Cadista | Téchne

Carreira

Cadista

Bom profissional deve saber ler e interpretar corretamente um projeto arquitetônico, ter o domínio do desenho e conhecer as ferramentas do software CAD

Por Ana Paula Rocha
Edição 169 - Abril/2011

Fruto do advento da tecnologia, o cadista é uma profissão em crescimento e transformação na cadeia da construção civil. Esse profissional surgiu quando os softwares CAD (Computer Aided Design ou, em tradução literal, Desenho Auxiliado por Computador) foram disseminados para as pequenas e médias empresas, bem como para os escritórios de projetos e construtoras brasileiras. No início da implementação dessa tecnologia, arquitetos e engenheiros, em meio a suas funções do cotidiano, resistiram a aprender a desenhar com outros meios, subdelegando a função de passar um projeto do papel para o computador para os cadistas.

"Este profissional veio, na verdade, substituir o antigo Desenhista Copista que até o surgimento da era do computador passava a limpo (com nanquim e canetas técnicas) as ideias dos arquitetos, que não tinham tempo para finalizar seus projetos. Hoje, este trabalho continua a ser rea­lizado da mesma forma. Porém, de maneira bem mais ágil e com possibilidades de correções imediatas e cópias bem mais perfeitas, graças a programas CAD", afirma Laerte Galesso, diretor geral da Abra (Academia Brasileira de Arte), que oferece cursos nessa área.

Na prática, o cadista é a pessoa responsável por desenhar ou fazer o projeto em um software CAD, conforme as especificações do projetista ou engenheiro. Ele pode, entre outras atividades, elaborar desenho de plantas, cortes e fachadas, inserir propriedades nos objetos (cores, camadas e espessuras), criar e aplicar cotas e desenvolver projeto para aprovação em prefeitura e até mesmo desenhos cartográficos.

Porém, muito mais do que passar um projeto do papel para o computador, como era feito antes, hoje um bom cadista deve saber interpretar os mais variados tipos de desenho. "Uma das dificuldades encontradas no mercado de trabalho são pessoas que conseguem operar com muita facilidade o software, mas que não entendem nada ligado à construção civil e propriedades como elétrica e hidráulica, que são fundamentais para a profissão. Se a pessoa quer evoluir dentro de uma empresa, conhecimentos de engenharia e arquitetura são indispensáveis", opina Wallace Cosaquevite, cadista na área de topografia e instrutor de AutoCAD no Rio de Janeiro.

Com isso, recomenda-se que esses profissionais façam não só cursos de softwares CAD, como também técnico em edificações ou até mesmo graduação em engenharia civil ou arquitetura, tendo condições de subir de posto para projetista, entendendo as necessidades do engenheiro e do projeto que estará trabalhando.

Por ser uma profissão da tecnologia, treinar e dominar o software também são essenciais para os cadistas. Vale lembrar que existem diversos programas nas mais diferentes disciplinas de projeto. Portanto, cabe ao profissional escolher se executará projetos de vários tipos ou se vai se especializar em uma determinada área, como instalações elétricas e hidráulicas.

Em todas as disciplinas, no entanto, um bom cadista deve sempre estar atualizado com as novas tecnologias que vão agilizar ainda mais o seu trabalho. Por ser uma profissão aliada à tecnologia, as evoluções dos softwares são constantes e é preciso acompanhá-las para não ficar fora do mercado de trabalho. "Tem que se atualizar, porque a cada dia que passa as oportunidades estão surgindo e faltam profissionais no mercado justamente por conta da desatualização. Com o CAD cada dia é uma novidade", conta Wallace Cosaquevite. Para acompanhar a evolução, existem cursos dos fabricantes de softwares, aulas a distância, livros e até mesmo bons fóruns de dúvidas na internet.

Acervo pessoal
Marco Antonio Madeira, cadista autônomo e dono da empresa Caddesigner
O profissinal

Como foi o início da sua carreira?

