Conheça os vencedores do Prêmio PINI Obra de Destaque Editorial 2015

Em sua quarta edição, o Prêmio PINI Obra de Destaque Editorial reconhece as melhores obras publicadas nas revistas de Editora PINI entre janeiro de 2014 e junho de 2015. A escolha foi feita por meio de uma votação, realizada entre os assinantes das revistas Arquitetura e Urbanismo, Construção Mercado, Infraestrutura Urbana e Téchne.

As obras foram selecionadas em duas fases. Na primeira etapa, a Editora PINI formou uma comissão julgadora composta pelos engenheiros Bernardo Correa Neto e Anderson Correa Teixeira (Editora PINI), Cláudio Mitidieri e Ercio Thomaz (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e pelo arquiteto e professor Álvaro Puntoni (do escritório de projetos gruposp e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP).

O júri foi responsável pela pré-seleção de cinco obras de cada categoria: edifício comercial, edifício residencial, edifício especial e obra de infraestrutura. As obras foram avaliadas segundo os critérios de implantação (contribuição para o menor impacto no entorno), difusão técnica (importância da obra para projetos semelhantes), soluções do construtor (originalidade e criatividade para soluções dos desafios), relevância para a engenharia (contribuição para o meio técnico nacional) e sustentabilidade (soluções para redução do consumo de água e energia e ações de manutenção).

Na segunda fase, os assinantes participaram de uma votação online entre os dias 14 de outubro e 3 de novembro de 2015. Os 1.160 participantes puderam votar em mais de uma obra dentro de cada categoria. Conheça a seguir as obras vencedoras.

EDIFÍCIO RESIDENCIAL

Edifício Sol
A edificação localizada no município de Nova Lima (MG) chama a atenção por seu formato circular, o que gerou uma estratégia especial para a sua execução. Na realização da fachada curva, foram usados painéis pré-moldados de concreto nas dimensões 1,99 m x 0,88 m e 1,99 m x 1,61 m, com pesos de 440 kg e 795 kg, respectivamente. As peças menores são dispostas nas varandas das salas, sob guarda-corpos de vidro que favorecem a vista dos apartamentos. Os painéis maiores compõem o restante das varandas. As peças apresentam raio de curvatura de 14,3 m e ângulos de 8°.

A central de fabricação dessas peças foi instalada na própria obra, a fim de dinamizar e agilizar o processo construtivo. A velocidade de produção foi planejada de acordo com o cronograma de execução da estrutura. Para a produção, foram realizados testes com as condições de vento e ensaios de impacto de corpo mole e duro, estanqueidade e aderência do revestimento, em conformidade com as normas técnicas NBR 9.062:2006 Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado; NBR 6.118:2014 Projeto de Estruturas de Concreto e NBR 15.575: 2013 Edificações Habitacionais – Desempenho.

Para alcançar os pavimentos elevados, foram utilizados guindastes de içamento. Antes da elevação, porém, as placas recebem revestimento para evitar a construção de andaimes em momento posterior da obra. As peças foram posicionadas e fixadas com solda e chumbador do tipo parabolt. A média de produção mensal totalizou 500 m² de painéis.

FICHA TÉCNICA

Incorporação e construção: EPO Engenharia; projeto de arquitetura: Gustavo Penna/Araújo Lopes Arquitetos; projeto de fundações: Sérgio Velloso Projetos; projeto de estrutura de concreto: Raul Neuenschwander; projeto de ar-condicionado: Grupo Orlando; projetos de instalações elétricas, de instalações hidráulicas, de telefonia, de automação e de segurança: Projelet; projeto de fachadas: Teicon; projeto de esquadrias: BM Consultoria; terraplenagem: Bbenge; sondagem: Martins Sondagens; fundações: JP Fundações/LBras Fundações;estrutura de concreto: Formaferr/Rodrigues Armações; instalações hidráulicas: Gontina Instalações; instalações elétricas, telefonia, cabeamento estruturado, acabamentos internos e pintura: EPO Engenharia; fachada: Teicon; concreto: Supermix; aço: Gerdau; blocos de concreto: Bloco Sigma; blocos cerâmicos: Cerâmica Setelagoana; cimento: Companhia Nacional de Cimento; argamassa: Imar/Precon

EDIFÍCIO COMERCIAL

Passarela 5, no último pavimento, foi a de mais difícil execução

WTorre Morumbi
Localizado às margens do rio Pinheiros, na zona Sul da cidade de São Paulo, o empreendimento se destaca por duas altas torres e cinco passarelas que as conectam. Cada torre tem 141 m de altura e foi construída com sistema estrutural misto. O núcleo rígido de concreto armado, cujo fckatinge 80 MPa, proporciona estabilidade horizontal à estrutura e delimita as áreas de circulação vertical, ou seja, escadas e elevadores. Em torno desses núcleos, estão dispostos os demais elementos estruturais: lajes do tipo steel deck e pilares e vigas mistos, cujas seções são compostas por perfis metálicos recobertos por concreto.

