Tecnologias importadas e soluções de projeto proporcionam vocação multiuso ao novo Teatro Santander, em São Paulo

Flexibilidade e versatilidade são as principais características do Teatro Santander, obra executada pela WTorre Engenharia e inaugurada no último mês de março, em São Paulo. O novo espaço de eventos que compõe o Complexo JK, na zona Sul da cidade, tem 13 mil m² de área construída e custou R$ 100 milhões.

O principal destaque do projeto – assinado por Edo Rocha (arquitetura) e pelo escritório norte-americano Eskew+Dumez+Ripple (interiores) – é sua estrutura de poltronas retráteis importada da Espanha. Na configuração de teatro italiano, o local acomoda até 1.200 pessoas sentadas. Já no modo espaço multiuso, as poltronas são recolhidas, criando uma área livre de 1.000 m² e aumentando a capacidade de público para 2.085 espectadores.

O sistema retrátil é automatizado e permite transformar o espaço em apenas dois minutos, permitindo à casa de espetáculos organizar eventos com layouts diferentes em um mesmo dia. Quando ele é acionado, a estrutura do piso é recolhida para um nicho no lado oposto ao do palco. As poltronas têm encostos móveis, que permitem sua acomodação horizontal entre os patamares.

O sistema retrátil de poltronas é automatizado e permite transformar o espaço em apenas dois minutos

Além dos assentos retráteis, o espaço nobre do teatro conta com um palco de mais de 400 m², boca de cena com 14 m de altura, 56 varas cênicas motorizadas, três elevadores sociais, um elevador de carga e um elevador de orquestra.

As áreas técnicas de apoio aos eventos, como camarins e cozinha, estão alocadas nos três subsolos da edificação. Um pavimento com aproximadamente 1.000 m² acima do teatro pode receber eventos diversos, como encontros corporativos, festas e exposições. O projeto prevê soluções de isolamento acústico que permitem, inclusive, que sejam realizados ao mesmo tempo em que as apresentações no ambiente principal.

Espaço nobre do teatro conta com um palco de mais de 400 m², boca de cena com 14 m de altura, 56 varas cênicas motorizadas, três elevadores sociais, um elevador de carga e um elevador de orquestra

A estrutura nessa região do edifício é composta por uma laje de concreto armado sustentada por vigas protendidas de 28 m de comprimento. Sobre ela, há uma camada de manta acústica de lã de PET, que serve de colchão para uma laje flutuante de 20 cm de espessura. Análises de vibração contratadas pela WTorre garantem o total isolamento entre os ambientes.

A preocupação com o isolamento acústico também norteou soluções no fechamento do edifício. Especialmente porque o teatro está próximo da Marginal Pinheiros, via rápida com tráfego intenso de carros e caminhões, e é vizinho de diversos edifícios corporativos, onde pousos e decolagens de helicópteros são muito frequentes.

Poltronas importadas têm revestimento e preenchimento especial para minimizar os efeitos de reverberação no ambiente

Nas fachadas mais expostas, o isolamento acústico foi reforçado. O fechamento do prédio, na parte de trás e no lado voltado para a Marginal, foi executado com paredes duplas de blocos de concreto, com preenchimento do espaço entre as alvenarias com lã de PET.

O revestimento externo, composto por 57 mil blocos de transparentes de vidro importados da República Tcheca, também cumprem um papel importante no isolamento acústico da edificação. Afastados de 30 cm a 50 cm da face externa da alvenaria, funcionam como uma primeira barreira aos ruídos da via expressa. Um conjunto de luzes led coloridas proporcionam um efeito estético diferenciado quando projetadas sobre a fachada transparente.

Dentro da sala de espetáculos, as poltronas são revestidas com um tecido com trama especial e preenchidas com espuma com densidade adequada para que o som seja absorvido sem gerar reverberação. Assim, torna-se irrelevante a diferença entre a propagação do som no ambiente de um teatro lotado e com cadeiras vagas.

A construtora optou por encurtar a fase de execução da estrutura, já que as atividades relacionadas à execução dos elementos acústicos e das áreas cênicas ocupariam parte significativa do cronograma da obra, em sua fase final. Por isso, a escolha de um sistema construtivo misto, composto por elementos pré-moldados associados a outros moldados in loco, mostrou-se mais adequado do que uma obra convencional, de concreto armado/protendido. Segundo a WTorre, o cronograma foi reduzido em três meses.

Fachada com 57 mil blocos de vidro importados da República Checa combina função estética com proteção acústica da edificação

A obra também demandou planejamento logístico detalhado. A entrega de materiais só podia ser feita à noite, pois o terreno fica em uma região da cidade com acesso restrito para caminhões durante o dia. Além disso, não era possível acessar o canteiro pela Marginal Pinheiros, devido à intensidade do tráfego e à alta velocidade dos veículos. Dessa forma, o acesso dos veículos era feito pelos fundos do canteiro, por um trecho sem saída da rua Gomes de Carvalho.

A construtora contou com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para realizar as descargas, já que recebeu peças pré-moldadas de concreto de diversos tamanhos, além do sistema retrátil das poltronas, que chegou ao Brasil em sete contêineres diferentes. Por isso, a construtora planejou a chegada de apenas um contêiner por vez.

RESUMO DA OBRA
Teatro Santander
Construção: WTorre Engenharia
Realização: WTorre Entretenimento/Iguatemi Empresa de Shopping Centers
Projeto de arquitetura: Edo Rocha
Projeto de interiores: Eskew+Dumez+Ripple
Área construída: T13 mil m²
Capacidade total de público: 2.085 espectadores

Por Romário Ferreira (colaborou Renato Faria)

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