Fachada ventilada curva confere conforto térmico, rapidez de execução e facilidade de manutenção

O Colégio Roberto Herbster Gusmão, em Sete Lagoas (MG), se destaca pela fachada curva que reúne “em um só gesto”, como define o arquiteto Gustavo Penna, autor do projeto, os três blocos que abrigam o programa de necessidades da escola. Além de promover a unidade arquitetônica buscada por Penna, que queria um edifício de “presença marcante” na região, a fachada ventilada, composta por painéis de concreto polímero presos a uma subestrutura de alumínio, contribui para o conforto térmico graças à circulação contínua de ar entre os painéis e o substrato. Para evitar patologias decorrentes da infiltração de água, o substrato de blocos cerâmicos foi impermeabilizado e também pontualmente reforçado para a colocação das ancoragens.

Além da estética e do conforto térmico, outra razão que levou Penna a optar pela fachada ventilada em vez da aderida foi o desempenho final da edificação. “Na fachada ventilada, o colchão de ar promove o isolamento térmico, facilita a manutenção e a fixação das placas que, além disso, não correm o risco de se soltar com o tempo. A durabilidade das fachadas ventiladas é maior”, afirma o arquiteto.

O desenho curvo da fachada é determinado pela subestrutura auxiliar metálica de perfis de alumínio sobre a qual se instalam os painéis planos de concreto polímero, material composto de resina poliéster com agregados de basalto, sílica e quartzo. Com 1,80 m de comprimento e 0,60 m de altura, os painéis, confeccionados sob medida para o colégio, são fabricados por moldagem com uma capa superficial de resinas termoestáveis que protegem o componente da degradação causada pelos raios UV e outros agentes climáticos.

As juntas abertas de 10 mm garantem a ventilação permanente por trás da fachada, onde o ar flui por efeito chaminé, mas também deixam a água pluvial entrar, razão pela qual o engenheiro Luiz Antônio Craidy, da Marco Projetos e Construções, responsável pela construção da escola, optou por revestir a alvenaria de blocos cerâmicos com massa mista de cimento, cal e areia (no traço 1:2:8), seguida da aplicação de tinta asfáltica impermeabilizante. “O grande desafio desta obra foi a impermeabilização do substrato”, afirma Craidy.

Dentre as vantagens oferecidas pelo sistema de fachada ventilada com painéis de concreto polímero, o engenheiro enfatiza a possibilidade de correção de prumo e alinhamento proporcionada pela subestrutura de alumínio, que é fixada ao substrato por uma cantoneira.

FICHA TÉCNICA
Colégio Roberto Herbster Gusmão
Localização: Sete Lagoas (MG)
Cliente: Fundação Zerrenner
Projeto de arquitetura: Gustavo Penna Arquiteto e Associados
Construtora: Marco Projetos e Construções
Fachada: Ulma Architectural Solutions
Produto: Vanguard (fachada ventilada de concreto polímero)

O sistema (painel mais subestrutura) pesa 35 kg/m². Craidy conta que o substrato, por ser de alvenaria de blocos cerâmicos, exigiu reforços pontuais para receber os chumbadores. “Foram abertos furos de 15 cm por 15 cm que foram preenchidos com massa de cimento e areia no traço 1:3 nos pontos onde os parabolts foram colocados”, explica o engenheiro. Segundo ele, o procedimento foi necessário pelo fato de a alvenaria ser de blocos cerâmicos.

Fabricado pela empresa espanhola Ulma Architectural Solutions, o sistema de fachada ventilada com painéis de concreto polímero é tecnicamente baseado no Documento de Idoneidad Técnica (DIT no 476/ R10), conjunto de normas espanholas expedido pelo Instituto de Ciencias de la Construcción Eduardo Torroja. Também atende aos requisitos da NBR 15.575, a Norma de Desempenho brasileira. Por serem idealizados para fachadas, os painéis podem ser armazenados em locais descobertos. Devem ser transportados até o local da instalação por empilhadeiras, em paletes de madeira fechados. Craidy explica que, no Colégio Roberto Herbster Gusmão, foram usadas duas plataformas elevatórias grandes para posicionar as placas nas fachadas. “Nos locais estreitos e de difícil acesso, foram usados andaimes para isso”, acrescenta o engenheiro.

As fachadas devem ser instaladas por mão de obra especializada, treinada e autorizada pela Ulma. David Sevilla Carrero, gerente técnico da empresa, explica que as fachadas da escola (12.000 m2) levaram 14 meses para serem executadas, incluindo os seus arremates. “A fachada ventilada em concreto polímero permite que os arremates para janelas, portas ou qualquer outro elemento também sejam feitos com o concreto polímero. Este sistema de fachadas interage com os demais elementos construtivos, desde que haja um projeto completo e detalhado em relação aos encontros dos materiais distintos e execução adequada”, finaliza Carrero.

Alinhamento e impermeabilização
Segundo o engenheiro Luiz Antônio Craidy, da Marco Projetos e Construções, responsável pela construção do Colégio Roberto Herbster Gusmão, a impermeabilização das paredes em trechos mais críticos, como os de junção das superfícies horizontais com as verticais ou rentes aos caixilhos das janelas, foi feita por meio da aplicação de manta asfáltica para conduzir a água que entra pelas juntas dos painéis e, dessa forma, garantir a estanqueidade da construção.

Na fachada principal, o grande pórtico e beiral de acesso impôs desafios para que as juntas verticais da fachada ficassem alinhadas com as do forro, também executado com painéis de concreto polímero. As placas tiveram de ser cortadas com serra makita de acordo com as determinações do projeto.

Sistema de fixação

O sistema de fixação tradicional da fachada ventilada com painéis de concreto polímero é composto por ancoragens de alumínio fixadas no suporte ou substrato (alvenaria de blocos cerâmicos ou de concreto) com buchas mecânicas. Sobre essa ancoragem são instalados montantes verticais que, por sua vez, recebem as guias (perfis horizontais) onde os painéis são encaixados por meio das ranhuras realizadas em fábrica. A estrutura de alumínio é feita com liga 6063-T5 que apresenta boa resistência à corrosão.

Foto: Valentina Figuerola

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