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Obras

Veja como foi feita a demolição da estrutura abandonada há 20 anos e comprometida pela ação da maresia na cidade de Fortaleza

Com risco de ruir, edificação conhecida como Favela Vertical tinha 12 pavimentos e foi desmontada manualmente com o auxílio de escoramentos

Bruno Loturco
Edição 244 - Julho/2017
O estado da estrutura era bastante ruim, com risco real de colapso. Problemas com a qualidade do projeto original associados à ação da maresia e a intervenções arbitrárias ao longo de 20 anos deixaram as armaduras quase completamente expostas

Abandonada definitivamente há 20 anos, a estrutura de concreto conhecida como Favela Vertical, na esquina das ruas Desembargador Lauro Nogueira e Batista de Oliveira, no bairro Papicu, em Fortaleza, foi demolida. Com 12 pavimentos, o esqueleto estrutural do que foi concebido para ser um prédio residencial apresentava risco iminente de desabamento. 'O problema é que a estrutura estava muito, mais muito deteriorada. Alguns pilares estavam até cortados ao meio e havia escadas que não podiam ser utilizadas', lembra o engenheiro estruturalista responsável pela demolição, Marcelo Silveira, da MD Engenheiros Associados.

O estado da estrutura era bastante ruim, com risco real de colapso. Problemas com a qualidade do projeto original associados à ação da maresia e a intervenções arbitrárias ao longo de 20 anos deixaram as armaduras quase completamente expostas

Após a falência da construtora responsável pela construção, com consequente paralisação das obras e desmobilização do canteiro, em meados dos anos 1980, o local foi ocupado por cerca de 150 famílias. Somente em 1997 a prefeitura de Fortaleza retirou as famílias do terreno e demoliu as paredes que haviam sido construídas pelos moradores.

Desde então, numa região que não apresentava atratividade para o mercado imobiliário, o terreno com cerca de 2.500 m² foi cercado e a obra ficou à mercê das intempéries. E assim permaneceu por 20 anos, tempo suficiente para que a atmosfera de uma cidade litorânea comprometesse severa e definitivamente uma estrutura de concreto armado que, por si só, já apresentava problemas de concepção e desrespeito às normas, conforme afirma o engenheiro Marcelo Silveira. 'Os comprimentos de armadura eram insuficientes e o concreto era muito poroso. Como a região sofre muita ação da maresia da Praia do Futuro, o estado da estrutura era assustador', revela ele. 'Não sei como um prédio naquela situação não tinha desmoronado ainda!'.

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