Para professor da Poli-USP, avanço do ensino do BIM nas universidades brasileiras ainda é lento | Téchne

Entrevista

Para professor da Poli-USP, avanço do ensino do BIM nas universidades brasileiras ainda é lento

Disseminação depende da iniciativa dos docentes, que também precisam se preparar para lecionar aulas com o uso do modelo

Maryana Giribola (colaborou Mauricio Besana)
Edição 225 - Dezembro/2015
Acervo pessoal

EDUARDO TOLEDO SANTOS
Doutor em engenharia elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Eduardo Toledo Santos é docente do departamento de engenharia de construção civil na instituição de ensino há 23 anos. É ainda professor do programa de mestrado profissional em inovação na construção, da especialização em gestão de projetos na construção e do MBA em gerenciamento de facilities da USP. Atua também como consultor de estratégia para implementação de BIM e já escreveu mais de 150 artigos em periódicos e conferências nacionais e internacionais. Toledo também atua como coordenador adjunto da CEE134 - Comissão Especial de Estudos sobre BIM, da ABNT, e como coordenador do grupo de ensino, pesquisa e extensão em tecnologia computacional para construção da Poli-USP.

Este ano, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) incorporou na grade curricular do curso de engenharia civil uma disciplina introdutória aos conceitos do Building Information Modeling (BIM), chamada de introdução do projeto na engenharia. Não é a única universidade no Brasil a ensinar o modelo nas disciplinas, a exemplo de instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, mas ao redor do mundo a prática começou a ser observada ainda em 2003. Por aqui, didáticas relacionadas ao BIM ainda estão sendo experimentadas. Na Poli-USP, a disciplina visa a 'instrumentalizar o aluno a ter o primeiro contato com os aplicativos e depois, nas disciplinas seguintes, aplicar essas ferramentas', conta Eduardo Toledo, professor da Poli-USP. Segundo o docente, o ensino de BIM é necessário, mas ainda enfrenta algumas barreiras para se difundir no País. 'A grande dificuldade é que as grades curriculares estão muito cheias; se você quiser incluir uma disciplina exclusiva de BIM, outra coisa vai ter que sair.' Mesmo diante das barreiras, o momento atual de crise econômica favorece a especialização em BIM, dentro ou fora das universidades. 'Aproveite a baixa do mercado para se reciclar e estar entre os primeiros que serão reempregados quando tivermos a retomada das ações', aconselha o professor.

Alguns cursos de engenharia civil no Brasil começaram a aplicar um sistema de aprendizagem baseado em problemas práticos, conhecido pela expressão em inglês Problembased Learning (PBL), em algumas disciplinas. Isso é aplicado na disciplina que incorpora o BIM na grade da Poli-USP?
Não utilizamos essa metodologia didática por se tratar de uma disciplina introdutória. É o primeiro contato dos alunos com BIM, e isso acontece no segundo semestre do primeiro ano, então eles ainda não tiveram nenhum conteúdo específico de engenharia civil. Para termos um foco PBL, seria necessário que o aluno tivesse mais conhecimento para se desenvolver.

Como é ministrada a disciplina na USP? Como o aluno é apresentado ao BIM e quais as primeiras habilidades que eles desenvolvem?
As três coisas que nós tratamos são: conceito de BIM, onde ele pode ser usado e como pode atuar no ciclo de vida do projeto. Em seguida, ensinamos a leitura de plantas de projetos, para que o aluno entenda, por exemplo, o que está representado numa planta de arquitetura, numa planta de estruturas, de instalações prediais. Depois eles aprendem a modelar o conteúdo das plantas com um software de autoria BIM. Ou seja, a disciplina foca na leitura e na modelagem básica desses projetos. É para instrumentalizar o aluno a ter o primeiro contato com os aplicativos e, depois, nas disciplinas seguintes, conseguir aplicar essas ferramentas. São, ao todo, 12 aulas de dois créditos, e a nossa esperança é de expandir isso no futuro.

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