Engenheiro agrimensor | Téchne

Carreira

Engenheiro agrimensor

Profissional é responsável por preparar o terreno para o início de uma obra, colhendo e analisando dados sobre superfícies, relevo e contornos físicos

Por Ana Paula Rocha
Edição 165 - Dezembro/2010

A alta dos investimentos em infraestrutura no Brasil ampliou as oportunidades de trabalho dos engenheiros agrimensores nos últimos anos. "As obras do metrô, de saneamento, a expansão e melhoria das estradas e a obrigatoriedade do georreferenciamento das áreas rurais vêm estimulando a contratação de engenheiros agrimensores em todo o País. Essa é uma profissão que cresce junto com a economia", afirma Hamilton Fernando Schenkel, presidente da Apeaesp (Associação Profissional dos Engenheiros Agrimensores do Estado de São Paulo) e diretor da TS Agrimensura Engenharia Ltda.

Utilizando ferramentas matemáticas e estatísticas, aliadas a modernas tecnologias como posicionamento por satélites, sensoriamento remoto, geoprocessamento e sistemas de informações geográficas, os engenheiros agrimensores coordenam e executam levantamentos topográficos, geodésicos, batimétricos e fotogramétricos, elaboram projetos e executam serviços de loteamento, desmembramento e remembramento de imóveis rurais e urbanos, fazem locações de sistemas de saneamento, irrigação e drenagem, além de definirem os traçados de cidades e estradas.

A atuação do engenheiro agrimensor é relativamente ampla no mercado de trabalho, abrangendo três grandes áreas: construção civil, meio ambiente e monitoramento de áreas rurais. Na construção civil, particularmente, esses profissionais podem trabalhar em construtoras e incorporadoras, onde são responsáveis por projetar e gerenciar obras de terraplanagem, em órgãos estatais como prefeituras, a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e em concessionárias rodoviárias, onde vão determinar a área do terreno a ser utilizada para ampliações e construções de rodovias e outros projetos. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o próprio Ministério Público também carecem desses profissionais para atender à demanda.

Já na área ambiental, que está especialmente aquecida com a construção de hidrelétricas e barragens, o engenheiro agrimensor faz medições e estudos de impacto ambiental. Por fim, ainda há a área de monitoramento de áreas rurais, que está aquecida desde 2001, quando foi criado o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, tornando obrigatório o levantamento topográfico para o registro de propriedades rurais.

Para se tornar um engenheiro agrimensor, é necessário se graduar em engenharia de agrimensura, curso superior com duração de quatro a cinco anos. Segundo a Federação Nacional de Engenheiros Agrimensores, o curso está disponível em poucas universidades localizadas nos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia e Piauí. "O curso de engenharia de agrimensura é amplo e habilita o profissional em sua totalidade, depois é só se manter atualizado, pois anualmente aparecem novos equipamentos", explica Angelo José Fabio, profissional de Apoio Logístico do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).

"Uma dica para quem entrar na área de engenharia de agrimensura é aproveitar a época da faculdade para fazer um estágio em uma empresa privada ou em uma consultoria. Isso porque se o profissional entra diretamente em uma estatal, ele acaba se acomodando e não conhecendo as diferentes áreas da agrimensura. Posteriormente, quando adquirir experiência, o melhor é que ele seja autônomo, um empreendedor", acredita Schenkel.

Acervo pessoal
Angelo José Fabio, profissional de Apoio Logístico do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia)
O profissional

Como foi o início de sua carreira?

Sou técnico e engenheiro-agrimensor e respiro agrimensura desde 1977. Trabalhei em praticamente todas as áreas da agrimensura: foram oito anos de ecobatimetria e coordenação de equipes de topografia no rio Tietê, além de participação em obras como o Túnel Rebouças, da subestação de Tijuco Preto, em Furnas, Calha do Tietê (trechos São Miguel-Ponte das Bandeiras e Osasco-Santana do Parnaíba), e de implantação de fibra óptica no interior do Paraná e Goiás. Atualmente sou concursado no Confea, onde atuo com processos diversos envolvendo a área de agrimensura.

Como é sua rotina de trabalho?

Normalmente trabalho oito horas por dia, mas dependendo do ritmo da obra, chego a 12 horas ou mais. Meu trabalho é sem rotina, não existe um dia igual ao outro, em um momento você está em campo fazendo um levantamento topográfico, depois está em um escritório calculando e desenhando; e em uma obra diariamente você vê as coisas acontecerem, em um dia só tem o terreno, no outro um imenso buraco, depois as estacas, quando você menos percebe está se despedindo e partindo para outro trabalho.

Com quais profissionais da empresa você mais interage?

Engenheiros de diversas modalidades, pedreiros, carpinteiros, mestre de obras, e o mais importante deles, o auxiliar de topografia, que é nosso fiel escudeiro.

Quais são as maiores dificuldades em ser um profissional especializado nesse segmento?

O baixo salário pago por empresas públicas e a falta de conhecimento da população em geral sobre nossa profissão, o que ocasiona uma concorrência desleal com pessoas desonestas e desabilitadas que frequentemente executam serviços em nossa área, com sérios riscos para a sociedade.

Que dicas podem ser dadas para quem almeja ingressar nessa atividade?

É a área ideal para quem não gosta de monotonia, pois cada serviço é diferente: um dia você está num grande centro urbano, outro está em uma mata fechada respirando ar puro e, como em toda profissão, deve aprender e executar com boa vontade.

Currículo

Atribuições: determinação da posição, do tamanho e da forma do território; mensuração de todos os dados necessários para a definição do contorno do território; aquisição e uso de informações espaciais, imagem de satélite e aérea e automatização desses processos; projeto, estabelecimento e administração de sistemas de informações geográficas; avaliação, taxação do valor e administração da propriedade; elaboração de estudos técnicos legais das propriedades imobiliárias e de perícias técnicas, entre outras atividades.

Formação: nível superior em engenharia de agrimensura, cuja duração média é de quatro a cinco anos, e, preferencialmente, pós-graduação e/ou especialização em cursos como informações espaciais, ciências geodésicas, sensoriamento remoto, computação de imagens e ciências cartográficas.

Aptidões: bom conhecimento em geografia, geologia e topografia, além de boa capacidade de observação e de concentração, responsabilidade, visão de projeto, metodologia, dinamismo, pró-atividade e visão espacial.

Oportunidades de trabalho: em construtoras e incorporadoras, consultorias e prestadores de serviço na área de agrimensura, em monitoramento de áreas rurais, na construção de grandes obras como ferrovias, hidrovias e barragens, em obras de extrativismo, no planejamento de sistemas de saneamento, irrigação e drenagem, em órgãos estatais e em concessionárias rodoviárias.

Remuneração: salário inicial de cerca de R$ 4 mil, com aumento de acordo com a função e experiência profissional.