O que a norma de projeto de estruturas de concreto diz sobre espaçamento de estribos nos pilares? | Téchne

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O que a norma de projeto de estruturas de concreto diz sobre espaçamento de estribos nos pilares?

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Edição 230 - Maio/2016

Estribos

O que a norma de projeto de estruturas de concreto diz sobre espaçamento de estribos nos pilares? Há um valor mínimo ou máximo? É necessário ter estribos na região em que o pilar cruza a viga e a laje ou eles são dispensáveis?

Marcelo Scandaroli

A norma NBR 6118:2014 Projeto de Estruturas de Concreto - Procedimento trata do tema no seu item 18.4, que estabelece que "as exigências do mencionado item referem-se a pilares cuja maior dimensão da seção transversal não exceda cinco vezes a menor dimensão, e não são válidas para as regiões especiais (conforme seção 21). Quando a primeira condição não for satisfeita, o pilar deve ser tratado como pilar parede, aplicando-se o disposto em 18.5". A título de informação, a norma considera como "regiões especiais" aquelas em que não seja aplicável a hipótese das seções planas e distribuição linear de deformações específicas, citando como exemplos peças com descontinuidades ou mudanças bruscas de seção, nós de pórticos, regiões de lajes com aberturas, etc.

Na subseção 18.4.3 a norma estabelece que:
a) A armadura transversal de pilares, constituída por estribos e, quando for o caso, por grampos suplementares, deve ser colocada em toda a altura do pilar, sendo obrigatória sua colocação na região de cruzamento com vigas e lajes.
b) O diâmetro dos estribos em pilares não deve ser inferior a 5 mm nem a 1/4 do diâmetro da barra isolada ou do diâmetro equivalente do feixe que constitui a armadura longitudinal.
c) O espaçamento longitudinal entre estribos, medido na direção do eixo do pilar, para garantir o posicionamento, impedir a flambagem das barras longitudinais e garantir a costura das emendas de barras longitudinais nos pilares usuais, deve ser igual ou inferior ao menor dos seguintes valores:

- 200 mm
- Menor dimensão da seção
- 24Φ para CA-25, 12Φ para CA-50.

Pode ser adotado o valor Φt < Φ/4 desde que as armaduras sejam constituídas do mesmo tipo de aço e o espaçamento respeite também a limitação:

Smáx = 90.000 (Φt²/Φ).1/fyk

Sendo:
Smáx = Espaçamento máximo entre estribos
Φt = Diâmetro do estribo
Φ = Diâmetro da armadura longitudinal
fyk = Resistência característica ao escoamento do aço (em MPa)

Quando houver necessidade de armaduras transversais para cortantes e torção, esses valores devem ser comparados com os mínimos especificados no item 18.3 para vigas, adotando-se o menor dos limites especificados.

Com vistas a garantir a ductilidade dos pilares, a NBR 6.118 recomenda ainda que os espaçamentos máximos entre os estribos sejam reduzidos em 50% para concretos de classe C55 a C90, com inclinação dos ganchos de pelo menos 135°.

No caso de pilares parede (maior dimensão da seção transversal excede em cinco vezes a menor dimensão), além das exigências anteriores, deve também ser atendido o que estabelece a seção 15 da norma, relativamente a esforços solicitantes na direção transversal decorrentes de efeitos de 1ª e 2ª ordens, em especial dos efeitos de 2ª ordem localizados.

A norma ainda complementa que "a armadura transversal de pilares parede deve respeitar à armadura mínima de flexão de placas, se essa flexão e a armadura correspondente forem calculadas. Caso contrário, a armadura transversal por metro de face deve respeitar o mínimo de 25% da armadura longitudinal por metro da maior face da lâmina considerada".
Engº Ercio Thomaz
Centro Tecnológico do Ambiente Construído (Cetac)