Fachada inclinada e turbilhonamento dos ventos desafiam estrutura do conjunto EZ Towers

RESUMO DA OBRA
EZ Towers
Localização: São Paulo
Construção, incorporação e gerenciamento de obra: EZTec
Arquitetura: Carlos Ott/DWA
Arquitetura de interiores: Athié Wohnrath
Área construída: 164,4 mil m²
Configuração: três subsolos, térreo, cinco sobressolos, duas torres com 26 pavimentos de escritório e ático

Com 164 mil m² de área construída e 150 m de altura, as duas torres do empreendimento EZ Towers, em São Paulo, foram planejadas para que se extraísse o máximo de eficiência do projeto. Seu desenho arquitetônico diferenciado, concebido pelo uruguaio Carlos Ott e marcado por inclinações na fachada que se acentuam progressivamente dos pavimentos superiores até os inferiores, desafiou os projetistas a encontrarem as melhores soluções de estrutura.

As duas torres têm, cada uma, três subsolos, térreo, cinco sobressolos de garagem, 26 pavimentos e três áreas técnicas. No topo, um heliponto em cada edifício. A torre A foi entregue no final de 2014 e já está em operação; a torre B foi concluída no fim de 2015. O empreendimento tem 94 mil m² de área Boma – índice que considera a relação do número de unidades independentes de um edifício com a soma da área privativa, espessura das colunas e paredes, hall dos elevadores, projeção de escadas e áreas comuns cobertas.

A construção das torres teve início em 2012, com a execução de paredes-diafragma, escavação e concretagem das sapatas. Os subsolos das torres foram executados com lajes e vigas de concreto armado convencional. O solo formado por decomposição de rocha permitiu o trabalho com tensões bem altas. Foram projetadas fundações diretas, com 8 kgf/cm². “Foi preciso conjugar os pilares e projetar blocos volumosos” salienta o engenheiro Aluízio D’Ávila, responsável pela estrutura. São quatro blocos de 400 m³ e dois blocos de 500 m³. “Um dos desafios na execução das sapatas era o de não interromper a concretagem depois que o processo fosse iniciado”, aponta Marcelo Zarzur, diretor técnico da EZtec. Além disso, explica, a execução dos grandes blocos de concreto exigiu adição de gelo para a manutenção da temperatura.

Ainda em 2012 a superestrutura começou a subir. “As inclinações foram o maior desafio do projeto estrutural, pois elas provocam um deslocamento do centro de gravidade de cada torre, aumentando as cargas nos primeiros andares”, explica D’Ávila.

A inclinação frontal tem início no 24º pavimento e a inclinação lateral se estende a partir do 17º pavimento, ambas descendo até os primeiros andares. Os esforços decorrentes das curvaturas somam-se a esforços menores provocados pelo vento, calculados em estudo produzido pelo Laboratório de Aerodinâmica das Construções da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LAC/UFRGS).

Como as duas torres estão posicionadas uma ao lado da outra – com uma rotação de 90º da torre B em relação à torre A -, ventos que incidem sobre um dos edifícios têm efeito de turbilhonamento um sobre o outro, com intensificação nos andares superiores.

O projeto estrutural previu um núcleo rígido de concreto, aproveitando poço do elevador e escadas. Para dar conta de vãos de até 17 m nos pavimentos, foram projetadas vigas de concreto protendido com bainha cheia. “Sem protensão, seriam necessárias vigas muito altas”, ressalta D’Ávila. Não foram consideradas lajes protendidas, entretanto. “Em quatro pontos de cada pavimento, nas saídas do hall, previmos áreas para a eventual instalação de escadas de interligação de andares. Lajes protendidas não permitiriam tal elemento. Então, solucionamos a questão apenas com a protensão das vigas”, afirma Roberval Daiton Vieira Júnior, gerente de projetos corporativos da Eztec, que construiu e incorporou as EZ Towers. Pórticos nas periferias das torres complementam a estrutura, embora com contribuição menor, devido à rigidez do núcleo.

A inclinação da fachada amplia-se gradualmente, de cima para baixo, a cada pavimento. O movimento exigiu que a estrutura contasse com pilares curvos em alguns trechos. “Na maior parte, entretanto, empregamos sobreposição de pilares para dar conta da inclinação, o que é uma solução de execução mais fácil”, explica D’Ávila.

Embora o desenho arquitetônico apresentasse linhas curvas, o projeto previu que cada pavimento não perdesse um desenho retangular, de modo a propiciar ocupação mais eficiente. “Devido à curvatura, cada andar tem uma área. Mas as plantas permanecem retangulares, com uma variação apenas linear, o que permite ocupação uniforme e layout racional”, aponta Vieira Júnior. Cada pavimento tem 4,14 m de altura, com pé-direito livre de 2,8 m e piso elevado de 15 cm.

