Existe algum tratamento para proteger estruturas antigas de madeira contra incêndios? | Téchne

IPT Responde

Existe algum tratamento para proteger estruturas antigas de madeira contra incêndios?

Envie sua pergunta para o email techne@pini.com.br

Edição 227 - Fevereiro/2016
 

Proteção contra incêndio
Existe algum tratamento para proteger estruturas antigas de madeira contra incêndios como o que destruiu parte da cobertura da Estação da Luz, em São Paulo?

Renato Faria

A resistência ao fogo de estruturas de madeira deve ser dimensionada no desenvolvimento do projeto estrutural da edificação. A razão de carbonização e o consequente comprometimento das propriedades mecânicas da madeira é um parâmetro conhecido. O dimensionamento consiste basicamente em determinar, ao final do tempo requerido de resistência ao fogo, se a seção preservada de cada peça estrutural é capaz de suportar os esforços a que está submetida. Uma forma alternativa de garantir a resistência ao fogo de estruturas de madeira consiste em encapsular os elementos que a compõem com materiais capazes de retardar o comprometimento progressivo das seções por ação do fogo. Isto não se obtém com tratamentos superficiais (como pinturas e vernizes) ou por impregnação, mas sim com placas ou mantas termoisolantes envolvendo toda a seção de cada peça. A ação do incêndio plenamente desenvolvido sobre os elementos estruturais é extremamente severo e eventuais tratamentos, aplicados superficialmente ou por impregnação, não resultam benéficos em termos de resistência ao fogo, uma vez que não impedem a ação direta do calor intenso sobre a madeira. Os tratamentos superficiais ou por impregnação têm sido utilizados para melhorar as características de reação ao fogo de revestimentos ou forros de madeira, apenas limitando a propagação de chama na superfície destes componentes construtivos. Em relação à Estação da Luz, é necessário ressaltar que o emprego de estrutura de madeira se restringia à sua cobertura e que, para essa situação, o Decreto Estadual 56.819/2011 do Corpo de Bombeiros não exige que estrutura seja dotada de resistência ao fogo.

Engenheiro Antonio Fernando Berto
Centro Tecnológico do Ambiente Construído (Cetac)

Drenagem
Em projetos de sistema de drenagem, quando há necessidade de proteger a superfície do concreto nas descidas d'água? Há necessidade de armar o concreto?

Supondo tratar-se de escadas hidráulicas de pequeno porte (canais retilíneos com fundo na forma de degraus planos), geralmente não há necessidade de proteções especiais, podendo optar-se simplesmente por um concreto de boa resistência mecânica e à abrasão superficial (concreto com resistência característica à compressão ≥ 30 MPa, por exemplo). Nessas condições, considerando vazões moderadas e degraus com altura da ordem de 50 cm, consegue-se, por meio do turbilhonamento, grande redução na velocidade da água/dissipação da energia, minimizando ou mesmo eliminando o risco de erosão superficial do concreto. No caso de vazões e solicitações mais intensas há necessidade de dimensionamento hidráulico específico e adoção de recursos especiais, como colchão de dissipação na base de cada degrau (material resiliente ou mesmo pequena lâmina de água), substituição do canal retilíneo por traçado com sucessão de ângulos ou curvas, revestimento do canal com material rugoso e resiliente etc. Em casos especiais pode-se ainda recorrer à aplicação de endurecedor de superfície ao concreto ou, no caso de grandes barragens, por exemplo, até ao revestimento dos vertedores com chapas de aço ou mantas de fibra de carbono. A durabilidade das escadas hidráulicas vai depender essencialmente de um bom projeto hidráulico e da qualidade da construção. O canal deve integrar-se perfeitamente ao sistema de drenagem superficial, não devendo haver a possibilidade de infiltrações laterais que possam promover erosão do solo, perda de sustentação e, às vezes, até transporte da escada pela enxurrada. Para que sejam evitados destacamentos e fissuras, que podem levar à perda de água e ao risco de erosão, é sempre recomendável armar o concreto constituinte das escadas hidráulicas, mesmo que seja com telas de aço galvanizado relativamente leves.

Engenheiro Ercio Thomaz
Centro Tecnológico do Ambiente Construído (Cetac)