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Estudantes da Poli-USP propõem blocos com encaixe para moradias de refugiados em concurso internacional

Sistema dispensa a utilização de argamassa e mão de obra especializada, o que o tornaria mais barato e rápido que o convencional

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
8/Fevereiro/2017

Um grupo de alunos de engenharia civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) está concorrendo a uma premiação internacional com o projeto de um sistema construtivo de blocos encaixados que dispensa o uso de argamassas. O Hultz Prize é uma competição mundial de startups em que estudantes universitários podem apresentar soluções para grandes problemas sociais enfrentados pelo planeta.

Neste ano o tema da competição é a questão dos refugiados. Assim, os graduandos Fernando Rocha, Gabriela Menin e Vitor Ramirez em parceria com o professor Giorgio de Tomi, o pesquisador Ricardo Tichauer e o idealizador do projeto e diretor da i9 Tecnologia Alexandre Passos, propuseram moradias com a metodologia que proporciona uma construção mais rápida, barata e em larga escala.

O modelo de encaixe é desenvolvido a partir de pinos de plástico, capazes de travar um bloco no outro com segurança. Os furos presentes nos blocos também permitem a colocação de conduítes sem a necessidade de perfurar as paredes. "O sistema é diferente por ter que fazer a parte hidráulica e elétrica junto com a construção da vedação, mas é bom porque reduz muito o desperdício e o próprio uso de material, pois não tem a argamassa de assentamento", explica Gabriela Menin.

Em comparação aos blocos convencionais, os blocos encaixados possuem um material de maior qualidade e resistência, com maior tamanho e espessura. Isso para garantir um encaixe perfeito e seguro. Os furos no meio dos blocos devem ser preenchidos com ferro e graute, o que permite que o próprio bloco seja a viga de sustentação.

O estudante Fernando Rocha explica que a espessura necessária do reboco passou de 2 cm para 2 mm, o que também contribui para uma melhora na questão ecológica. "É como um lego. Encaixando os blocos é muito mais rápido do que passar argamassa. Acelera muito a construção e reduz o custo também", afirma.

A equipe, entretanto, necessita de doações para participar da próxima etapa do concurso, que acontece em Boston, nos Estados Unidos. Para isso, iniciou uma campanha de crowdfunding na plataforma Kickante para custear a viagem, com meta de R$ 15 mil até o dia 22 de fevereiro. Quem contribuir com mais de R$ 1 mil ganha uma dedicatória no dia da apresentação.

O grupo vencedor recebe US$ 1 milhão para implementar o seu projeto, e ajudar a restaurar a dignidade e os direitos dos refugiados.

Para mais informações da campanha e contribuições, clique aqui

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