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Fumaça sob controle

Adequadamente dimensionados, sistemas de exaustão natural e mecânica facilitam a desocupação segura de edificações em situação de incêndio

Ana Paula Rocha
Edição 193 - Abril/2013

 

Divulgação: Colt Group
Subsolos podem exigir soluções mecânicas para a expulsão do ar, como ventiladores e exaustores

O elevado número de vítimas por asfixia no incêndio ocorrido no fim de janeiro na boate Kiss, em Santa Maria (RS), chamou a atenção para a importância das soluções de controle de fumaça nas estratégias de segurança contra incêndio das edificações. Segundo o parecer preliminar do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS) divulgado em fevereiro, apesar das inadequações observadas na casa noturna - relacionadas, entre outros aspectos, à disposição e ao número de saídas de emergência e aos materiais de revestimento acústico -, o controle de fumaça poderia aumentar a altura e o tempo disponíveis para a desocupação, proporcionando condições mais favoráveis à sobrevivência.

O princípio básico desse tipo de estratégia consiste em fornecer meios pelos quais a fumaça e o calor possam ser extraídos da edificação, evitando que se espalhem pelos ambientes. Corretamente integrado e utilizado, o sistema possibilita ainda a visibilidade da rota de fuga e faz a ventilação do ambiente, reduzindo a temperatura interna. Essas ações são importantes para garantir a segurança das pessoas e para reduzir os danos provocados pelo incêndio.

Em incêndios, a fumaça pode se deslocar a uma velocidade superior a 2 m/s, sendo mais rápida que a velocidade de fuga de um ocupante, que varia, em média, de 1 m/s a 2 m/s. Quando a fumaça atinge uma lateral fechada, ela desce e volta em direção ao fogo, podendo confundir os ocupantes e fazendo com que se desloquem em direção ao incêndio, pensando estar fugindo dele

O controle de fumaça começou a ser adotado em 1965, quando um grande incêndio destruiu complemente uma fábrica da General Motors em Michigan, nos Estados Unidos, gerando um prejuízo estimado em US$ 55 milhões. A partir daí, uma subsidiária da empresa no Reino Unido resolveu adotar pela primeira vez o conceito.

No Brasil, no entanto, a adoção de mecanismos de expulsão da fumaça não é compulsório em Projetos de Segurança contra Incêndio e Pânico, exceto para escadas enclausuradas. O relatório do Crea-RS, inclusive, apontou os gargalos da legislação gaúcha. "A legislação estadual é claramente omissa quanto às exigências de sistemas de controle de fumaça nos ambientes de reunião de público, quer seja pela aplicação de materiais de revestimento com características de pouca geração de fumaça, quer seja por sistemas naturais ou forçados de exaustão", destaca o texto.

A legislação do Estado de São Paulo, por sua vez, é considerada uma das mais rigorosas em relação ao assunto. A exigência foi introduzida por meio do Decreto Estadual no 46.076/2001, que obrigava a adoção

do controle de fumaça em edificações com mais de 60 m de altura (com exceção de edifícios e hotéis residenciais e apart-hotéis) e em subsolos não utilizados como estacionamentos. O texto foi atualizado pelo Decreto no 56.819/2011, mas especialistas acreditam que as exigências se tornaram mais brandas, principalmente no que se refere às distâncias máximas de caminhamento para as saídas de emergência. A Instrução Técnica no 15 do Corpo de Bombeiros paulista também dispõe especificamente das estratégias de controle de fumaça.

Quando o projeto é necessário
Conceitualmente, o controle de fumaça deve ser adotado em algumas situações. A primeira é quando o tempo de evacuação é maior do que o tempo de propagação da fumaça. Segundo o engenheiro Luiz Carlos Leitão da Cunha, coautor do capítulo Sistema de Controle de Fumaça do livro A Segurança Contra Incêndio no Brasil, o cálculo deve considerar, por um lado, o número de pessoas que o ambiente comporta e o tempo de desocupação do local, e, por outro, o tempo necessário para que o ambiente encha de fumaça. "O projeto de controle deve compartimentar a fumaça no tempo necessário para a evacuação das pessoas", afirma Cunha.

A segunda situação é em edifícios com grandes vãos, quando não é possível fazer a compartimentação para controlar os focos de incêndio em áreas pequenas. Nesses casos, o controle de fumaça é importante porque ela se propaga mais rápido do que as próprias chamas.

 

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