DDS-CAD, possui uma versão auxiliar que também possibilitou a visualização de todos os projetos, além dos atributos de cada elemento (Figura 6), como por exemplo na estrutura, pode-se acessar taxa de aço, taxa de compressão, dimensões e volume dos elementos que compõe o projeto estrutural. Mas suas funcionalidades se restringem a visualizar, o mesmo não extrai nenhuma lista de materiais e nem faz compatibilização.

O software DDS-CAD, módulo elétrico e hidráulico, foi analisado segundo os seguintes aspectos:
– Exportação – não apresentou nenhuma inconsistência nesta verificação;
– Atualização dos desenhos – versátil, tanto as alterações que foram feitas no 2D e 3D, foram automaticamente atualizadas;
– Compreensão de dados após Importação – todas as informações inseridas nos arquivos importados puderam ser acessadas em seu layout, como dimensão, volume e composição.
– Normas – Um ponto negativo constatado está no fato do fato de que o software por ser de origem alemã, tem como bases normas europeias, dessa forma os projetistas de nacionalidade brasileira, necessitam conferir os relatórios de dimensionamento e consultar se atendem as normas vigentes no país.

DDS CAD – MÓDULO ELÉTRICO
O software não analisa a quantidade mínima de tomadas inseridas no ambiente de acordo com a norma NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, sendo necessário ao operador fazer as alterações que forem pertinentes, de forma a atender os critérios especificados.

Figura 5. Parte da lista de materiais do projeto elétrico extraída do software DDS-CAD.
Figura 6. Visualização de informações inseridas no TQS, pelo softwares DDS-Viewer.

Os cálculos relativos ao dimensionamento dos circuitos foram baseados nas normas IEC 60364 (International Electrotechnical Commission) e estão de acordo com a norma europeia HD 60364, regulamentada pela CENELEC, the European Committee for Electrotechnical Standardization). É importante frisar que o mesmo não possui em suas bibliotecas as normas brasileiras para dimensionamento elétrico.

DDS CAD – MÓDULO HIDRÁULICO
O software não analisa a quantidade mínima de tomadas inseridas no ambiente de acordo com a norma NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, sendo necessário ao operador fazer as alterações que forem pertinentes, de forma a atender os critérios especificados.

SOLIBRI MODEL CHECKER
Gerado o relatório de conflitos esperava- se compreender onde existem todas as incompatibilidades e impossibilidades de execução, como a descrita entre tanque e porta. Devido a falta de experiência na utiização do software, pode-se ratificar que os erros observados a olho nu, poderiam ter sido salientados pelo software, se o mesmo fosse parametrizado corretamente ou pela forma como foram importados os arquivos para checagem.

Houve dificuldade em assimilar a relação de conflitos indicados pelo programa, devido à complexidade das informações apresentadas pelo software Solibri, que não são claras e forçaram a uma análise visual das compatibilizações em busca de conflitos. Uma desvantagem identificada nesta etapa foi o fato dele ter reportado somente os conflitos da arquitetura entre seus próprios elementos, como uma parede modelada dentro de outra e, entre arquitetura e hidrossanitário, mas não identificou tubulação seccionando elementos da fundação, e a existência de tomadas dentro dos pilares, como mostrado na Figura 7.

Lista para Orçamento
Conforme os dados de parte da lista apresentada, pôde-se analisar a descrição dos materiais inseridos e quantidades, sendo todos modelados de acordo a necessidade de projeto e contabilizados automaticamente após adicionados, trazendo segurança e exatidão na orçamentação. Para comprovar a precisão e assimilação dos dados exportados pelo arquivo IFC de cada área compatibilizados no Archi- CAD, comparou-se a lista de quantitativos do software, com as listas fornecidas de cada programa específico, e tantos dados de volume total, como dados específicos de elementos elétricos e hidráulicos coincidiram.

Síntese dos Resultados
Apesar deste trabalho ter como objetivo o uso somente de arquivos modelados em BIM, no início, utilizou-se o CAD bidimensional como referência para o modelo de arquitetura.

Figura 7. Tubulação cortando vigas baldrames da fundação.

Após acompanhamento de todo o processo de desenvolvimento de projetos, percebeu-se que um possível modelo para o trabalho com projetos em bim seriam os representados pelos passos a seguir:
a. Determinação da arquitetura e origem de trabalho, para o arquivo base em IFC;
b. Importação do arquivo IFC pelas outras modalidades (estrutural, elétrico e hidráulico);
c. Verificação dos conflitos, caso não sejam indicados nenhum conflito dá-se início a próxima etapa, caso contrário, as inconsistências são analisadas e retornadas aos projetistas pertinentes para a correção.
d. Após confirmação da ausência de conflitos, solicitam-se as listas de materiais de cada módulo e pode-se dar continuidade com a orçamentação da obra.

Quanto à utilização da plataforma BIM neste trabalho, os pontos positivos e negativos dos softwares utilizados foram pontuados na Tabela 2 como conclusivos quando atenderam aos critérios da plataforma e inconclusivo em caso contrário. Os critérios de avaliação foram:
– Compreensão de dados após Importação – esse item é o mais importante, pois não havendo a leitura completa dos dados, impossibilita qualquer progresso na modelagem do projeto e posterior compatibilização;
– Exportação – a exportação de arquivos IFCs é a base para a troca de informações, ou seja, é fundamental que o software exporte na extensão IFC. A importação de tais arquivos implica na posterior leitura, ou seja, não basta importar, tem que compreender os dados.
– Auto-ajuste de desenhos – A principal função destacada pelos fornecedores dos softwares é automatização de cortes e vistas após alterações nos desenhos em 2D ou 3D, quesito avaliado em todos os softwares, com exceção dos programas de compatibilização, que não se configuram para tal funcionalidade.
– Listas de materiais – a fidedignidade de um orçamento se caracteriza pela exatidão das quantificações de materiais para execução, desta forma foram conferidas todas as listas de materiais geradas, a fim de verificar possíveis distorções ou erros, que podem onerar ou simplesmente desqualificar o orçamento de um empreendimento.
Normas – dentre os softwares que fazem dimensionamentos, sejam eles, estruturais, elétricos ou hidráulicos, houve uma preocupação com o atendimento das Normas nacionais, pois em sua maioria, são fabricados no exterior e são regidos por Normas internacionais.

