Espaços de vivência | Téchne

Planejamento

Canteiro de obras

Espaços de vivência

Planejamento da obra e disponibilidade de espaço norteiam decisão sobre sistema construtivo, dimensionamento e localização de instalações provisórias

Juliana Martins
Edição 195 - Junho/2013
divulgação Camargo Corrêa
O primeiro passo na etapa de planejamento é obter o cronograma físico do projeto, que trará informações sobre a evolução da obra e os momentos em que será necessário ampliar ou desmobilizar o canteiro

Seja em terrenos amplos ou com escassez de espaço, todo canteiro deve conter áreas de apoio à execução da obra, incluindo áreas destinadas a processos administrativos e de vivência dos trabalhadores. Essas estruturas costumam incluir instalações sanitárias, vestiário, área de lazer, ambulatório, lavanderia e, se houver necessidade, cozinhas e alojamentos. Os custos de implantação e, principalmente, de manutenção dessas áreas são altos, de forma que, se elas não forem adequadamente planejadas, podem comprometer a rentabilidade do empreendimento. Por isso, a construtora deve dedicar especial atenção à logística do canteiro, à escolha do sistema construtivo e à forma de contratação da tecnologia (compra ou aluguel). Vale lembrar, ainda, a obrigatoriedade do atendimento à Norma Regulamentadora no 18 (NR- 18), que traz requisitos sobre as condições e o meio ambiente de trabalho na indústria da construção.

Cada fase da obra tem atividades e necessidades distintas, que podem demandar um número maior ou menor de trabalhadores. Por isso, o primeiro passo na etapa de planejamento é obter o cronograma físico do projeto, que trará informações sobre a evolução da obra e os momentos em que será necessário ampliar ou desmobilizar o canteiro. Essas informações também serão consideradas, posteriormente, na análise de viabilidade econômica dos sistemas de instalações provisórias.

divulgação Odebrecht
A disposição dos ambientes deve considerar os requisitos da NR-18 e priorizar a segurança e o conforto dos trabalhadores

O cronograma físico é estudado em conjunto com a programação de demanda de materiais e de mão de obra e os projetos executivos da obra, especialmente os das etapas iniciais - contenções, fundações e estrutura. Assim, é possível conceber o layout do canteiro considerando a melhor forma de alocar materiais, equipamentos e espaços de vivência, de modo a reduzir o tempo de deslocamento e garantir o conforto e a segurança dos trabalhadores. "Se o vestiário, por exemplo, estiver próximo à entrada do canteiro, será possível evitar que o operário caminhe por trechos da obra sem o uniforme e os equipamentos de proteção corretos", explica Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, professor do departamento de engenharia de construção civil (PCC) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). "O projeto deve ser feito por um profissional que conhece o processo de produção e as demandas das áreas de vivência, que seja capaz de identificar o melhor espaço para alocar a entrada dos trabalhadores, entrada e saída de veículos, o elevador para passageiro etc.", afirma o professor, lembrando que o planejamento deve passar por revisões periódicas.

O pico de trabalhadores é o norte para o dimensionamento das áreas de vivência. "É preciso atender à NR- 18, que cita o espaço necessário para chuveiros, vasos sanitários, bebedouros, área de vestiário e área de refeitório", diz Leandro Caruso, coordenador de obras da MBigucci. Além disso, o ideal é que esse espaço seja fixo e não precise ser mudado durante a obra. Em canteiros restritos, um recurso muito usado é implantar instalações temporárias até que parte da estrutura da edificação fique pronta e permita realocar as áreas de vivência. Ricardo Sampaio Fernandes, coordenador de meio ambiente na Camargo Corrêa, conta que a empresa tem uma diretriz sobre o reaproveitamento da estrutura. "Sempre estudamos essa possibilidade para diminuir o impacto de montar outro alojamento." Em obras onde o uso desses espaços não é possível, a sugestão de Espinelli é que sejam usados contêineres, que possibilitam realocação mais rápida.

divulgação Odebrecht
Segundo a NR-18, as dimensões mínimas das camas devem ser de 80 cm x 1,90 m e a distância entre o ripamento do estrado deve ser de 5 cm. O colchão deve ser de densidade 26 e ter espessura mínima de 10 cm. É obrigatório o fornecimento de lençol, fronha, travesseiro e cobertor em condições adequadas de higiene

A disposição dos ambientes também deve considerar os requisitos da NR-18 e priorizar a segurança e o conforto dos trabalhadores. O refeitório, por exemplo, nunca deve estar ligado ao banheiro ou ao vestiário. Segundo Espinelli, a área de alimentação também não deve ficar próxima aos ambientes de produção, de maneira a evitar a exposição a sujeiras originadas na obra. Outra recomendação é posicionar o vestiário junto ao portão de entrada, para que o trabalhador não caminhe sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) dentro da obra. As instalações sanitárias podem estar diretamente ligadas aos vestiários, desde que seja respeitada a exigência da NR-18 que determina uma distância máxima de 150 m entre o posto de trabalho e o banheiro.

O vestiário também deve ficar próximo do alojamento destinado à pernoite dos trabalhadores, se essa for uma necessidade na obra. A NR-18 também veta a alocação desses ambientes em subsolos ou porões. No entanto, Espinelli acredita que o mais desejável é que o canteiro não sirva de moradia temporária, por ser um local de trabalho.

O conforto térmico é exigido em todas as estruturas da área de vivência. Segundo a NR-18, as instalações móveis devem possuir área de ventilação natural efetiva equivalente a, no mínimo, 15% da área do piso e pelo menos duas aberturas adequadamente dispostas. "Em Florianópolis, temos uma obra às margens de uma lagoa, com vento soprando a partir do continente. Nós colocamos as estruturas alinhadas para favorecer a ventilação e manter o local arejado", afirma Fernandes, da Camargo Corrêa.

divulgação MBigucci
Canteiro de alvenaria pode ser alternativa economicamente viável em obras longas e com disponibilidade de espaço

"A princípio, os canteiros de alvenaria proporcionam melhor desempenho térmico", afirma Espinelli. Entretanto, o professor lembra que o projeto pode prever soluções para garantir o conforto térmico em estruturas executadas com materiais menos isolantes. Sem tratamento, por exemplo, os contêineres de aço não proporcionam isolamento térmico adequado sob calor ou frio intensos. "No entanto, ele pode se tornar confortável se for usado com proteção interna, isolante térmico e telhado para o sombreamento", explica Espinelli. Fernandes concorda que regiões de clima frio exigem atenção especial com o isolamento térmico. "Nesses casos, opta-se por materiais mais densos ou por unidades de metal com mantas de isolamento. Em regiões mais quentes, podemos ter estruturas menos complexas, mas é preciso manter um aparelho de ar-condicionado no local", destaca Fernandes.

 

 

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