Caixa suspensa | Téchne

Obras

Caixa suspensa

Palácio projetado por Niemeyer apresenta o maior vão livre flutuante do mundo em concreto protendido

Edição 154 - Janeiro/2010
O palácio foi erguido como uma obra convencional. Ao mesmo tempo, iam sendo erguidos os pórticos longitudinais, paralelos ao prédio e interligados no topo por uma cobertura reforçada por 15 vigas transversais de concreto protendido

Localizado ao sul do terreno de 804 mil m2 do antigo hipódromo Serra Verde, a 18 km do Centro de Belo Horizonte, o Palácio Tiradentes destaca-se por seu grande vão livre, de quase 150 m, considerado o maior do mundo em concreto protendido.

Sob o ponto de vista estrutural, é o edifício mais complexo da Cidade Administrativa Tancredo Neves, a nova "casa" do Governo Mineiro e de toda sua estrutura executiva, entre os municípios de Vespasiano, Santa Luzia e Belo Horizonte.

Executado em concreto protendido e aço, o grande bloco estrutural de cinco pavimentos, com 147,50 m de comprimento e 17,20 m de largura, aparece suspenso por tirantes metálicos protendidos, presos à cobertura dos dois grandes pórticos dispostos paralelamente e que constituem os quatro únicos pontos de apoio da estrutura.

Só nesse prédio, são 20 mil m2 de área construída, distribuídos por quatro pavimentos-tipo e um técnico, e subsolo para garagens e instalações, servidos por nove elevadores. De acordo com o engenheiro João Eduardo Dutra, da Gerência de Obras, o grande desafio do projeto era construir, ao mesmo tempo, o prédio e os pórticos (com o mesmo comprimento do prédio, 147,50 m, e mais largos, com 26,60 m de largura).

Ficha da obra

Cidade Administrativa Tancredo Neves
Localização: Serra Verde, a 18 km do Centro da capital, nos limites de Belo Horizonte, Vespasiano e Santa Luzia
Terreno: 804 mil m2
Área construída: 310 mil m2
Circulação: 18 mil funcionários e dez mil visitantes diários
Investimento: R$ 1,2 bilhão
Projeto arquitetônico: Oscar Niemeyer
Fiscalização: Gerência de Obras (Codemig)
Projeto estrutural: José Carlos Sussekind
Construtoras consorciadas: Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Santa Bárbara Engenharia (Lote 1); Norberto Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão (Lote 2); Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello (Lote 3)

A execução dos pórticos foi a parte mais trabalhosa da obra, explica João Eduardo Dutra, porque depois de erguidos os quatro pilares metálicos, teve início a concretagem, em cinco planos diferentes, uma vez que a forma dos pilares muda à medida que vai subindo. Começa com 1 m de largura no térreo, depois vai se abrindo, chegando à viga de cobertura com 4 m.

E como o concreto ficaria aparente, qualquer erro resultaria em demolição. "A saída foi fazer um protótipo de madeira, em escala reduzida, para ir montando e ver a execução em escala real", explica Dutra. "As fôrmas eram mudadas metro a metro." Toda a estrutura suspensa é protendida, para que fosse reduzida a espessura média do concreto e aliviadas as cargas nos tirantes.

Cidade Estado

A Cidade Administrativa Tancredo Neves reúne seis edifícios que totalizam uma área construída de 310 mil m2. O conjunto, projetado por Oscar Niemeyer no final da década passada, ocupa o terreno de 804 mil m2 do antigo hipódromo Serra Verde, a 18 km do Centro da capital mineira, nos limites de Belo Horizonte, Vespasiano e Santa Luzia. Deve abrigar 18 mil funcionários e receber dez mil visitantes diários.

Além do Palácio Tiradentes, do Auditório Juscelino Kubitscheck, de dois gigantescos edifícios para as 18 secretarias de Estado e 33 órgãos da administração direta e indireta, de um centro de convivência e de uma central de água gelada (um prédio de serviços ainda em licitação), a cidade tem completa infraestrutura, com áreas de estacionamento (inclusive no subsolo), galerias subterrâneas de circulação para pedestres, túnel de acesso ao complexo, e vias de circulação e de acesso aos prédios.

O complexo foi programado como um marco no desenvolvimento socioeconômico do Norte e Nordeste da capital mineira e de sua área metropolitana. A ligação com o Centro da cidade pode ser feita pelas vias incluídas na Linha Verde, já duplicadas ou em obras de duplicação, como a rodovia MG-010, o Boulevard Arrudas (composto pelas avenidas Andradas e Contorno), ou pela avenida Cristiano Machado.

Para fiscalizar as obras, foi criada a Gerência de Obra, empresa vinculada à Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), responsável pelo financiamento da construção.

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