Qual é a melhor ancoragem de alvenaria? | Téchne

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Qual é a melhor ancoragem de alvenaria?

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Edição 234 - Setembro/2016

Ancoragem de alvenaria

Na obra onde trabalho costuma-se utilizar AC-I (passada com desempenadeira denteada) juntamente com ferros-cabelo para ancorar os tijolos na face dos pilares, mas não é feita nenhuma preparação prévia na superfície do pilar. Não acredito que a AC-I seja indicada para este fim, principalmente para aplicar na superfície de um pilar onde foi utilizado madeirit plastificado (e com aplicação de desmoldante) como fôrma. Qual seria a melhor forma para realizar esta ancoragem? O uso da AC-I pode, além de não ajudar, provocar patologias na parede?
Scheila I.
Joinville (SC)

Para que ocorra adequada ligação entre alvenaria e pilar, antes de mais nada é necessária a eficiente limpeza do concreto do pilar, ou seja, completa remoção do desmoldante. Se isso não ocorrer, nenhuma argamassa colante ou chapisco industrializado desenvolverá aderência efetiva com o concreto. Estando a superfície bem limpa, o emprego de argamassa colante AC-I parece-nos adequado, recomendando-se o emprego de desempenadeira com dentes de 8 mm x 8 mm, cordões sempre na horizontal. A desempenadeira deve ser aplicada formando ângulo igual ou maior que 60o com a superfície do pilar; inclinações menores resultarão em cordões com pequena altura, reduzindo a superfície de contato entre a ponte de aderência e a argamassa de assentamento. A maior eficiência da argamassa colante, ou do chapisco industrializado, ocorrerá se sua aplicação acontecer três ou quatro horas antes do assentamento da alvenaria, quando boa parte dos aditivos incorporados à argamassa colante ainda estarão ativos, atuando, portanto, tanto na ligação com o concreto do pilar quanto na ligação com a argamassa. Decorrido este prazo, e principalmente se tiver sido adicionada grande quantidade de adesivo à argamassa colante (tipos AC-II ou AC-III, por exemplo), ocorrerá a polimerização superficial do aditivo (formação de "peeling"), o que poderá constituir fator contraproducente, isto é, poderá sim prejudicar a aderência. Além das disposições acima, a efetividade da ligação alvenaria/pilar dependerá da correta solidarização dos ferros-cabelo aos pilares, do seu correto chumbamento nos componentes de alvenaria, no total encabeçamento dos blocos ou tijolos e na efetiva compactação da argamassa de assentamento contra a superfície do pilar, cortando-se com a colher de pedreiro o excesso de argamassa refluída para as laterais da parede.

Rejuntamento

Qual é o tempo mínimo permitido entre a aplicação e o rejuntamento de placas cerâmicas, visto que o aglomerante usado na argamassa é hidráulico (cimento), e qual é o tempo máximo entre aplicação e rejuntamento em ambientes litorâneos? E se esse tempo for ultrapassado, que cuidados ou providências são necessários?
Márcio Z.M.
Rio de Janeiro (RJ)

Em condições normais de pega e endurecimento do cimento presente nas argamassas colantes, após o assentamento das placas cerâmicas recomenda-se aguardar dois ou três dias para a aplicação do material de rejuntamento. Sob condições severas de clima (temperaturas muito baixas), às vezes é necessário aguardar quatro ou cinco dias. Em obras localizadas no litoral, sujeitas à constante presença da brisa marinha que traz consigo considerável quantidade de sal dissolvido, é recomendável que o rejuntamento não ultrapasse sete ou oito dias após o assentamento das placas cerâmicas. Neste caso, a solução salina acaba sendo parcialmente absorvida pelo material de assentamento e pelo próprio corpo cerâmico das placas; sob insolação, a água evapora e o sal se cristaliza, podendo em consequência formar eflorescências (manchas esbranquiçadas), prejudicar a aderência do material de rejunte e ocasionar outras falhas caso a quantidade de sal seja muito grande. Em qualquer caso, transcorrido muito tempo entre o assentamento e o rejuntamento das placas cerâmicas, deve-se proceder à analise geral da aderência (exame por percussão de todas as placas assentadas), vigorosa limpeza das juntas de assentamento e de dilatação mediante hidrojateamento e substituição das eventuais placas destacadas ou com aderência pobre. Se houver no ambiente a presença de componentes gordurosos, a limpeza deverá ser procedida com detergentes neutros e, de preferência, água morna. Se houver formação de fungos ou algas, a limpeza deverá ser executada com hipoclorito de sódio (água de lavadeira) ou algicidas e fungicidas apropriados.

Engº Ercio Thomaz - Centro Tecnológico do Ambiente Construído