Professor doutor da UFSCar, José da Costa Marques Neto aponta os benefícios da gestão de resíduos na construção | Téchne

Entrevista

Professor doutor da UFSCar, José da Costa Marques Neto aponta os benefícios da gestão de resíduos na construção

Tratamento adequado diminui demanda por recursos naturais, alivia uso de aterros sanitários, proporciona a redução de custos e a otimização de processos de canteiro

Bruno Loturco
Edição 243 - Junho/2017

JOSÉ DA COSTA MARQUES NETO

Divulgação

O professor doutor José da Costa Marques Neto possui graduação em engenharia civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestrado em engenharia civil pela Eesc-USP, especialização em educação ambiental pela Eesc-USP e doutorado em ciências da engenharia ambiental pela Eesc-USP. Tem experiência na área de construção civil, tendo atuado em empresas construtoras como Gafisa, SCM, Engevil e Tecnisa nas cidades de São Paulo e São Carlos. Atualmente, é professor adjunto do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos e, como professor pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Estruturas e Construção Civil (PPGECiv), atua principalmente nas seguintes linhas de pesquisa: viabilidade de empreendimentos; gestão do processo de projeto; gestão da produção na construção civil: tecnologia, economia e sustentabilidade; planejamento e controle das construções; gestão de materiais na construção civil; gestão de resíduos da construção civil; gestão de pessoas na construção civil; gestão da qualidade e ambiental na construção civil. Além disso, é diretor-geral do Escritório de Desenvolvimento Físico da UFSCar.

Diariamente, as obras brasileiras somadas produzem cerca de 240 mil toneladas de RCD (resíduos de construção e demolição). Em muitos casos, esse material é depositado sem nenhum controle, causando assoreamentos, erosões e toda uma série de problemas ambientais e sociais. Em outros casos, os RCDs são levados para aterros sanitários. Embora essa solução pareça adequada, o enorme volume compromete a vida útil dos aterros. Sem contar que grande parte dos RCDs poderia ser reaproveitada, reduzindo a necessidade de espaços para seu descarte, mas, principalmente, aliviando a pressão sobre a retirada de recursos naturais. Conforme explica José da Costa Marques Neto nesta entrevista, aterro sanitário não é o local adequado para RCD. Pesquisador de gestão de resíduos da construção, ele conta que o material descartado em uma obra é muito heterogêneo e que, portanto, exige uma abordagem multidisciplinar para seu entendimento e tratamento adequados. Entretanto, o que se observa ainda é a negligência por parte de governos e das empresas com relação ao que fazer com esses materiais. A proposta dele é a criação de um parque ambiental dedicado ao tratamento, sempre visando ao reúso, de todos os resíduos que não deveriam ir para um aterro. Com pesquisas cada vez mais consistentes sobre formas de aplicar materiais gerados a partir dos resíduos novamente na construção, ele afirma que ainda faltam normas para nortear o uso dos RCDs, incluisive para fins estruturais. Ainda assim, o não estrutural já é viável e também estratégico. Confira a entrevista.

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