Quais os critérios a serem considerados para o desbotamento da cor de fachada texturizada, baseada em quais normas e sob quais condições? | Téchne

IPT Responde

Quais os critérios a serem considerados para o desbotamento da cor de fachada texturizada, baseada em quais normas e sob quais condições?

Envie sua pergunta para o email techne@pini.com.br

Edição 228 - Março/2016
 

Cor de fachada

Quais os critérios a serem considerados para o desbotamento da cor de fachada texturizada, baseados em quais normas e sob quais condições?

Marcelo Scandaroli

Esse é um tema recorrente e de difícil solução. Há uma norma nacional NBR 15.380:2015 Tintas para Construção Civil - Método para Avaliação de Desempenho de Tintas para Edificações Não Industriais - Resistência à Radiação UV e à Condensação de Água pelo Ensaio Acelerado, que serve para medir as coordenadas de cor e para determinar o ΔE (diferença de cor), porém não há critérios para aceitação e/ou rejeição do material ensaiado. Normalmente os fabricantes de tintas e texturas acrílicas solicitam a exposição de seus produtos ao intemperismo artificial acelerado (CUV), buscando avaliar a resistência dos pigmentos frente à ação do ultravioleta (pigmentos estáveis a luz). Como se sabe, o uso do CUV, apesar de bastante difundido, não consegue reproduzir de forma adequada o que ocorre na natureza e subsidiar estimativa de vida útil do produto em relação à cor, além de que não há consenso quanto ao tipo de lâmpada a empregar no ensaio (UVA, UVB). Bem, partindo do princípio do uso da lâmpada UVB, determinam-se as coordenadas de cor da amostra, antes da exposição ao CUV e, normalmente, após cada 300 horas de exposição. Concluída a exposição determina-se o ΔE (diferença de cor em relação à cor inicial). A partir daí fornecemos a tabela acima, para servir como referência na correlação dos dados de diferença de cor (ΔE) com a percepção pelo olho humano. Essa tabela é utilizada pelo setor de impressão de cores.

Na minha opinião, esses números não devem ser tomados isoladamente. Exemplo: no caso da exposição ao CUV de uma cor clara (L*≥87), cujos valores de ΔE sejam considerados perceptível ou muito perceptível, ao se examinar os corpos de prova após o ensaio, realmente se confirma que houve a variação de tonalidade, porém, em termos práticos (na fachada) essas alterações ocorrerão de forma homogênea em todo o revestimento, de forma que a alteração de aspecto a que o revestimento estará sujeito ao longo de sua vida útil, devido à sua exposição aos poluentes e sujidades presentes na atmosfera, certamente impactarão mais o seu aspecto que a própria alteração de cor.

Para cores abaixo de L*≥87, pouco utilizadas em fachadas, o critério da tabela faz mais sentido, mas não sabemos qual o limite aceitável. Nesses casos o ideal é solicitar os corpos de prova ensaiados e o original (ou fotos) para avaliar se a variação que ocorreu pode ser considerada aceitável.

Creio que a forma mais adequada seja correlacionar a coordenada de cor L* com o valor de ΔE e definir um valor aceitável a partir da análise visual de vários observadores. Estamos trabalhando nesse sentido aqui no IPT, porém o trabalho ainda não foi concluído.

Osmar Hamilton Becere
Engenheiro do Laboratório de Materiais de Construção Civil