Professor defende fundamentação científica rígida na revisão norma de ventos em edificações para garantir segurança e eficiência das estruturas | Téchne

Entrevista

Professor defende fundamentação científica rígida na revisão norma de ventos em edificações para garantir segurança e eficiência das estruturas

Acir MércioLoredo-Souza comenta os pontos da norma técnica que serão revisados em 2016

Por Eduardo Campos Lima
Edição 226 - Janeiro/2016
Acervo pessoal

ACIR MÉRCIO LOREDO-SOUZA

Engenheiro civil e mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concluiu doutorado na Universidade de Western Ontário, no Canadá, sob orientação de Alan Davenport. Atualmente é professor da UFRGS, onde dirige o Laboratório de Aerodinâmica das Construções (LAC). Preside a Associação Brasileira de Engenharia do Vento e é membro do Executive Board da International Association for Wind Engineering. Atua na pesquisa, ensino e consultoria em engenharia do vento. Sua área de concentração engloba o estudo da ação e efeitos do vento em edificações, pessoas e o meio ambiente. Dedica-se também a atividades relacionas à redução de desastres naturais, com ênfase na prevenção de acidentes causados pelo vento.

Diretor do Laboratório de Aerodinâmica das Construções (LAC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o professor Acir Mércio Loredo-Souza encabeça o grupo que, em 2016, será responsável pela instalação dos trabalhos de revisão da NBR 6.123:1988 Forças Devidas ao Vento em Edificações. 'Esse grupo de trabalho, formado pela equipe do LAC, além de professores de outras instituições e engenheiros, tem um histórico importante de pesquisa sobre os temas envolvendo a engenharia do vento. A instalação da comissão é algo burocrático - o importante é que o documento tenha embasamento científico', argumenta. A norma deverá incluir novas informações relativas a tabuleiros de pontes e reticulados, além de abranger uma revisão das isopletas de velocidades de vento no País - algo que impacta diretamente nos carregamentos e, portanto, no custo das obras. 'A ideia é contribuir para expandir o conhecimento sobre a engenharia do vento. Junto com a norma, publicaremos manuais com modelos de aplicação, que já estão em fase avançada de elaboração', explica. Na entrevista a seguir, Loredo-Souza, que foi orientado no doutorado por Alan Davenport, pioneiro nos ensaios em túnel de vento e responsável pelos estudos nas torres do World Trade Center, fala sobre os trabalhos de atualização da norma, a qualidade dos projetos estruturais e a formação do engenheiro civil no Brasil.

Quais são as perspectivas para a atualização da norma?
Temos trabalhado nesse tema há muitos anos. Toda norma deve ser baseada em evidências científicas e trabalhos técnicos. A NBR 6.123 é uma das normas mais completas do mundo, apesar de ser de 1988. Fala-se muito na necessidade de atualização da norma, mas 99,9% das pessoas, atrevo-me a dizer, estão falando apenas das isopletas da velocidade básica do vento - e acham que elas têm que baixar, porque o valor está muito alto. Recentemente dei uma palestra em Recife e um participante disse que a velocidade lá não chega a 30 m/s, que é o valor que está na norma. Entretanto, obtive dados diretamente com a Aeronáutica, incluindo quatro registros oficiais que superaram os 30 m/s no Aeroporto de Guararapes. Portanto, é muito importante não entrar na celeuma emotiva e basear as declarações em dados técnicos, atentando para a fonte dos dados.

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