É possível reduzir custos investindo em tecnologia, qualificação e planejamento, defende o engenheiro Marcos Sarge, da Brookfield | Téchne

Entrevista

É possível reduzir custos investindo em tecnologia, qualificação e planejamento, defende o engenheiro Marcos Sarge, da Brookfield

Planos claros e detalhados ajudam a evitar surpresas e desvios de custo em obras

Maryana Giribola (colaborou Flávia Souza)
Edição 227 - Fevereiro/2016
 

Divulgação: Brookfield Incorporações

MARCOS SARGE FIGUEIREDO
Diretor de construção em São Paulo da Brookfield Incorporações. É formado em engenharia civil pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem pós-graduação em gestão empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e créditos do mestrado em habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Atuou como diretor e responsável técnico na área de desenvolvimento imobiliário do Grupo Schahin, respondendo pelos departamentos de projetos, planejamento, orçamentos, obras e assistência técnica. Executou e gerenciou obras industriais, como shoppings centers e termoelétricas, e imobiliárias, incluindo hotéis, conjuntos habitacionais e edifícios comerciais Triple A. É auditor nas certificações ISO 9.001, ISO 14.001 e OHSAS 18.001, tem artigos técnicos publicados e é palestrante de eventos no segmento da construção civil.

Crise para alguns, oportunidade para outros: embora muitas vezes torçamos o nariz para frases e conceitos clichês, é necessário admitir que eles carregam algo de realidade. Marcos Sarge, diretor de construção em São Paulo da Brookfield Incorporações, evita o termo 'crise' e prefere falar em acomodação do mercado. Passada a correria do boom da construção civil, é hora de examinar processos, identificar desperdícios e aprender a planejar de maneira mais clara e detalhista. A melhor maneira de reduzir custos é justamente pensar melhor e exaustivamente no que será feito, aponta Sarge. A empresa multinacional tem contado com o apoio de profissionais de outros países para implantar, no Brasil, um extenso sistema de planejamento e controle de obras. 'Nenhuma obra se inicia sem antes fazermos o Plano de Gestão da Construção (PGC). Uma equipe multidisciplinar esmiúça cada item e identifica os fatores críticos de sucesso para cada empreendimento', explica o engenheiro. O objetivo é evitar surpresas e improvisações e, assim, diminuir desvios de custo. Para isso, aponta Sarge, é preciso contar com a colaboração de fornecedores e - por que não? - até de concorrentes. 'Previsibilidade é algo bom para todo mundo.' O diretor também prevê que não deixaremos de ter investimentos em novas tecnologias. 'Diferentemente do passado, tenho certeza de que continuarão a ocorrer investimentos em tecnologias, equipamentos e produtividade. As lições aprendidas conduzem pra isso. Atingimos um patamar que não tem mais volta.'

O volume de obras no setor foi baixo em 2015 e continuará sendo em 2016, segundo estimativas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Como a Brookfield lida com essa perspectiva?
Como a empresa trabalha com uma visão de longo prazo e é um grupo internacional, conseguimos antever movimentos de mercado. Já havia sinais de que isso iria acontecer. Hoje, priorizamos profissionais, parcerias e técnicas que nos forneçam continuidade para trabalhar em 'velocidade de cruzeiro' - diferente da correria que existia na época do boom, do aquecimento de mercado. A empresa não prevê um enxugamento a ponto de desestruturar nossa rotina. Muito pelo contrário: estamos contratando. É preciso, aliás, até discutir se estamos realmente em uma crise ou não. Acredito mais na questão de acomodação do mercado. Outro ponto importante é que nosso objetivo aqui é sempre fazer a melhor contratação, tanto para serviço quanto para material. Não se trata necessariamente de buscar o menor preço. Porque nem sempre o mais barato apresenta o melhor desempenho.

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