Para o modelo elaborado nenhum dos softwares avaliados atendeu todos os critérios testados, mas foi possível determinar que mesmo com o processo parcial, pode-se utilizar os softwares e obter resultados melhores do que pelos modos convencionais de se elaborar projetos. Abaixo segue o detalhamento dos resultados apresentados na Tabela 2:
– Para os pontos analisados considerando as limitações deste trabalho o software ArchiCAD, se mostrou inadequado por não visualizar dados presentes no arquivo IFC gerado pelo programa DDS-CAD, como elementos da rede elétrica, além da taxa de armadura gerada pelo CAD TQS.
– O programa de modelagem estrutural não possui estrutura para ler arquivo IFC, sendo negativo em dois aspectos: Importação – por não receber a extensão oriunda do ArchiCAD; e assimilação – por não oferecer a leitura da arquitetura em conjunto com a estrutura em 3D.
– O DDS-CAD recebeu avaliação “inadequado” no quesito Normas, por não utilizar as normas brasileiras de dimensionamento. Mas possui flexibilidade de ajuste de dimensionamentos de acordo com as necessidades do projetista, mas como há a necessidade de se conferir dos cálculos e o mesmo é oferecido ao mercado brasileiro, foi classificado desta forma.
– O último sistema operacional avaliado (Solibri) que anunciava a função de compatibilizar, não correspondeu aos testes da forma como foram conduzidos, por apresentar um relatório complexo e por fazer somente a compatibilização da arquitetura, mas não reconheceu, os conflitos dos projetos elétrico, hidráulico e estrutural de forma automática.

Tabela 2 – AVALIAÇÃO DOS SOFTWARES

CONCLUSÕES
O objetivo de desenvolvimento dos projetos, extração das listas de materiais e a compatibilização foi atingido parcialmente, devido a não total compreensão das informações de alguns softwares ou ao desconhecimento de todos os recursos disponibilizados pelos programas por parte dos operadores. A análise dos resultados obtidos em cada critério demonstrou a possibilidade de uso das ferramentas no processo de modelagem, mesmo de forma incompleta.

Ao longo do desenvolvimento da pesquisa, notou-se algumas inconsistências nos programas, como por exemplo, na integração de todos as módulos do projeto no ArchiCAD, houve perda de dados, como a taxa de armadura dos elementos estruturais e os eletrodutos dos circuitos elétricos, consequentemente a lista de materiais e quantitativos gerados por tal software não pôde ser considerada completa, devido à falta dos objetos descritos.

O modelador estrutural CAD TQS se apresentou incompleto ao ser disponibilizado como software BIM, pois não importa dados em IFC e, por conseguinte não disponibiliza em sua interface visualização em 3D da arquitetura base com estrutural, ponto que pode ser utilizado pelo projetista em sua modelagem.

Conforme resultados apresentados, o DDS-CAD só não se adéqua às exigências solicitadas no quesito normas brasileiras por não as possuir em sua biblioteca, enquanto a versão DDS-Viewer atende a sua única função, que é visualizar todos os projetos prontos.

Algumas inconsistências puderam ser notadas também no programa SMC (Solibri Model Checker), que tem como função, de acordo com a Graphisoft, analisar as interferências e classificá- las conforme sua gravidade, investigar a qualidade do arquivo BIM, além de localizar falhas nos projetos. Apesar da compatibilização ter sido feita com todos os projetos, o relatório emitido pelo SMC só pontuou as interferências entre arquitetura e hidrossanitário dentro do modelo elaborado. Visualmente, detectaram-se outras interferências que não foram descritas e classificadas pelo programa, como por exemplo, tubulações atravessando a fundação, caixinhas elétricas posicionadas nas faces dos pilares, entre outros.

Apesar das limitação deste estudo, constatamos que os softwares podem atender as necessidades da construção civil, como levantamento de quantitativos e posterior orçamentação desde que parametrizados adequadamente, tanto em configurações internas como em utilização de normas nacionais.

Uma sugestão de estudo para trabalhos futuros é a comparação das quantidades de materiais utilizados numa obra executada, com os quantitativos gerados pelas listas de materiais extraídas de cada software.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÔAS, F. V. Como anda o BIM nas construtoras: Tecnisa: BIM no jardim das perdizes. Revista Construção Mercado. Entrevista concedida a Juliana Nakamura, Junho/2013.

DINIZ, M. C. M. Modelagem da informação da construção – Estudo de caso – Inspetoria da Receita Federal Em Jaguarão – RS, Brasília, 2013, Dissertação (Mestrado), Universidade de Brasília.

FLORIO, W. O Uso de Ferramentas de Modelagem Vetorial na Concepção de uma Arquitetura de Formas Complexas. Tese de Doutorado, FAUUSP, São Paulo, 2005.

FORREST, R. L. Optimize BIM to Achieve the Promise of Integrated Project Delivery. The American Institute of Architects (AIA), Artigo, Estados Unidos.

MANZIONE, L & MELHADO, S. Nível de maturidade do processo de projeto: as quatro interfaces. XV Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído, AL, Maceió, 2014.

 

Veja também: