Fronteiras da engenharia | Téchne

Editorial

Fronteiras da engenharia

Por Paulo Kiss
Edição 238 - Janeiro/2017
Luis Gomes

Graças a esforços políticos bem-sucedidos - e também interesses menos nobres -, o Brasil conquistou fronteiras internacionais no setor de infraestrutura. O acervo técnico brasileiro de engenharia civil vai da China à África, dos Estados Unidos a praticamente todos os países latino-americanos.

O "passaporte" brasileiro está carimbadíssimo de obras mundo afora. Muitas delas foram construídas com projetos desenvolvidos aqui por grandes escritórios e profissionais renomados em suas áreas - arquitetura, estruturas, fundação, hidráulica, túneis etc. Mas, enquanto o mundo acelera formas colaborativas de trabalho, extraindo a principal expertise de cada um, o Brasil reluta em discutir a internacionalização dos projetos. Os entraves vão desde a necessidade do chamado "conteúdo local", concessão de visto a estrangeiros, regulações próprias de carreiras até barreiras ainda mais intransponíveis, como marcos regulatórios e a Lei de Licitações.

A abertura do setor de projetos é só mais uma face da profunda mudança do setor da construção, não mais pautado apenas por fatores econômicos, mas também por aspectos tecnológicos, ambientais e sociológicos. "A inovação mudou o setor de projetos, criando maior interdependência, necessidade de informações atualizadas e prazos na velocidade da tecnologia da comunicação", lembra o entrevistado desta edição, o britânico Roger Flanagan, da Universidade de Reading. Assim como em outros setores, a internacionalização na área de projetos tem o poder de atrair novas competências, profissionais capazes de moldar o futuro e, principalmente, preparar terreno para a competição lá fora, que hoje está toda baseada no poder e na influência de três ou quatro grandes empresas. O governo tem um papel importante, mas essa é antes de tudo uma discussão nos corações e nas mentes dos profissionais e representantes desse setor.