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Segurança

Proteção nas alturas

Conheça os sistemas de proteção coletiva que, em conjunto com os equipamentos de proteção individual, evitam a queda de pessoas e objetos da obra

Valentina Figuerola
Edição 190 - Novembro/2012

Marcelo Scandaroli
Soluções de proteção coletiva dos trabalhadores devem constar do Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção Civil, obrigatório em obras com mais de 20 trabalhadores, segundo a NR-18

Criar uma "barreira" contra a queda de pessoas, ferramentas e materiais de construção durante a obra. Assim pode ser resumida a função dos principais sistemas de proteção coletiva como bandejas, telas de fachadas, guarda-corpos, redes do tipo forca, fechamento de poços de elevadores, de aberturas de piso, shafts etc. Detalhadas e especificadas por um profissional legalmente habilitado, o engenheiro de segurança no trabalho, as soluções devem constar do Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção Civil (PCMAT), que é obrigatório em obras com mais de 20 trabalhadores segundo a Norma Regulamentadora n° 18 (NR-18) - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.

O projeto de segurança deve apresentar caderno de especificações e estar integrado com os demais projetos executivos da edificação. "O projeto deve estar acompanhado de memorial de cálculo, ter foco na execução da obra e, principalmente, no pós-obra", explica Antonio Pereira do Nascimento, Coordenador do Programa Estadual de Construção Civil do Estado de São Paulo. Ele também recomenda que o projetista se cerque de empresas idôneas que possam fornecer a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do projeto, da manutenção, da instalação e movimentação nos pavimentos.

Orientar bem a mão de obra e seguir à risca as diretrizes do projeto de segurança de acordo com NR-18 são fundamentais para reduzir os altos índices de acidentes - fatais e não fatais - da construção civil. Na execução de estruturas de concreto, por exemplo, existem os riscos ergonômicos, de choque elétrico, de queda de pessoas, materiais e equipamentos sobre os operários do nível térreo, passeios e edificações vizinhas.

Segundo Sheyla Mara Baptista Serra, professora do Programa de Pós-Graduação de Estruturas e Construção Civil (PPGECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apesar de a norma estar vigente há mais de 15 anos, os projetos de segurança poderiam estar muito mais disseminados e mais compatíveis com as condições da obra do que estão hoje, "embora existam empresas que primem pela segurança do trabalhador e o cumprimento de todas as orientações legais".

"Quando se busca algum sistema no mercado, para locação ou compra, é pouco provável encontrar algo fora de conformidade", afirma o engenheiro Rodrigo Vaz, do departamento de planejamento e controle da BKO. "Erros podem acontecer mais quando fabricamos as proteções dentro dos canteiros, que devem ser inspecionados por profissionais qualificados e habilitados", acrescenta Vaz.

Tipos de guarda-corpos

Divulgação: Dominus

Guarda-corpos de madeira
Os guarda-corpos de madeira devem ter montantes com espaçamento recomendado de 1 m entre si, aos quais se fixam três elementos horizontais: um travessão superior (altura mínima de 1,20 m), um travessão intermediário (altura mínima de 70 cm) e rodapé (altura mínima de 20 cm). Os vãos entre as travessas devem ser preenchidos com tela ou outro dispositivo que garanta o fechamento seguro da abertura.

Guarda-corpos metálicos fixados com sargentos
Nesse sistema de proteção para estrutura reticulada, as telas são encaixadas em montantes fixados com grampos de aperto (sargentos) às vigas ou às lajes da estrutura. Indicado para obras em que o pé-direito é muito elevado ou para lajes de cobertura.

Divulgação: Dominus/Fotos: divulgação Metroform

Guarda-corpos metálicos para alvenaria estrutural
Feito de aço, o sistema de proteção para alvenaria estrutural funciona com telas telescopáveis encaixadas em montantes (postes), que são fixados nos blocos da alvenaria. As calhas são apoiadas nas proteções telescópicas para captação de resíduos no espaço entre as proteções e a alvenaria.

Guarda-corpos metálicos fixados por pressão
O sistema de proteção fixa com escora para estrutura reticulada combina telas modulares encaixadas em montantes (escoras especiais) fixados à estrutura do edifício por meio da pressão vertical entre piso e laje da estrutura.

Fotos: divulgação Metroform

Guarda-corpos metálicos ancorados na estrutura
O sistema de proteção fixa com prisioneiro é indicado para situações em que o pé-direito é muito elevado, e quando a espessura das vigas e lajes ultrapassa 90 cm, inviabilizando a fixação por grampos de aperto (sargento). Nesse caso, os montantes são fixados à estrutura da obra com barras de ancoragem fixadas nas vigas de borda.



Marcelo Scandaroli
Bandejas servem para evitar a queda de objetos de pequeno porte, mas não foram projetadas para evitar a queda de trabalhadores

Bandejas, telas e guarda-corpos
Obrigatórias em edificações com quatro pavimentos ou mais, as bandejas são estruturas de madeira sustentadas por dispositivos metálicos ou por vigamentos de madeira que servem para limitar a queda de materiais e ferramentas no canteiro de obras. "Elas servem para evitar a queda de objetos de pequeno porte, mas não foram projetadas para evitar a queda de trabalhadores. Para isso, devem ser utilizadas as redes do tipo forca", alerta Antonio Pereira do Nascimento.

As bandejas podem ser primárias, secundárias e terciárias. De acordo com a NR-18, a plataforma primária, que é instalada logo após a concretagem da primeira laje da edificação, só deve ser retirada quando o revestimento externo do prédio acima dela estiver concluído. Montadas em balanço, a cada três pavimentos, as plataformas secundárias, por sua vez, só devem ser tiradas quando a vedação externa até a plataforma superior correspondente estiver finalizada. "As plataformas terciárias, por sua vez, são instaladas a cada dois pavimentos abaixo do térreo, quando um prédio tem vários subsolos", complementa Pereira.

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