Afundamento do solo provocou acidente na Arena Corinthians, diz laudo do Instituto de Criminalística | Téchne

Obras

Notícias

Afundamento do solo provocou acidente na Arena Corinthians, diz laudo do Instituto de Criminalística

Documento que será utilizado pela investigação do acidente descarta problemas mecânicos no guindaste e falha humana

Kelly Amorim, do Portal PINIweb
4/Junho/2014

Após quase seis meses de investigação, o laudo do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Científica de São Paulo, aponta o afundamento do solo como causa do acidente nas obras de construção da Arena Corinthians, em Itaquera, que matou dois operários em novembro do ano passado. De acordo com os peritos, o guindaste que caiu e atingiu os trabalhadores não tinha problemas mecânicos e não houve falha humana.

Agência Brasil

Por ser de extrema precisão, segundo a Liebherr, fabricante do guindaste, o veículo com torre de 114 metros de altura e capaz de suportar cargas de até 1.500 toneladas precisa operar em terrenos com inclinação máxima de 0,3 grau. Para o IC, a base de pedras e chapas de aço colocada acima do solo para que este suportasse o peso do guindaste cedeu em alguns pontos, provocando a inclinação e o tombamento da torre.

Vale lembrar que o acidente ocorreu na 38ª vez em que um módulo da estrutura da cobertura era içado pela cobertura. A peça tinha cerca de 420 toneladas.

O laudo será usado para que o delegado responsável pela investigação do acidente, Luiz Antônio da Cruz, do 65º DP, de Arthur Alvim, decida se houve ou não responsáveis pelo acidente no estádio. A Odebretch, construtora responsável pelas obras, ainda não se pronunciou sobre o laudo.

Laudo da construtora

Em abril, a Odebrecht Infraestrutura, por sua vez, divulgou um estudo da consultoria GeoCompany que concluiu que o solo não contribuiu para a queda do guindaste sobre o prédio Leste do estádio, em novembro do ano passado. De acordo com o relatório, o solo estava estável e corretamente dimensionado no momento em que era realizada a operação.

Outras conclusões do relatório foram: a superfície do terreno estava em acordo com as definições do fabricante do equipamento; o aterro é homogêneo, rígido, estável, resistente e de baixa permeabilidade; a compactação do terreno tem grau sempre superior a 95%, medida adequada; a tensão de ruptura do solo é pelo menos 130% maior que a tensão máxima devido à carga do guindaste; e a pista é estável e estava corretamente dimensionada para a operação de transporte da peça.

A GeoCompany ainda simulou o comportamento do solo tanto na condição seca quanto úmida e os resultados indicaram grande impermeabilidade do solo. "Assim, a água das chuvas que ocorreram na semana anterior ao acidente não penetrou no terreno - foi drenada pelas laterais da área, não tendo afetado a estabilidade do solo", disse o comunicado da Odebrecht.

Laudo da fabricante do guindaste

Anteriormente, o jornal Folha de S. Paulo teve acesso a um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que concluiu que o acidente foi causado pelo afundamento do solo do local. O levantamento foi encomendado pela Liebherr, fabricante do guindaste que desabou.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, as análises, feitas em seis pontos onde as esteiras do guindaste estavam apoiadas, mostram que o solo era muito mais mole do que deveria ser para aguentar tamanho peso. Pelo estudo, enquanto a medida ideal de firmeza do terreno é de pelo menos 80%, as análises detectaram um índice "muito baixo", de apenas 13%. Quanto à compactação do terreno, as medições deram um número médio de 6,3, enquanto o ideal seria um valor igual a 10.

Ainda de acordo com o laudo que o jornal teve acesso, tudo indica que a parte de trás do guindaste afundou primeiro. Só então, o equipamento "empinou" e, as hastes metálicas se quebraram depois, na base. O estudo também mostra que a proteção do solo, feita como brita, não era adequada para a máquina.