Para o engenheiro Giulliano Polito, a melhor solução para reduzir custos não é a padronização, e sim o planejamento detalhado | Téchne

Entrevista

Para o engenheiro Giulliano Polito, a melhor solução para reduzir custos não é a padronização, e sim o planejamento detalhado

Boas práticas de gerenciamento de projetos têm muito a oferecer ao setor da construção em tempos de retração econômica

Renato Faria (colaborou Flávia Siqueira)
Edição 228 - Março/2016
 

Acervo do autor

GIULLIANO POLITO
Tem mais de 15 anos de experiência em gestão de empreendimentos residenciais, comerciais e industriais. É diretor de obras e projetos da construtora Lorenge desde fevereiro de 2013. Trabalhou como diretor de operações da Even Construtora e Incorporadora e como superintendente de obras na Paranasa Engenharia. É autor do livro Gerenciamento de Obras (Editora PINI), que apresenta um método estruturado para a gestão de empreendimentos de construção civil. Graduado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), cursou pós-graduação em Gestão de Projetos e tem mestrado e doutorado em engenharia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As boas práticas de gerenciamento de projetos têm muito a oferecer ao setor da construção em tempos de retração econômica. Cuidados como envolver fornecedores desde o início da concepção do empreendimento e criar canais de comunicação com os vizinhos de obras estão muito longe de ser 'excesso de zelo': na verdade, são ações cruciais para evitar problemas e desperdícios. 'O que eu defendo é que se faça um desenvolvimento integrado do empreendimento. Envolver os fornecedores do sistema, de mão de obra e de material na definição e no detalhamento do projeto traz ganhos de construtibilidade e eficiência', afirma o engenheiro Giulliano Polito, diretor de obras e projetos da construtora capixaba Lorenge, de Vitória. Se, de um lado, o atual cenário teve impactos negativos sobre toda a cadeia de produção, de outro, ficou mais fácil suprir as obras de materiais e negociar preço com os fornecedores. 'Antes, chegávamos ao ponto de pagar preços irreais porque a demanda estava forçando.' Polito aponta que, hoje, a tendência é que os investimentos em novas tecnologias e processos se reduzam. Por outro lado, padronizar o sistema construtivo - estratégia que algumas construtoras adotaram - pode não ser a melhor saída. 'Quando você precisar atuar em outro cenário ou com outro produto, pode ser que você não tenha mais aquela expertise', alerta o engenheiro. 'Para cada empreendimento, por mais similar que ele seja a outro, cabe uma boa análise e a escolha de uma estratégia específica.'

Em sua opinião, quais os impactos mais relevantes do atual cenário de retração econômica no ciclo de um empreendimento imobiliário?
Esse cenário tem impacto sobre a cadeia como um todo. Em termos de gestão, há imprevisibilidade e certa insegurança, que geram uma demanda por replanejamento, e é muito difícil readequar a estratégia de um empreendimento sem gerar impactos negativos. Quando o mercado estava aquecido, os empreendimentos eram concebidos com premissas de prazo e planos de ataque que buscavam otimização. Hoje, o mercado já não recebe o produto nessa velocidade e passa a ser necessário replanejar. Imagine um empreendimento em que o prazo era crucial, concebido com fachada pré-moldada, banheiro pronto, drywall, instalação aparente - tudo de forma a reduzir o prazo de execução - e, no meio do caminho, é preciso replanejar para entregar o empreendimento em um prazo maior. Então, acabamos perdendo os benefícios que estratégias como essa traziam.

Conteúdo exclusivo para assinantes da revista Téchne

Outras opções