Estruturas em balanço e atirantadas marcam obra da nova sede do Centro Paula Souza | Téchne

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Em São Paulo

Estruturas em balanço e atirantadas marcam obra da nova sede do Centro Paula Souza

Novo conjunto na região da Luz, no centro da capital, abriga edifício administrativo e uma escola técnica estadual

Eride Moura
Edição 200 - Novembro/2013

Etec
Na extremidade oposta à sede do Centro Paula Souza, foi implantado o grande edifício da Etec, organizado em dois vãos, um de face para a rua General Couto de Magalhães, e outro voltado para o vazio criado no interior do conjunto, com pátio e jardim. Na face do terreno voltada para a rua Aurora, uma passarela metálica une a sede administrativa ao restante do conjunto. O edifício da escola, com cinco pavimentos, abriga salas de aula e de pesquisa e está organizado em dois vãos distintos: um voltado para a praça interna, em balanço, sobre pilotis, e outro para a rua General Couto de Magalhães. Entre os dois vãos, foi criado um átrio interior para o qual se abrem as salas de aula.

Um mezanino de formato irregular funciona como primeiro pavimento, que abriga salas de informática e de línguas, biblioteca e estar. Algumas regiões do mezanino se apoiam sobre os pilotis, outras são suspensas por tirantes de concreto e outras repousam lateralmente sobre um console.

Voltado para a rua Aurora, um volume maciço de dois pavimentos abriga um anfiteatro no piso térreo, um pequeno auditório no piso superior - ligado por uma passarela metálica à sede administrativa - e uma quadra poliesportiva suspensa e flutuante na laje de cobertura, apoiada em dois grandes pilares de 30 m de altura.

Edifício administrativo - Esquema de atirantamento

Materiais
As estruturas de concreto aparente com complementos de aço ditam a linguagem geral do projeto. Também estão presentes grandes painéis de vidro protegidos por brises de desenhos variados. Em alguns volumes do embasamento, foram usados grandes painéis de laminado melamínico vermelho, cor que se destaca no conjunto.

A cobertura é constituída por telhas metálicas especiais, zipadas e vazadas. A telha - com perfurações projetadas pelos arquitetos -, funciona como elemento de sombreamento, protegendo o uso da praça, e ainda tem a função de pulverizar a água da chuva, evitando sua retenção e a necessidade de drenagem. Apenas na parte da cobertura da quadra e do edifício preeexistente foi necessária a instalação de sistemas de captação. Spadoni explica que a solução técnica de perfuração da telha é bastante simples e eficiente, e havia sido empregada uma única vez, mas nunca na escala desse projeto do Centro Paula Souza.

Outro elemento que tem um papel importante no projeto é o sistema de brises, que controla a luz solar direta, calculada por gráficos de desempenho. Foram escolhidos três tipos diferentes: os brises em lâminas ou em régua, usados exclusivamente nas salas de aula; os tubulares perfurados (tubrises), que contornam a biblioteca, o edifício do Centro de Apoio aos Professores, e envolvem a quadra de esportes; e os brises de tela tensionada em aço inox, da empresa alemã GKD, ainda pouco usada no Brasil, empregada no contorno do edifício administrativo. Esses brises envelopam e bloqueiam a incidência direta de raios solares, favorecendo o conforto térmico e contribuindo para o controle do consumo de energia.

"Para proteger as janelas voltadas ao átrio, foram instalados brises fixos com formato de meia asa de avião, em quantidade e posição calculadas com diagramas de insolação para impedir que os raios solares incidentes atrapalhassem as aulas", afirma o arquiteto Pedro Taddei.


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