Para o engenheiro Mario Rocha Neto, controle de custos de construção volta a ser o diferencial competitivo das construtoras | Téchne

Entrevista

Para o engenheiro Mario Rocha Neto, controle de custos de construção volta a ser o diferencial competitivo das construtoras

Projetos otimizados, fornecedores qualificados e equipe de supervisão qualificada são fatores-chave de sucesso

Renato Faria
Edição 224 - Novembro/2015
Marcelo Scandaroli

MARIO ROCHA NETO
Graduado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) em 1980, desenvolveu sua carreira na Gafisa, onde liderou a área de construção de 1991 a 2012. Saiu da empresa para fundar a própria construtora, a Rocontec - Rocha Construção e Tecnologia. É membro do Comitê de Mercado do Núcleo de Real Estate da Poli-USP, faz parte do conselho das construtoras Takaoka e Alphaville e compõe o conselho editorial da revista Construção Mercado, da Editora PINI. Também é diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Entregou mais de 600 empreendimentos, dentre eles o Eldorado Business Tower, em São Paulo, quarto edifício do mundo com certificação Leed na categoria Platinum, projeto pelo qual foi responsável.

Em tempos de mercado desaquecido, os preços dos imóveis se estabilizaram e a concorrência entre as construtoras aumentou. Para conquistar novos clientes, elas precisam oferecer mais descontos e reduzir suas margens. Natural, portanto, que voltem suas atenções para o controle de custo das obras, para não terem prejuízos. 'Qualquer economia de R$ 10 é bemvinda e pode ser um diferencial na hora da venda', afirma o engenheiro Mario Rocha Neto, diretor da construtora Rocontec. O cenário é muito diferente daquele visto no período de bonança do setor. Segundo Rocha Neto, boa parte da ineficiência operacional era embutida nos custos, sem muito questionamento, e até sem inovações. 'Achavam uma perda de tempo estudar sistemas construtivos alternativos que gerariam economia de 2% no custo da obra. Colocava-se tudo no preço e pronto. O mercado aceitava', afirma. Para ser competitiva, hoje, a construtora precisa estimular os projetistas a desenvolver soluções técnicas diferenciadas, visando à economia no processo construtivo - a chamada 'Engenharia de valor'. O sucesso dependerá, também, da escolha correta dos fornecedores, não apenas por preço, mas por competência técnica. 'É comum, por questão de custo, contratar fornecedores de mão de obra menos qualificados do que o desafio exigido pela obra. Aí, poderá haver atrasos na alvenaria, por exemplo, que afetarão toda a cadeia de serviços seguintes', afirma.

Com o mercado imobiliário em baixa, as construtoras procuram controlar mais os custos de construção das obras atualmente em andamento. Qual o papel do engenheiro de obras nesse contexto?
Eu gosto do modelo em que as construtoras enxergam suas obras como unidade de negócios independente. É claro que, quando você tem autonomia lá na ponta, você precisa de um gestor qualificado, com capacidade de decidir, e de uma comunicação muito fluente da alta administração com essa unidade de negócio. De um ano para cá, por exemplo, houve mudanças enormes na dinâmica do mercado. Isso precisa chegar ao engenheiro, senão ele começa a fazer estoque achando que vai faltar material na obra. Além disso, a construtora precisa ter critérios e procedimentos padronizados de segurança, qualidade e execução a fim de retirar a subjetividade dos processos. Caso contrário, cada obra fica com a cara do engenheiro responsável e a identidade da empresa se perde. Também é importante alinhar a remuneração desse profissional com o resultado da companhia, para que se comunguem valores.

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