Ildony Hélio Bellei | Téchne

Carreira

Ildony Hélio Bellei

Dedicado às estruturas metálicas, engenheiro participou da elaboração de normas técnicas e da definição de parâmetros para os fabricantes

Por Bruno Loturco
Edição 129 - Dezembro/2007

PERFIL

Idade: 69 anos
Graduação: engenharia civil e eletrotécnica pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em 1967
Empresas em que trabalhou: FEM – Projetos, Construções e Montagem (subsidiária da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional), de 1960 a 1995, e IHB Engenharia e Consultoria, desde então
Cargos exercidos: mecânico ajustador, desenhista de estruturas metálicas, projetista, chefe de divisão, chefe de departamento e gerente geral de projetos, todos pela FEM, consultor pela IHB, professor e coordenador do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário de Volta Redonda

As primeiras estruturas assinadas pelo engenheiro Ildony Hélio Bellei foram concebidas com base em incipientes normas técnicas internacionais e com auxílio de, apenas, "a famosa régua de cálculo", a única ferramenta disponível à época. "Por não ter vírgula nem ponto, nos obrigava a ter uma grande noção de grandeza, que é vital para qualquer engenheiro", afirma o mineiro de Juiz de Fora.

Se hoje é especialista absoluto em estruturas metálicas, a escolha pelo segmento veio quase que por acaso. Com bom conhecimento de desenho, considerou fácil passar no concurso que prestou para a área de estruturas metálicas realizado pela CSN/FEM (Companhia Siderúrgica Nacional e sua respectiva subsidiária para projetos, execução e montagem). Isso aconteceu em 1960, quando assumiu o cargo e se tornou desenhista de estruturas. Daí em diante, o gosto pelas estruturas metálicas apareceu normalmente.

O conhecimento em desenho foi desenvolvido durante o tempo – anterior à graduação – em que fez um curso no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e trabalhou como mecânico-ajustador, entre 1951 e 1955. A paixão pelas estruturas em aço tanto se desenvolveu que até hoje, 47 anos depois, ainda trabalha com esse tipo de material e concepção estrutural. O período se divide entre a fase em que trabalhou para a FEM – Projetos, Construções e Montagem, entre 1960 e 1995, e a atuação com consultoria, pela IHB – Engenharia e Consultoria, empresa que criou com os filhos, após a aposentadoria. Essa empresa pessoal tem permitido ao engenheiro realizar projetos e consultorias "sempre no ramo das estruturas metálicas, que é a nossa grande paixão".

Os três filhos são engenheiros; o caçula em telecomunicações e o casal mais velho formado em engenharia civil. Bellei aposta que a vocação seja nata, pois garante não ter havido pressão para a escolha da profissão.

Ele mesmo afirma estar plenamente realizado com as conquistas que obteve por meio da profissão. Além da atuação profissional que lhe propiciou participar de inúmeras e significativas obras, também teve a oportunidade de atuar como professor universitário. Durante 20 anos fez parte do corpo docente do curso de engenharia civil do UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda), sendo oito deles também como coordenador desse curso. Tal vivência no meio acadêmico, conta, trouxe-lhe experiência para escrever dois livros e dois manuais, além de publicar vários artigos em revistas especializadas.

O gosto pelos livros veio, definitivamente, após a publicação de artigos na revista Construção, da Editora PINI, e da elaboração de uma apostila para os alunos. Em 1994 publicou o livro "Edifícios Industriais em Aço", hoje na quinta edição. Também é de sua autoria, juntamente com dois colegas, o "Edifícios de Múltiplos Andares em Aço", ambos pela PINI. Pelo CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço) publicou "Interfaces Aço-Concreto" e "Pontes e Viadutos em Vigas Mistas".

Ao longo da carreira participou de diversas reuniões e discussões da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para elaboração de normas – inclusive da nova e em fase de aprovação "NBR 8800 – Projeto e Execução de Estruturas de Aço de Edifícios (Método dos Estados Limites)".

A normalização minimiza substancialmente aquela que figurava dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais da época, segundo conta. O setor de projetos e cálculos sofria com a falta de bibliografia e normas nacionais, sendo que as poucas disponíveis estavam em inglês ou alemão. Por conta dessa carência, as referências adotadas pela FEM, onde trabalhava na época, para todo o procedimento de detalhe e fabricação remetiam às especificações do AISC (American Institute of Steel Construction), da AWS (American Welding Society) e da AISE (Association of Iron and Steel Engineers).

Esse período de desenvolvimento de metodologias e normalizações nacionais foi importante para incrementar o conhecimento de Bellei com relação a todo o processo, desde o projeto até a montagem, pelo qual passa uma estrutura. "Obtivemos uma experiência muito grande de como projetar e calcular analisando todas as etapas", salienta. Também afirma que está dentre as maiores conquistas ter projetado sem ter norma ou bibliografia específica. Por ter participado ativamente, ainda na FEM, do desenvolvimento dos primeiros critérios para projeto, fabricação e montagem, incluindo tabelas de perfis soldados e tolerâncias de fabricação e montagem, viu praticamente todos os fabricantes de estruturas se valerem desses dados.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>