As cinco passarelas projetadas em estrutura metálica vencem vãos da ordem de 35 m. A passarela no 1 liga os andares 3 e 4 da ala A aos seus correspondentes na ala B. Outras três passarelas cumprem a mesma função nos andares 10/11, 14/15 e 23/24. Com altura total de 8,5 m, os elementos estruturais das passarelas foram pré-montados e içados por guindastes. A passarela mais alta, apoiada no 30o pavimento, foi uma exceção, apresentando o dobro da altura das demais (17 m), a fim de suportar as cargas das empenas e o deslocamento relativo da estrutura.

Essas estruturas pesavam de 60 t a 150 t, o que exigiu a utilização de macacos hidráulicos para o transporte vertical. “Guindastes não seriam a solução mais adequada devido às restrições de espaço e à necessidade de patolar sobre a laje do térreo, que não havia sido dimensionada para tais magnitudes”, explica Demétrius De Feo, diretor de construção da WTorre.

A obra demandou soluções específicas também para o apoio das passarelas na estrutura. Foram projetados consoles de apoio de alta rigidez nas colunas periféricas dos edifícios e vigas de borda em concreto armado. Os pilares periféricos estão apoiados em sapatas isoladas. Já os núcleos centrais têm como base fundações diretas de grandes dimensões – cada uma com cerca de 875 m² de área e 4,2 m de altura.

FICHA TÉCNICA

Construção: WTorre Engenharia e Construção; incorporação: BW1 Empreendimento Imobiliário; projeto de arquitetura: Aflalo/ Gasperini Arquitetos; projeto de fundações: Damasco Penna; projeto de estrutura de concreto: Avila Engenharia de Estruturas; projeto de estrutura metálica: Medabil; projeto de instalações: Interativa; projeto de ar-condicionado e ventilação: Teknika; execução de terraplenagem: Rogui Engenharia; execução das fundações: GBN;execução da estrutura metálica: Medabil; execução da estrutura de concreto: GBN; execução de instalações: Qualieng; segurança: Controller; execução da fachada: Tecnofeal; fornecedor de concreto: Polimix; fornecedor de aço: Votoraço; fornecedor de cerâmica: Eliane Revestimentos;fornecedor de vidros: Glassec; fornecedor de ferragens: La fonte

EDIFÍCIO ESPECIAL

Montagem das grelhas com madeira laminada colada

Biblioteca Paulo Freire
Parte do Plano Diretor desenvolvido em 2008, a obra da Biblioteca Paulo Freire, no Parque Tecnológico Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), aproveitou antigos barracões usados como alojamentos de operários na construção da usina de Itaipu. A área das ruínas passou por processo de limpeza e estabilização, dando origem à entrada principal do edifício. Para garantir coesão estética com os galpões erguidos na década de 1970, a estrutura de sustentação da cobertura empregou madeira laminada colada (MLC) em forma de grelha, com vãos que chegam a 12 m.

A utilização do MLC em vez de madeira bruta se justifica por seu desempenho superior, segundo os construtores, com elevada resistência mecânica apesar do baixo peso próprio, pela estabilidade dimensional e pela possibilidade de produzir peças estruturais capazes de vencer grandes vãos com seções reduzidas.

A estrutura principal da biblioteca foi erguida com vigas e pilares de concreto pré-moldado. As lajes pré-fabricadas adotaram componentes de preenchimento interno de isopor, mais leves e que contribuem para a melhoria do conforto térmico da edificação. Para vencer os vãos maiores, que chegam a 12,3 m, foram usadas vigas com protensão e pré-moldadas no canteiro, facilitando o transporte e a montagem.

Do ponto de vista técnico, a maior dificuldade foi a instalação das vigas de madeira de grandes dimensões. “Nesse ponto, foi fundamental o apoio de um guindaste sobre pneus de 18 t e com lança de 12 m”, relata o engenheiro Renato Camargo, diretor da Tarobá Construções.

A obra levou em conta estratégias sustentáveis. Entre elas, a maximização do aproveitamento da luz natural por meio de aberturas zenitais e da colocação de um forro com acrílico leitoso em toda extensão do eixo da biblioteca. Também foram instalados brises de madeira nas janelas voltadas para norte, leste e oeste, com ripas posicionadas em ângulos diferentes, prevendo o melhor desempenho contra a insolação. Outra ação foi incorporar ao conjunto edificado espécies vegetais de grande porte naturais da região Sul.

