Impermeabilização de lajes deve ter projeto integrado e sistema avaliado

Optar por uma laje aparente significa ter uma preocupação especial com a ação de intempéries. Sem a proteção oferecida por telhas, deve-se empregar um sistema eficiente de impermeabilização, planejado desde a fase de projeto. Outro cuidado é garantir que o sistema escolhido corresponda adequadamente às especificações de cada obra: ‘De forma geral, para coberturas não transitáveis e de pequenas dimensões, o mais indicado é a impermeabilização com produtos acrílicos de cores claras, que refletem a radiação solar, reduzindo a temperatura sob a laje. Já para lajes maiores e transitáveis é recomendada a utilização das mantas asfálticas’, explica a arquiteta Cirene P. Tofanetto, gerente técnica da Viapol.

Projeto
O projeto de impermeabilização deve ter clareza ao especificar a interação com elementos de instalações, como por exemplo o percentual de caimento em relação a ralos e calhas. Quando se trabalha com manta asfáltica e o produto precisa ser aquecido é necessário especificar a temperatura. Outras situações envolvendo a aplicação de mantas é considerar no projeto informações sobre a dimensão das peças e o sentido de aplicação.

Segundo o engenheiro José Miguel Morgado, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), o projetista de impermeabilização deve trabalhar em conjunto com os responsáveis pelos projetos de arquitetura, estrutura, hidráulica e demais sistemas. “A total compatibilização do projeto de impermeabilização garante que não haverá prejuízos à impermeabilização, como problemas de caimentos e ralos.”

O projeto de impermeabilização deve seguir a norma técnica NBR 9.575 Impermeabilização – Seleção e Projeto. A diretriz esclarece que deve existir um memorial descritivo e planilhas. Outro ponto recomenda que em todas as peças gráficas devem constar os dados do profissional responsável pela representação gráfica, legalmente habilitado.

Na foto, o instalador trabalha com asfalto quente e cerca de 10 cm de sobreposição

Outro cuidado é especificar os materiais por sua descrição técnica e desempenho em vez da marca. Isso permite que os responsáveis pela obra avaliem diversos tipos de produtos.

Impermeabilização e instalações
Uma precaução essencial é executar a impermeabilização da laje somente após a cura total do concreto, assim como antes da impermeabilização deverá ser executado o caimento para os ralos com argamassa de cimento e areia, com uma declividade de 1% a 2%, dependendo do sistema impermeabilizante.

O sistema impermeabilizante interage com elementos de sistemas hidráulicos nas lajes, principalmente ralos, e ainda com outras instalações, como antenas localizadas no alto de edificações. “Com relação aos ralos, tubulações e diversos elementos passantes, estes deverão ser previamente instalados e fixados. Quanto às antenas, deverão ser instaladas após a impermeabilização, executando-se uma caixa de concreto sobre a proteção mecânica e depois afixadas as hastes das mesmas”, explica José Miguel Morgado.

Sistemas

Existem vários tipos de sistemas de impermeabilização e o que orienta a escolha são as características de cada obra. Para lajes de dimensões reduzidas e não transitáveis, normalmente encontradas em espaços entre telhas, o ideal é a membrana líquida. Isso também vale para uma estrutura com muitas interferências, vigas invertidas, ou até mesmo espaçamentos entre rodapés pequenos, onde o sistema de mantas torna-se inviável, uma vez que os cortes de ajuste necessários colocam em risco as propriedades desse sistema. Há ainda o caso de áreas que devem receber proteção mecânica, como em lajes verdes. Nesse caso específico a membrana acrílica não é indicada.

Aplicação de manta asfáltica com maçarico

A membrana, também chamada de manta líquida, é um impermeabilizante à base de resina acrílica que forma sobre as superfícies uma camada impermeável, elástica e flexível, resistente a intempéries. Cirene Tofanneto comenta outras vantagens: “Ela possui excelente aderência a diferentes substratos, como concreto e argamassas, alta resistência a intempéries, acabamento colorido e resistência a raios UV”.

No caso das membranas líquidas aplicadas a frio, é preciso respeitar o consumo indicado na embalagem e o número de demãos, o que garante a utilização de quantidade suficiente e previne futuras patologias.

Para lajes maiores que 50 m² o indicado é o sistema de mantas asfálticas. Essas mantas, produzidas a partir da modificação física do asfalto com polímeros, são estruturadas com não tecidos de filamentos contínuos de poliéster previamente estabilizados. Os tipos mais comuns de mantas são as com 3 mm e 4 mm de espessura, sendo a última a mais indicada para lajes de cobertura. Algumas marcas ainda disponibilizam mantas com espessura de 5 mm, para casos como laje pré moldada e onde há tráfego intenso, como vias de acesso e helipontos.

Teste de estanqueidade é etapa fundamental para verificar o funcionamento do sistema instalado

As mantas ainda podem ser elastoméricas, com substâncias que ampliam a elasticidade do produto, ou plastoméricas, com maior resistência mecânica, térmica e química. O revestimento das peças varia, podendo ser de polietileno, para aplicação com maçarico; de areia, para aplicação com maçarico ou asfalto quente; de alumínio, indicado quando a incidência de raios solares é elevada; geotêxtil, que permite pintura refletiva; ardosiado com grânulos minerais, o que garante grande resistência ou antirraiz, indicada para lajes verdes.

O teste de estanqueidade é uma etapa muito importante do processo de impermeabilização, pois verifica o bom funcionamento do sistema instalado. Prosseguir sem esse teste coloca toda a obra em risco e ameaça o sistema estrutural. A NBR 9.575 Impermeabilização – Seleção e Projeto dita o teste de lâmina d’água, que deve ser feito com água limpa e durante um período de 72 horas para verificar a estanqueidade do sistema.

Garantia e responsabilidade
Em obras de grandes proporções a construtora deve atentar para garantias e responsabilidades envolvidas em serviços contratados. Para qualquer serviço de impermeabilização o ideal é contratar profissionais que disponibilizam acervo de obras executadas. O prazo de garantia oferecido ao construtor pela empresa de serviços é o previsto no Código do Consumidor: cinco anos.

NORMAS TÉCNICAS
NBR 9.574 Execução de Impermeabilização
NBR 9.575 Impermeabilização – Seleção e Projeto
NBR 9.689 Materiais e Sistemas para Impermeabilização
NBR 15.575 Edificações Habitacionais – Desempenho

Por: Mauricio Besana

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