O sistema VRF de condicionamento de ar funciona à água, não precisando ser instalado em terraços. A torre de resfriamento, posicionada em área técnica no topo do prédio, liga-se às condensadoras, que conduzem pelas tubulações o ar para as 56 evaporadoras existentes em cada andar. Se uma face da torre está recebendo a luz do sol e está mais quente, o sistema resfria mais aquela região do que a face sombreada. São possíveis, portanto, 56 temperaturas diferentes em cada andar

Busca de eficiência
“Devido à altura dos prédios, seria inviável esperarmos a conclusão da estrutura para começar a executar a fachada. Os módulos começaram a ser instalados quando havíamos atingido o 15º pavimento”, recorda Zarzur.

Em sistema unitizado, os módulos da fachada foram montados pelo próprio fornecedor, chegando ao canteiro pronto para a instalação. “O dimensionamento da fachada levou em conta o estudo de vento”, explica Zarzur. A área da fachada totaliza 50 mil m², com caixilhos de alumínio e vidros. Com os fechamentos executados, o acabamento dos pavimentos poderia ser finalizado pelo lado de dentro.

As águas pluviais da cobertura dos edifícios são drenadas por meio do sistema antivórtice, que impede a entrada de ar na tubulação e gera pressão negativa, escoando a água com pressão extra por tubulações de diâmetro reduzido. O sistema possibilita a drenagem com menos tubos do que o usual

Há áreas técnicas nos quatro cantos de cada pavimento, com equipamentos capazes de realizar medição de água e energia, espaço para shaft privativo – caso haja interligação de andares -, equipamento de ar-condicionado e automação.

Além disso, os três andares superiores comportam elementos como as torres de resfriamento dos sistemas de ar-condicionado e as casas de máquinas dos elevadores, que dispõem de pontes rolantes fixas com capacidade para 10 t de carga. “Em reuniões com os fornecedores, procuramos entender as necessidades que eles nos apresentavam e racionalizar cada exigência”, completa Vieira Júnior.

A mesma lógica pautou o projeto do núcleo rígido. “Fizemos um core compacto, prevendo duas escadas em uma mesma projeção, correndo em sentido contrário, e encaixando da forma mais racional as áreas técnicas e sanitários. Tudo para reduzir vazios, que têm custo, mas não são computáveis”, avalia Vieira Júnior.

FICHA TÉCNICA
Projeto de acessibilidade para deficientes: Elisa Prado Consultoria e Projetos de Acessibilidade; projeto acústico: Acústica Engenharia; projeto de ar-condicionado: Thermoplan Engenharia Térmica; projeto de automação predial: Soeng/Jugend Controle Predial – Eireli; projeto de cabeamento: Soeng; projeto de comunicação visual: H2E; projeto de instalações elétricas: Soeng; elevadores: Atlas Schindler; projeto estrutural: Aluízio A. M. D’Ávila Engenharia de Projetos; fachada: Schüco; projeto de fachada: Crescêncio Petrucci; projeto de garagem: M2 Projetos; projeto de instalações de gás: Soeng; projeto de hidráulica: Soeng; projeto de incêndio: Passoni Serviços/Soeng; projeto de impermeabilização: Springer Peritos Engenheiros; projeto de luminotécnica: Godoy e Associados; projeto de paisagismo: Benedito Abbud; projeto de segurança: Marcy Auditoria e Consultoria em Segurança Empresarial Eireli – EPP; projeto de telecomunicações: Soeng; projeto de estrutura metálica: Pereira e Pillon; projeto de fundações: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações; projeto de alvenaria: Paula Vianna Consultoria em Projetos.

Os 43 elevadores do empreendimento dividem-se em quatro zonas (alta, média alta, média baixa e baixa), além de elevadores para garagens e cobertura. Os equipamentos que atendem às zonas mais altas atingem velocidade de 6 m/s e são capazes de gerar energia na frenagem, devolvendo-a à rede. O sistema é interativo e automatizado, contando com botoeiras de cristal líquido e facilidades como a chamada antecipada, que identifica o usuário na recepção e já chama o elevador para o térreo, levando-o para seu andar préprogramado.

Lobby com fechamento em vidro e cabos de aço

Em cada torre, o lobby no térreo tem pé-direito triplo, com fachada em vidro sustentada exclusivamente por cabos de aço tensionados. Esses cabos são fixados a um sistema de ancoragem instalado na estrutura e depois prétensionados para alinhamento das juntas entre as placas de vidro. Na etapa seguinte, os vidros são instalados e os cabos tensionados definitivamente, com uso de torquímetro ou chave de boca.

Plantas de fôrmas

Geração de energia

Uma usina será capaz de gerar energia para atender a 100% do empreendimento. A usina é composta por um gerador a diesel (de 1.500 kW), ligado em caso de emergência, e por dois geradores a gás natural (de 2.000 kW), que funcionarão como backup, mas também serão programados para trabalhar diariamente, no horário de pico, das 17h30 às 20h30, quando a tarifa de eletricidade é mais cara, gerando economia para o condomínio. O gás natural proveniente da rede urbana é recebido na Central de Regulagem e Medição e levado para os geradores. O sistema permite pleno funcionamento das torres, sem qualquer restrição, e pode ser usado, futuramente, em tempo integral. Além disso, há dois geradores menores, a diesel, que atendem rotas de fuga.

Por Eduardo Campos Lima

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