Gruas ascensionais demandam complexo processo logístico de desmontagem em Goiânia

A construção do Órion levou três anos e contou com a atuação simultânea de duas gruas ascensionais, uma com lança de 50 m e outra com 25 m de alcance. Como uma atuava no raio da outra, um sistema francês anticolisão foi instalado nos equipamentos para evitar acidentes

Construir prédios altos envolve diversos desafios técnicos e logísticos. Um dos principais diz respeito à elevação de materiais. Afinal, a torre da grua precisa, inevitavelmente, acompanhar a altura do edifício.

Imagine, portanto, a estrutura de uma grua com mais de 190 m, altura estimada para o Órion Business & Health Complex. Localizado em Goiânia, o empreendimento está sendo construído por consórcio formado pelas empresas GVC Engenharia, FR Incorporadora, Tropical Urbanismo e Joule Engenharia.

Com previsão de Habite-se para novembro deste ano e operação no primeiro trimestre de 2018, o Órion terá 124.647 m² de área construída. Trata-se de um complexo de uso misto, ancorado a partir de um hospital. O empreendimento terá, ainda, espaços voltados para consultórios, clínicas, negócios, shopping e lazer, além de 1,4 mil vagas de estacionamento e dois hotéis de bandeira internacional.

Viabilidade logística
Com espaço de canteiro restrito, o engenheiro civil, eletricista e de segurança do trabalho Leopoldo Gouthier, responsável pela instalação e desmontagem do equipamento, conta que a escolha de gruas ascensionais foi natural na obra do Órion. “O espaço não permitiria a colocação de uma grua do porte que precisávamos”, pontua.

Logo, o uso de duas gruas ascendentes UBO mostrou-se a opção viável para a execução da obra. Afinal, são montadas no poço do elevador da torre principal do empreendimento. Com isso, o prédio é erguido em torno delas e, à medida que a edificação sobe, elas também ascendem.

A elevação é feita por meio de um sistema de telescopagem, em que, com auxílio de um pistão, as gruas se empurram para cima, de um pavimento para o outro.

Embora seja, segundo Gouthier, usada em todo o mundo, essa grua foi usada no Brasil apenas uma vez, na década de 1970. Isso porque, explica o engenheiro, a baixa altura relativa dos edifícios não contribui para sua adoção. “Como propusemos uma construção de padrão internacional no Órion, buscamos as melhores técnicas consagradas no mundo todo para a construção, e esse sistema sem dúvida se mostrou muito eficiente”, diz. O fator financeiro também contou pontos, revela ele. “Uma grua como a que usamos teria um custo da ordem de 60% em relação ao sistema com torre embasada no solo”, afirma.

No caso do Órion, foram usadas duas gruas, uma com lança de 50 m e outra com lança de 25 m. No caso da primeira, a capacidade de carga na ponta da lança é de 1.300 kg e de 4.150 kg até 15 m. Para o equipamento com lança de 25 m a capacidade de carga na ponta da lança é de 4.150 kg e de 5.000 kg até 20 m.

Como consequência do uso de gruas com capacidade para içar até 5 t, o empreendimento conta com escadas pré-moldadas e utilizou sistema de fôrmas italianas de concreto para a produção de pilares e lajes.

A grua menor, com lança de 25 m, contou com auxílio da grua maior para ser desmontada. Concluído esse processo, a grua içou o Derrick para que este auxiliasse na sua própria desmontagem

Desmonte das gruas 
Embora tenha proporcionado economia e velocidade à obra durante os três anos da execução, as gruas ascensionais resultaram em desafios logísticos. Para a montagem de cada grua foi preciso a mobilização de um caminhão Munck por 70 horas. Ele foi utilizado na pré-montagem dos elementos. Após a pré-montagem foi necessário utilizar um guindaste MD 30 por outras 30 horas para a elevação das peças. Além desses equipamentos, foi envolvida uma equipe composta de dois profissionais de montagem, um operador de grua e quatro ajudantes.

