Execução de grandes blocos de fundação exige cuidados no traço do concreto e planejamento logístico rigoroso | Téchne

Planejamento

Fundações e contenções

Execução de grandes blocos de fundação exige cuidados no traço do concreto e planejamento logístico rigoroso

Edição 200 - Novembro/2013
Divulgação: Brookfield

As chamadas sapatas associadas são indicadas quando as cargas estruturais são muito altas em relação à tensão admissível do solo ou nos casos em que existe superposição de áreas de sapatas vizinhas. A execução de grandes blocos de concreto de fundação direta é particularmente recomendável em projetos que prevejam distâncias menores entre pilares. Nessa condição, agregar mais de um pilar em uma mesma sapata é técnica e economicamente mais vantajoso do que projetar sapatas individuais.

"Quando o projeto prevê pilares com curta distância entre eles, o ideal é pensar em sapatas associadas de modo a impedir as interferências entre esses elementos isolados", explica Milton Golombek, sócio-diretor da Consultrix. "Por isso, o projeto desses elementos construtivos deve levar em conta a interação entre pilares. O projetista de fundações deve observar como considerar a atuação simultânea das cargas dos diversos pilares", completa Luis Fernando de Seixas Neves, engenheiro da Cepollina Engenheiros Consultores.

Exemplo de estudo de zoneamento das temperaturas do concreto no lançamento de cada camada
Divulgação: Brookfield
Detalhe da montagem da armadura de um bloco de grandes dimensões

Divulgação: Cyrela
Sapatas de grandes dimensões, mas independentes entre si

Quanto maior for a altura do bloco, maior será o tempo de dissipação do calor gerado pelo concreto para o meio ambiente e para o solo. "Principalmente no centro do bloco e a 1 m de altura, consideradas as situações mais críticas", diz o consultor Selmo Kuperman, diretor da Desek, lembrando que em estruturas com grandes volumes podem ocorrer elevadas tensões de origem térmica. Esse fenômeno é causado pelas reações de hidratação do cimento, gerando calor que terá dificuldade de se dissipar, em razão das dimensões da estrutura. "Durante o arrefecimento da temperatura do concreto podem surgir tensões de tração que, se forem superiores à resistência à tração do material, poderão provocar fissuras no bloco."

Assim como o emprego do gelo, o uso de adições e outros produtos para reduzir o calor de hidratação deve ser uma decisão técnico-econômica, pois gerará custos adicionais à obra. "O custo do concreto ficará maior", lembra Kuperman, observando que é possível equalizar a necessidade de resfriamento da mistura de acordo com as fases de lançamento. "É viável estudar o zoneamento das temperaturas do concreto. A camada próxima ao solo, por exemplo, é a mais crítica e deve receber maior atenção. O ideal é que todas as etapas sejam concretadas com a menor temperatura possível, o que aumenta a margem de segurança da execução", explica.


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