Engenheiro sanitarista | Téchne

Carreira

Engenheiro sanitarista

Edição 85 - Abril/2004
Apesar do enorme déficit na infra-estrutura de água e esgoto, o mercado de trabalho
para esse profissional é pequeno no Brasil


PERFIL



Rodrigo Augusti

Idade: 25 anos
Cargo: engenheiro civil na BBL
Formação acadêmica: engenharia civil na USF (Universidade São Francisco)
Como começou na área: "consegui meu primeiro estágio na área e, ao me aprofundar no assunto, percebi a importância do saneamento básico no contexto social do País. É muito satisfatório você atuar numa área onde
o resultado final melhora a condição de vida de uma comunidade"
Empresas em que trabalhou: SAAE (Saneamento Ambiental de Atibaia) e BBL (Bureau Brasileiro Ltda.)
Cursos na área: "Projeto de Coletores de Esgoto, Detecção de Vazamentos, Pitometria Avançada, entre outros. Atualmente, faço Especialização em Engenharia de Saneamento Básico na USP"
Tempo na área: cinco anos e meio
Carga diária de trabalho: em geral, nove horas, mas varia em função do tipo de serviço
Descrição básica do trabalho: "atuação em projetos, obras, gerenciamento e consultoria em sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e rural, coleta e tratamento de resíduos sólidos, controle de qualidade ambiental, entre muitas outras atribuições. E, para cada um desses aspectos, há uma infinidade de outros serviços"
Apesar de estar estabelecida, a engenharia sanitária ainda passa por problemas naturais de consolidação. Ainda não há muitos cursos de graduação específicos para a área e o mercado de trabalho não é grande como poderia.

De qualquer maneira, há um crescimento na quantidade e diversidade de cursos e eventos na área e o próprio profissional tem um leque de funções mais amplo em conseqüência direta do aumento da preocupação com o meio ambiente.

Assim, às atribuições tradicionais - captação, tratamento e distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto, coleta, tratamento e disposição de resíduos - foram acrescidas outras, como reciclagem e reutilização. Sem contar que as próprias funções mais comuns ganharam em complexidade, pois, para cada área, há divisões como equipamentos e materiais, solo e água, projeto, pesquisa e operação do sistema.

E a tendência é que esse movimento ainda se acelere mais. "A reciclagem no Brasil ainda necessita de pesquisas e difusão de conhecimentos", afirma Hissashi Kamiyama, engenheiro sanitarista da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). "O desenvolvimento de novos produtos e usos a partir de materiais reciclados é um campo que tem muito a crescer."

Pela necessidade de conciliar conhecimentos em diversas áreas e o número relativamente baixo de faculdades com cursos de graduação em engenharia sanitária, é inevitável que parte dos técnicos seja de profissionais com diferentes formações - sobretudo engenharia civil - que se especializaram na área.

A premissa básica das engenharias (como de outras áreas do conhecimento em geral) de que a prática é fundamental na formação é válida. Mas também é importante acompanhar os diversos cursos - muitos promovidos por entidades ou empresas de saneamento - e congressos (veja boxe com os principais).

Sanitária ou ambiental?
Uma questão comum nessa área é o cruzamento das engenharias sanitária e ambiental. A primeira é voltada à busca de soluções para problemas ambientais e sanitários de forma que melhore a qualidade de vida das pessoas. A última volta-se para a caracterização, estudo e solução de impactos ambientais. "Embora não sejam a mesma coisa, as duas especialidades andam em paralelo, pois possuem muitos objetivos afins", afirma Rodrigo Augusti, engenheiro civil com curso de especialização em engenharia sanitária em andamento.


Cursos, feiras e eventos

I Congresso Interamericano de Saúde Ambiental. Porto Alegre, de 27 a 29 de abril de 2004. Mais informações: (51) 3331-9482

Resid'2004 - Seminário sobre Resíduos Sólidos. São Paulo, 29 e 30 de abril de 2004. Mais informações: (11) 3104-6412

Aquasur - Encontro Latino-Americano sobre a Qualidade da Água. Buenos Aires, Argentina, de 9 a 11 de maio de 2004. Mais informações: (11) 3258-0497 ou www.ciorosur.org

IV Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental. Porto Alegre, de 24 a 26 de maio de 2004. Mais informações: www.abes-rs.org.br

Fitma Aquatech Brasil 2004 - Feira Internacional de Tecnologias para o Meio Ambiente. São Paulo, de 1o a 6 de junho de 2004. Mais informações: www.fagga.com.br/feiras

VII Sibesa - Simpósio Ítalo-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Taormina, Itália, de 23 a 26 de junho de 2004. Mais informações: www.abes-dn.org.br

XXIX Congresso Interamericano da Aidis. San Juan, Porto Rico, de 22 a 27 de agosto de 2004. Mais informações: www.aidis2004.org

Fenasan - Feira Nacional de Materiais e Equipamentos para Saneamento
e Encontro Técnico da Aesabesp (Associação dos Engenheiros da Sabesp). São Paulo, 30 e 31 de agosto. Mais informações: (11) 3611-6677

XXI Congresso Latino-americano de Hidráulica. Campinas (SP), de 18 a 22 de outubro de 2004. Mais informações: (19) 3788-2356

2o Simpósio Internacional de Gerenciamento de Resíduos nas Universidades. Santa Maria (RS), de 3 a 5 de novembro de 2004. Mais informações: (55) 220-8774 ou www.ufsm.br/irsmu

Proma - Feira Internacional do Meio Ambiente. Bilbao, Espanha, de 9 a 12 de novembro de 2004. Mais informações: www.feriadebilbao.com/proma

Instituições com cursos de pós-graduação ou especialização em engenharia sanitária
A lista de universidades e faculdades de engenharia com cursos de especialização em sanitária em andamento ou em projeto é extensa. Procure se informar nas próprias universidades ou na seção da Abes de sua região.

Associações e entidades da área
Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental): www.abes-dn.org.br
Aesbe (Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais): www.aesbe.org.br
Aidis (Asociación Interamericana de Ingeniería Sanitaria y Ambiental): www.aidis.org.br (página em espanhol)

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