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Paredes maciças

Fôrmas metálicas convencionais, painéis em alumínio e em aço são opções oferecidas para execução de paredes de concreto. Para cada empreendimento, utilização exige estudo detalhado

Por Renato Faria
Edição 143 - Fevereiro/2009

O primeiro empreendimento da construtora a empregar o sistema será o Brink, condomínio clube localizado na zona Sul da cidade de São Paulo. De acordo com Luís Bueno, diretor de operações responsável pelas construções rápidas da Gafisa, será possível iniciar a obra em junho de 2009 e entregá-la em apenas 15 meses. Serão 311 unidades distribuídas em três torres de 17 andares cada e apartamentos-tipo de 69 m² a 96 m² de área. O ciclo de concretagem estimado é de uma laje a cada dois dias. Luís Bueno diz que ainda está em fase de estudos o dimensionamento do escoramento e da estrutura durante a execução. Ainda no caso do Brink, o canteiro contará com uma grua para auxiliar as operações logísticas no canteiro, mas ela não será fundamental para o transporte dos jogos de fôrmas leves de alumínio.

Apesar da maior penetração do sistema construtivo na construção de habitações do segmento econômico, Bueno faz questão de desfazer qualquer tipo de associação entre os dois conceitos. "A intenção da Gafisa é empregar as paredes de concreto em edifícios de médio e alto padrão", explica o diretor. Nesses empreendimentos, nem todas as paredes serão de concreto. Segundo Bueno, as paredes internas serão em drywall para possibilitar a personalização dos ambientes pelos novos proprietários.

Paredes pré-moldadas

Fotos: Marcelo Scandaroli
Detalhe da face externa da fôrma
Há pouco mais de um ano, a InPar começou a adquirir baterias de fôrmas para produção no canteiro de paredes pré-moldadas para os edifícios dos empreendimentos Viver - seu produto para o segmento econômico. Segundo o diretor de projetos da construtora, Waltermino Júnior, uma bateria é capaz de produzir, de uma só vez, as 12 paredes necessárias para montar um apartamento de dois dormitórios (42 m² de área privativa). O valor de cada bateria gira em torno de R$ 250 mil, segundo o diretor da InPar.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Bateria com 13 painéis permite produzir 12 paredes - um apartamento completo de dois dormitórios - de uma só vez
Ela é composta por 13 fôrmas de 4 m x  5 m, dispostas lado a lado, e com roldanas, que lhes permitem deslizar sobre dois trilhos. O peso do conjunto todo é de aproximadamente 6 t. Para produzir as paredes, armadores e instaladores primeiro posicionam, nas fôrmas, as telas soldadas, os moldes dos caixilhos e os conduítes (instalações hidráulicas passam por shafts). Em seguida, os painéis são travados e os espaços intermediários, concretados. São 7 m³ de concreto por vez, despejados em 53 minutos. A desenforma ocorre depois de 20 horas. As peças prontas são colocadas no caminhão-guindaste já na posição vertical para facilitar o transporte até o posicionamento final, na estrutura.

Segundo Waltermino Júnior, a produção das peças demanda uma equipe enxuta - apenas cinco pessoas - e respeita procedimentos simples. O treinamento  de um novo funcionário, afirma, pode ser feito em apenas uma semana. Um edifício do tipo pode ser entregue em três  meses - 15 dias para a montagem da vedação/estrutura (painéis autoportantes) e mais dois meses para o acabamento.

Matriz de decisão
A tabela na página do lado é uma ferramenta que pode ajudá-lo a optar pelo sistema de fôrmas mais adequado às necessidades de sua obra. Confira a seguir os comentários sobre os aspectos mais importantes a considerar na decisão. Utilize a tabela para atribuir os pontos para cada sistema.

Análise técnica
Produtividade média informada (hh/m²): Esse número deve ser analisado com cuidado. Geralmente o fornecedor informa apenas a produtividade na montagem dos painéis, excluindo itens como execução de instalações elétricas e hidráulicas, de armaduras, transporte das peças até o local da montagem etc. Além da montagem, é importante considerar também a facilidade de desenforma.

Peso/m²: Para ser manoportável, o peso máximo dos maiores painéis não deve ultrapassar 30 kg/m² ou cerca de 60 kg para um painel de 70 cm x 270 cm.  A existência de alças nos painéis facilita  a movimentação.

Número de peças soltas: Quanto menor a quantidade, melhor, pois há diminuição das etapas de montagem e minimização do risco de perdas de peças. O ideal é um painel com todos os travamentos fixados e baixo peso.

Durabilidade da chapa (número de reutilizações): Chapas de madeira compensada plastificada, fixadas em uma estrutura metálica, possibilitam uma superfície de parede mais plana. Entretanto, precisam ser trocadas regularmente. Sistemas em alumínio unem a durabilidade com a leveza, porém é importante analisar a resistência da chapa que fica em contato com o concreto. Se ela amassar com facilidade, comprometerá a planeza das paredes.

Durabilidade da estrutura: Geralmente a estrutura dos painéis é metálica (aço ou alumínio), garantindo uma alta durabilidade. Porém é importante analisar sua rigidez e resistência a quedas e impactos, que podem provocar seu empenamento, comprometendo o alinhamento das paredes.

Modulação: A modulação mínima do sistema permite evitar peças complementares de madeira. Por exemplo, o desempenho do sistema será otimizado se sua modulação for de 10 cm e a casa for projetada em múltiplos dessa dimensão. Considerar a modulação vertical e sua adaptabilidade a diversas alturas de paredes.

Solução para oitões: A solução mais comum é utilizar painéis complementares em fôrma de escada, mas essa montagem dificulta o posicionamento da fôrma inclinada de fechamento. A solução ideal é que a fôrma seja executada já com a inclinação necessária. Seu custo só se viabiliza, no entanto, em empreendimentos com um número considerável de casas.

Embutidos: Como é a fixação de portas, janelas, caixas de elétrica, quadro de distribuição, instalações hidráulicas etc. Em caso de locação, será cobrada indenização caso a fôrma seja furada para essa fixação?


Peso (1 a 3): importância de determinada característica para o processo construtivo, sendo 3 = muito importante; 2 = importância média; 1 = pouco importante
Nota (1 a 5): pontuação do item para o empreendimento analisado. Essa pontuação deve levar em conta as especificidades de cada empreendimento. Exemplo: o item Peso/m2 dos painéis é menos relevante em uma obra que disponha de equipamentos de movimentação do que em outra onde os painéis serão transportados manualmente.
Pontos (1 a 15): resultado da multiplicação da nota pelo peso de cada item.

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