FICHA TÉCNICA

Projeto arquitetônico, paisagístico e de interiores: 3C Arquitetura e Urbanismo; construção: Tarobá Construções; luminotécnica: Projet Serviços de Engenharia; projeto de estrutura de concreto, fundações e instalações: Projet Serviços de Engenharia; estrutura de madeira: engenheiro Everaldo Pletz; estrutura de concreto pré-moldado: Neubern Pré-Moldados; madeira (estrutura, piso laminado, brises, pergolado, deck e forro): Pisossul; estrutura da cobertura: Metalbox; platibanda em fibrocimento, calhas e descidas pluviais: Gasparin; piso granitina: CAM Pisos; esquadrias: Marcenaria Três Bandeiras; forro de gesso: Gesso Montreal; forro acrílico: Exportec; luminárias: Enerluz; ventilação e ar-condicionado: Silenciar Ar-condicionado;instalações elétricas: Eletrospar Eletricidade; instalações redes de lógica: Compustar; granito: Granifoz

OBRA DE INFRAESTRUTURA

Vigas de concreto com seção vazada e pilares especiais foram especialmente fabricados para atender à necessidade da tecnologia

Aeromóvel de Porto Alegre
Entregue em 2013, a linha de aeromóvel em Porto Alegre, a primeira em operação comercial do mundo e desenvolvida com tecnologia brasileira, é composta por um veículo leve sobre trilhos suspenso em via elevada de 4,5 m a 9 m de altura e movimentado por propulsão pneumática. O ar é soprado por ventiladores industriais de alto desempenho em um duto localizado dentro da via elevada. A linha faz a conexão entre a estação Aeroporto do metrô e o Terminal 1 de passageiros do Aeroporto Internacional Salgado Filho com velocidade de até 60 km/h.

O sistema de propulsão do aeromóvel (que também pode ser acionado com gás natural) apresenta baixo consumo de energia elétrica – de 32 Wh/passageiro- quilômetro ou aproximadamente 80 kWh/hora de operação/veículo. A tecnologia também garante impacto sonoro reduzido, já que dispensa o uso de motor incorporado. O ruído gerado pelo aeromóvel está abaixo dos níveis estabelecidos para sistemas de transporte urbano em países desenvolvidos. Por conta da leveza do veículo, as vias possuem dimensões reduzidas, minimizando a poluição visual causada pela estrutura de transporte. A altura livre mínima da estrutura varia de 4,5 m a 5,5 m. Ao longo de aproximadamente 1 km de percurso foram montados 47 pilares em espaçamentos que variam de 15 m a 25 m.

As vigas foram executadas com uma estrutura de chapas metálicas localizadas em um espaço interno da estrutura. Esse é o duto interno por onde passa o ar utilizado na propulsão do aeromóvel. “Trata- se de uma estrutura contínua fabricada a partir de uma fôrma metálica constituída por módulos em segmento de 1 m que, deslocados convenientemente, podem produzir uma peça de concreto com qualquer geometria desejada”, explica Diego Abs, diretor de engenharia da Aeromóvel Brasil. “Esse duto, porém, não pode ter variação superior a 1 mm, caso contrário pode ‘travar’ as placas de propulsão ou ocasionar grandes perdas de ar”, completa Felipe Leoni, gerente operacional da Construtora PreMold.

FICHA TÉCNICA

Pacote tecnológico (tecnologia, fiscalização das obras civil, fabricação dos veículos e integração dos sistemas de controle): Aeromóvel Brasil; veículos: TTrans Sistemas de Transportes;execução da via elevada: Construtora PreMold; projeto estrutural da via elevada: Carlos Leal Engenheiros Consultores; fundações da via elevada: Milititsky Consultoria Geotécnica;logística: Pacheco Logística (Grupo Darcy Pacheco); projeto de arquitetura das estações: OSPA Arquitetura e Urbanismo; estudo preliminar arquitetônico das estações: Ado Azevedo; projeto de estrutura de concreto das estações: ProCalculo Engenharia de Estruturas; projeto de estrutura metálica das estações: Dytz Almeida Engenharia; projeto elétrico das estações: MPE Engenharia; projeto de climatização das estações: engenheiro Carlos Campani; projeto hidrossanitário das estações: engenheiro Eduardo Pinheiro; PPCI das estações: Combat;execução das estações: Rumo Engenharia

Por Renato Faria e Maurício Besana