Qual é a caracterização, propriedades e aplicações do concreto autocicatrizante? | Téchne

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Qual é a caracterização, propriedades e aplicações do concreto autocicatrizante?

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Edição 233 - Agosto/2016

Concreto autocicatrizante

Os concretos autocicatrizantes (CAC) vêm, gradativamente, ganhando espaço em obras no Brasil. A mais recente aplicação do material foi nas lajes de fundo das estações Praça Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alá e Antero de Quental, da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro. Qual é a caracterização desse material, propriedades e aplicações? E por que só agora o Brasil vem utilizando essa solução?

Os estudos iniciais sobre autocicatrização e ocratização do concreto datam da primeira metade do século passado, e partiram corretamente do princípio de que se poderia transformar a portlandita - (Ca(OH)2, composto parcialmente solúvel), presente nas interfaces do concreto seccionadas pela fissura, em compostos insolúveis e com boa resistência mecânica. Nesse sentido, o "protocolo" mais comum para o tratamento consistia na insuflação sob pressão do gás tetrafluorsilicato na fissura, buscando- -se o resultado da reação:

2 Ca(OH)2, + SiF4 → 2CaF2 + Si (OH)4

Mais modernamente, inclusive se valendo da nanotecnologia, estuda-se a introdução de microcápsulas na formulação do concreto, que ao se romperem, em decorrência da manifestação da fissura, poderiam liberar compostos que, combinando-se ou não com a portlandita, obturariam a fissura, dificultando ou mesmo impedindo o acesso de elementos agressivos ao concreto e às armaduras.

A despeito do grande número de pesquisas que vêm sendo realizadas em diferentes países, entendemos que a autocicatrização não representa tecnologia consolidada, sendo ainda fruto de aplicações experimentais. Do ponto de vista dos resultados, técnicos e financeiros, acreditamos que ainda valha mais a pena evitar a formação de fissuras, por meio da eficiência no projeto estrutural, na escolha dos materiais, na formulação/dosagem do concreto, na correção dos processos de lançamento, adensamento e cura. Vale também ressaltar que os processos mencionados visam primordialmente preservar a durabilidade do concreto armado, não se podendo considerar que o monolitismo estrutural da peça seja recuperado (longe de se imaginar semelhança com a união por solda de armaduras).

Lajes de cobertura

O conforto térmico tem sido um requisito importante das edificações a partir da NBR 15.575. Que soluções podem ser empregadas em lajes de cobertura (sem telhado) e que resultados podem ser esperados de cada uma delas em termos de redução da temperatura interna dos ambientes?

Nos países de clima predominantemente tropical, como o Brasil, a questão do conforto térmico é mais importante no verão do que no inverno, o que pressupõe impedir ao máximo a entrada de calor nos ambientes, permitindo simultaneamente sua maior ventilação. A radiação solar incidente nas superfícies subdivide-se em três: parte é refletida, parte é absorvida e parte é transmitida.

Atuando na parte da reflexão, quanto mais clara for a superfície da laje impermeabilizada/revestida, menor será a quantidade de energia absorvida ou transmitida. Quanto à absorção, que inclusive depende da natureza física do material, tem-se como regra geral que, quanto maior a inércia térmica/maior massa por unidade de área, menor a quantidade de calor transmitida.

Os ganhos de calor do ambiente dependem ainda das propriedades físicas do material que compõem a laje, mais notadamente a condutibilidade térmica. No caso das lajes em concreto armado, as maciças transmitem maior quantidade de calor em relação àquelas constituídas por elementos vazados de cerâmica, lajes nervuradas com blocos de concreto celular e outros, onde as camadas de ar ou os poros presentes nesses elementos repercutem em maior isolação (o ar é excelente isolante térmico).

Sem se aventurar na quantificação dos ganhos, pode-se qualitativamente afirmar que o desempenho térmico das lajes de cobertura, sem a presença de telhados, pode ser melhorada pelo emprego de revestimentos com cores claras, aplicação de pinturas reflexivas, incorporação de isolantes térmicos e/ ou emprego de concretos leves (formulados com argila expandida, vermiculita expandida etc.), contando-se sempre com razoável inércia térmica, isto é, atuando a laje como um retardador do calor transmitido ou irradiado para o interior da edificação (nas horas de maior insolação a laje absorve e acumula calor, no período da noite/madrugada irradia este calor tanto para dentro como para fora da construção).

Engenheiro Ercio Thomaz
Centro Tecnológico do Ambiente Construído (Cetac)