Editorial: engenharia de ponta

No final de 2015, a inauguração de um marco virou os olhos do Brasil – e talvez do mundo – à baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Para dar forma ao caráter escultural do Museu do Amanhã, o arquiteto espanhol Santiago Calatrava impôs grandes desafios à engenharia. O principal destaque fica para a cobertura metálica: com mais de 330 m de comprimento, é ancorada em apenas dois pontos fixos e com balanços que chegam a 70 m. A estrutura de concreto armado, complexa devido às curvaturas e inclinações previstas em projeto, foi exaustivamente calculada e simulada em softwares de modelagem computacional. Uma obra que, embora muito bem planejada, teve informações importantes definidas apenas durante a construção, a exemplo da carga da museografia. Outro desafio foi a logística de transporte das peças da cobertura pelo píer, que chegavam ao canteiro com até 20 m de comprimento. Pode-se analisar seu nome, Museu do Amanhã, não somente pelas soluções de engenharia, de arquitetura e de museografia. O projeto carrega, ainda, a preocupação com o entorno: para manter uma baía mais limpa, conta com sistemas para redução de energia e de consumo d’água. Não por menos, hoje pleiteia a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) na categoria Ouro.

Maryana Giribola

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