A gestão de projetos de edificações e o escopo de serviços para coordenação de projetos | Téchne

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A gestão de projetos de edificações e o escopo de serviços para coordenação de projetos

Edição 135 - Junho/2008

O ESCOPO DE COORDENAÇÂO DE PROJETOS
Melhado (1994), ao analisar as dificuldades para melhoria da qualidade do processo de projeto no segmento de incorporação e construção de edifícios, identifica o problema da indefinição do conteúdo dos projetos e, visando a uma melhor definição das atividades desenvolvidas nas fases do processo de projeto, propõe uma "morfologia" dos projetos de edifícios residenciais e comerciais. Tal proposta, naquela época, foi utilizada em alguns projetos isolados, sem que isso, entretanto, levasse a um trabalho de discussão setorial.

Alguns anos depois, por volta do ano 2000, iniciaram-se as atividades de grupo de trabalho de projetistas de estruturas filiados à Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural - ABECE, grupo esse que estabeleceu uma proposta para o escopo de projetos da especialidade, de forma a contemplar as necessidades típicas de empreendimentos imobiliários. Esse escopo foi, então, debatido em São Paulo, com representantes de outras entidades de projetistas e de contratantes de projetos, quais sejam: AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura); ABRASIP (Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais); SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e SECOVI-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), às quais se juntaram ainda, posteriormente, representantes da ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), da ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas), da ANP (Associação Nacional de Paisagismo) e da AGESC (Associação Brasileira de Gestores e Coordenadores de Projetos), entre outras.

O escopo para projetos de estruturas recebeu, durante seu período de debate, uma série de contribuições que o levaram a uma versão consensual, aprovada pelos representantes de todas as entidades envolvidas.

Paralelamente, foi iniciada a elaboração dos escopos para projetos de sistemas prediais hidráulicos e elétricos, de forma análoga ao de estruturas, envolvendo representantes da ABRASIP, seguindo-se a sua discussão com as demais entidades citadas.

Na seqüência, o mesmo procedimento foi levado à frente pela AsBEA, para proposição e discussão de um escopo de projetos de arquitetura e urbanismo.
De forma análoga, como seqüência dos trabalhos elaborados, no segundo semestre de 2003, foi proposto formar um grupo para conduzir a elaboração de um escopo de serviços para a coordenação de projetos - dando origem, em março de 2004, ao grupo de especialistas que congrega os autores deste artigo. Tal grupo foi formado a partir da adesão voluntária de profissionais de arquitetura ou engenharia civil com experiência em coordenação de projetos, sob a liderança da Escola Politécnica da USP e do SECOVI-SP.

Desde então, os autores se reuniram para desenvolver o escopo de serviços de coordenação de projetos, que visava a complementar e integrar os escopos de arquitetura, estruturas e sistemas prediais já elaborados. Ele foi preparado com o objetivo de definir e detalhar, de forma abrangente, o fluxo de atividades que a coordenação de projetos da indústria imobiliária exige.

É importante observar que as atividades de coordenação de projetos poderão, no entanto, envolver outros agentes além do coordenador de projetos, sendo assim compartilhadas ou divididas com o incorporador, com o construtor, ou com o arquiteto autor do projeto. Não se pretendeu estabelecer um escopo voltado a um determinado perfil de coordenador, mas sim, descrever um conjunto universal de atividades de coordenação de projetos para empreendimentos imobiliários; dessa forma, não há pressuposto quanto a quem deve coordenar os projetos e se entende que essa decisão dependerá dos interesses e das particularidades próprias de cada empreendimento.

Na seqüência, são descritas as fases de projeto adotadas e a correspondente atuação da coordenação de projetos. O conteúdo completo do manual desenvolvido pode ser obtido em http://www.manuaisdeescopo.com.br/.

As fases do processo de projeto e a atuação da coordenação de projetos
O processo de projeto de empreendimentos imobiliários foi subdividido em seis fases: Concepção do Produto; Definição do Produto; Identificação e Solução de Interfaces; Projeto de Detalhamento das Especialidades; Pós-Entrega do Projeto; Pós-Entrega da Obra.

Em cada uma dessas fases, as atividades a serem desempenhadas pela coordenação de projetos são divididas em três categorias:

· serviços essenciais: atividades que são necessariamente desenvolvidas para o sucesso da atividade, na fase correspondente do processo de projeto;
· serviços específicos: atividades que podem ser contratadas, por serem necessárias em casos específicos, de acordo com a especificidade do empreendimento ou da forma de atuação do contratante;
· serviços opcionais: atividades normalmente atribuídas a outros profissionais, mas que podem, eventualmente, vir a ser executadas pela coordenação de projetos.

Atuação da Coordenação de Projetos na Fase A - Concepção do Produto:
Apoiar o empreendedor nas atividades relativas ao levantamento e definição do conjunto de dados e de informações que objetivam conceituar e caracterizar perfeitamente o partido do produto imobiliário e as restrições que o regem, além de definir as características demandadas para os profissionais de projeto a contratar.

Atuação da Coordenação de Projetos na Fase B - Definição do Produto:
Coordenar as atividades necessárias à consolidação do partido do produto imobiliário e dos demais elementos do empreendimento, definindo todas as informações necessárias à verificação da sua viabilidade física e econômico-financeira, assim como à elaboração dos projetos legais.

Atuação da Coordenação de Projetos na Fase C - Identificação e Solução de Interfaces de Projeto:
Coordenar a conceituação e caracterização claras de todos os elementos do projeto do empreendimento, com as definições de projeto necessárias a todos os agentes nele envolvidos, resultando em um projeto com soluções para as interferências entre sistemas e todas as suas interfaces resolvidas, de modo a subsidiar a avaliação preliminar de custos, métodos construtivos e prazos de execução

Atuação da Coordenação de Projetos na Fase D - Detalhamento de Projetos:
Coordenar o desenvolvimento do detalhamento de todos os elementos de projeto do empreendimento, de modo a gerar um conjunto de documentos suficientes para perfeita caracterização das obras e serviços a serem executados, possibilitando a avaliação dos custos, métodos construtivos e prazos de execução.

Atuação da Coordenação de Projetos na Fase E - Pós-Entrega de Projetos:
Garantir a plena compreensão e utilização das informações de projeto e a sua correta aplicação, e avaliar o desempenho do projeto em execução.

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