Ao término da obra, com o prédio pronto, era preciso desmontar e descer as peças em segurança. Lembrando que o edifício tem 190 m de altura. Com peças que pesam mais de 5 t, as gruas foram desmontadas no terraço do empreendimento, em um processo que durou quatro semanas.

Para a desmontagem da grua com lança de 50 m foi utilizado um guindaste LTM 1220 por dez horas e um guincho tipo Derrick por 130 horas. O efetivo contava com dois profissionais de montagem, um operador de grua e quatro ajudantes. Já para a desmontagem da grua com lança de 25 m, foram usadas torres de andaime para montagem de plataforma para movimentação de Derrick. Esse guincho foi usado por 130 horas e a outra grua, com lança de 50 m, também auxiliou no processo, tendo sido usada por 30 horas. Dois profissionais de montagem, um operador de grua e quatro ajudantes compuseram a equipe.

MONTAGEM

Deve ser realizada por equipe especializada. O local de montagem da base deve estar preparado para a aplicação do guindaste, com alimentação elétrica e proteção contra raios e eletricidade estática

Inicia-se a montagem com a base, com instalação do chumbador de fundação.
Montagem do segmento de torre:
1) Pré-montagem do elemento de torre de telescopagem.
2) Montar o segmento de torre para telescopar no segmento de torre com suportes de telescopagem.
Montagem da plataforma giratória.
Montagem da contralança.
Montagem da lança.
Montagem do contrapeso.
Colocação do cabo de elevação no gancho de carga.
Montagem do sistema de balizamento aéreo.
Ajuste dos dispositivos de segurança.

DESMONTAGEM

Assim como a montagem, esse serviço deve ser realizado por pessoal capacitado

Para desmontagem, faz-se uma telescopagem ””reversa””, baixando a grua o máximo possível.
Desmontagem do balizamento.
Desmontagem do carrinho.
Remoção do cabo de elevação.
Remoção do contrapeso.
Desmontar lança.
Desmontagem da contralança.
Desmontagem da plataforma giratória.
Desmontagem da torre.

Guindaste gigante
Outro equipamento de grande porte foi utilizado no processo de desmontagem das gruas. Trata-se do Derrick, espécie de guindaste que foi montado na cobertura e que foi responsável por descer as peças até o solo.

Modular, o guincho Derrick conta com lança de 7,5 m e capacidade de içar até 4 t. Por ser modular, pode ser transportado em elevador convencional ou pela grua, sendo montado apenas em sua área de atuação.

A lança é controlada por tirfor, e foram fixados pontos de ancoragem no pavimento para a manobra do equipamento. A elevação do cabo é feita por unidade hidráulica e a capacidade de carga é regulada pela quantidade de contrapeso montada no equipamento. O Derrick foi apoiado em plataforma montada no terraço do empreendimento.

Primeiro foi desmontada a grua menor, com lança de 25 m. Depois, o Derrick foi içado pela grua com 50 m até o ponto onde foi fixado novamente para auxiliar na desmontagem dela própria.

Com as peças no solo, as gruas foram transportadas em módulos por carreta para o depósito do Consórcio FR-GVC. No total, foram oito viagens.

De acordo com Gouthier, os principais riscos envolvidos na montagem e desmontagem desses equipamentos eram relacionados a esmagamento, queda do guindaste, energia elétrica, acidente devido à velocidade de vento. Por isso, sempre que a velocidade do vento era superior a 45 km/h os trabalhos eram interrompidos imediatamente.

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2 thoughts on “Gruas ascensionais demandam complexo processo logístico de desmontagem em Goiânia

  1. Realmente a operação de desmontagem foi um sucesso, foi utilizado um sistema inovador e muito seguro.
    Não pode ser esquecido do rigoroso planejamento como, cálculos, simulações e treinamento de toda equipe.

    Parabéns a toda equipe!

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