Carlos Amado Britez aponta os principais cuidados e os erros mais comuns no uso de concreto autoadensável | Téchne

Entrevista

Carlos Amado Britez aponta os principais cuidados e os erros mais comuns no uso de concreto autoadensável

Acompanhar a produção na concreteira e avaliar constantemente a condição dos agregados são aspectos-chave

Por Renato Faria (colaborou Flávia Souza)
Edição 230 - Maio/2016
Renato Faria

CARLOS AMADO BRITEZ

Doutor pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e professor-assistente do Programa de Educação Continuada da mesma instituição na disciplina Patologia, recuperação e reparo de estruturas de concreto. É diretor da PhD Engenharia, em sociedade com o engenheiro e professor Paulo Helene. Tem experiência em engenharia civil com ênfase em materiais e componentes de construção, atuando principalmente nas áreas de tecnologia dos materiais e sistemas e de inspeções e diagnósticos de manifestações patológicas em estruturas de concreto armado. Recebeu dois prêmios do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon): Melhor Tese de Doutorado, em 2012, e Destaque em Engenharia no Campo do Projeto e Construção de Concreto de Alto Desempenho, em 2015.

As principais vantagens do concreto autoadensável já são bem conhecidas no mercado - entre elas, estão a elevada fluidez e a maior capacidade de preencher espaços nas fôrmas resistindo à segregação. O engenheiro Carlos Amado Britez, diretor da PhD Engenharia e doutor pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), aponta o uso desse material como o mais adequado para obras de edifícios habitacionais com paredes de concreto. Embora seja mais caro do que o concreto convencional, diz o engenheiro, essa tecnologia se mostra vantajosa quando levamos em conta outros aspectos, como o uso menos intensivo de mão de obra e o fato de dispensar o uso de vibrador mecânico. Para se obter o melhor desempenho possível do concreto autoadensável, contudo, é necessário tomar uma série de cuidados - Britez recomenda, inclusive, a criação de um checklist para não perder de vista os itens mais importantes. Entre as principais recomendações estão a dosagem do aditivo superplastificante na usina (cenário ideal), evitar a mudança de materiais, ter cuidado com os aspectos que alteram as condições dos agregados e usar um desmoldante adequado. 'Ao fazermos um estudo de dosagem em laboratório, a importação dele para a linha de produção tem de ser muito fidedigna e confiável. Se houver qualquer mudança nos insumos ou nos aditivos - algo muitas vezes comum dentro do universo do concreto convencional -, isso vai impactar significativamente no concreto autoadensável', alerta. O engenheiro concedeu esta entrevista à Téchne durante o Congresso Brasileiro de Patologia das Construções 2016, realizado no último mês de abril em Belém.

Quais os tipos de concreto mais comumente utilizados em obras de edifícios habitacionais com paredes de concreto?
Os mais usados são o concreto autoadensável e o concreto convencional, mas com uma fluidez mais elevada. Entretanto, o ideal, em termos técnicos - de velocidade de execução e minimização de erros -, é o autoadensável. Existe uma certa resistência ao uso desse tipo de concreto principalmente quando o comprador considera apenas o custo direto do material. Em geral, o concreto autoadensável pode ser até 20% mais caro do que o convencional, mas é preciso considerar também os outros atrativos, como a necessidade de um número menor de pessoas para executar o mesmo metro quadrado. Existe, também, a vantagem de não usar vibrador, além da questão da vida útil das fôrmas: ao usarmos um vibrador mecânico, danificamos a fôrma, e sua vida útil acaba sendo bem menor. No caso do concreto convencional mais fluido, muitas vezes se faz um uso equivocado dele, com aplicação sem uso de vibrador. O resultado é que ele não consegue preencher todos os espaços das fôrmas, não possui a mesma habilidade passante e coesão de uma autoadensável e resulta em falhas graves de concretagem (ninhos, bicheiras etc.).

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