Quando decidi entrar nesse ramo, fiz um curso de desenhos e projetos de arquitetura e, antes mesmo de me formar, entrei em uma empresa de refrigeração como desenhista copista. Pouco tempo depois passei a ser desenhista técnico e terminei como desenhista projetista chefe. Mas, nessa época, todos os modos de desenhos eram feitos na prancheta com tecnígrafo, canetas nanquim, borracha de areia e cópias heliográficas. Depois disso vi que o mercado não tinha espaço para desenhos em prancheta, tudo começou a ser feito em CAD. Como os cursos eram muito caros, estudei sozinho um livro de 850 páginas para AutoCad R13. Quando senti que estava em condições mínimas de oferecer serviços, decidi ser autônomo, fiz meu site, divulguei, fiz cursos e participei de palestras para aumentar meus conhecimentos. Trabalho até hoje como autônomo.

Há um grande número de profissionais cadistas trabalhando como free lancer. Faltam oportunidades em empresas de projeto?

Na verdade existe para os dois lados, tanto para autônomos, como registrados em empresas. O problema do free lancer é a comunicação e as informações a serem passada. Um projeto de arquitetura tem mais de 50 detalhes, e passar para o CAD não é um serviço simples. Dessa forma, os custos do trabalho autônomo podem ser maiores do que se a empresa tiver um profissional registrado. Mas se o cadista for bom tem espaço nos dois lados.

Como é sua rotina de trabalho?

Trabalho mais ou menos dez horas por dia. Às vezes tenho de visitar clientes, obras e ir a reuniões. Mas quando estou no escritório e começo um novo trabalho, vejo todas as informações que tenho em mãos e analiso se está faltando algo. Se for o caso, antes de começar no CAD faço esboços ou rascunhos em papel comum para ver como está ficando. Se o projeto está com falhas ou dando algo errado ligo para meu cliente avisando. Quando está tudo certo, tento ir fazendo em partes e mandando imagens do desenho para o cliente ir conferindo e acompanhando o processo, assim ele pode ver o que está sendo feito.

Você trabalha principalmente com que tipo de projeto?

Arquitetura em geral, construção civil, cozinhas industriais, refrigeração industrial e mecânica. Às vezes, pego a parte de elétrica e hidráulica e de acabamento final de forro e iluminação. Há casos também em que faço a maquete eletrônica do projeto. Depende da situação e da necessidade do cliente.

Quais dicas podem ser dadas para um profissional que almeja ingressar nessa atividade?

Para ser um bom cadista, é importante estudar, praticar muito, sempre estar atento às mudanças e exigências do mercado, ver as novidades e sempre se atualizar quanto aos softwares.

 

Currículo

Atribuições: elaborar desenhos de arquitetura, engenharia civil, geologia e outras áreas utilizando softwares específicos para desenho técnico; execução de plantas, cortes, fachadas, projeções, vistas, cotas, tolerância e perspectivas; criação de detalhamentos de instalações hidrossanitárias e elétricas e de desenhos cartográficos; desenvolvimento de projeto para aprovação em prefeitura.

Formação: normalmente os cadistas são formados em técnica de edificações, mas podem também se profissionalizar por meio de cursos livres de desenho ou de softwares CAD. Há ainda extensões universitárias e até pós-graduação nessa área para profissionais de arquitetura e engenharia civil.

Aptidões: além da formação específica do software, são exigidas competências que permitam interpretar projetos existentes, calcular e definir custos do desenho, analisar croquis e aplicar normas de saúde ocupacional e normas técnicas ligadas à construção civil, podendo-se atualizar o desenho de acordo com a legislação.

Oportunidades de trabalho: principalmente no segmento da construção civil, em escritórios de engenharia e arquitetura ou de forma autônoma. Os cadistas também podem dar apoio a projetos paisagísticos e urbanísticos, além de desenvolver projetos 3D de móveis e outros produtos.

Remuneração: varia de R$ 700,00 a R$ 2.000, dependendo da empresa, do escopo de trabalho e da experiência do profissional.