Diferentes tipos de concreto: a necessidade específica de cada projeto executado

Concreto é tudo igual? Não deveria ser. Cada obra tem especificidades diferentes, e suas necessidades variam em cada aplicação – laje, pisos, fôrmas etc.

A partir dessa constatação a Engemix – uma unidade especializada da Votorantim Cimentos – desenvolveu nos últimos três anos uma nova linha de concretos para usos específicos – o Hi-Mix.

Para criar os novos produtos, a engenheira civil Luana Scheifer percorreu países da Europa, Estados Unidos, México e Canadá em busca de novas soluções. Enquanto isso, o economista Ricardo Soares desenvolvia uma nova forma de aproximação com os clientes para que o Hi-Mix fosse mais do que um produto – uma nova maneira de atender ao mercado.

“Começamos uma estratégia diferenciada em 2015”, lembra Ricardo Soares. “Criamos quatro conselhos de clientes: na Grande São Paulo, um grupo na Região Sul, um na região de Brasília e Goiânia, e outro no Nordeste. Perguntamos a eles: o que vocês esperam de uma concreteira?”, conta Soares.

Os conselheiros apresentaram para a Engemix três pilares básicos:
1) qualidade do produto;
2) inovação no concreto;
3) atendimento otimizado.

Conheça no quadro abaixo os quatro novos tipos de concreto apresentados ao mercado. Eles fazem parte da linha Hi-Mix.

ADENSAMIX – É o concreto específico para fôrmas, vigas, pilares, lajes, paredes, pré-fabricados e peças esbeltas em geral. Segundo a engenheira Luana Scheifer, “é um concreto autoadensado que não necessita de vibração mecânica. É um concreto bastante fluido”. Suas propriedades são um Fck de 35 MPa a 80 MPa e um Slump Flow de 550 mm a 850 mm. “Com o concreto convencional, dependendo da obra você vai precisar de até 30 pessoas trabalhando”, lembra Luana. “Alguns seguram o mangote, outros vibram para soltar as bolhas, outros fazem o acabamento final. O concreto autoadensável exige apenas uma pessoa direcionando o mangote.” Ricardo Soares lembra do fator acabamento. “Hoje, quando você retira a fôrma da estrutura é preciso quebrar alguns cantinhos que ficam irregulares com o concreto, passar argamassa. O Adensamix já fica perfeitamente acabado sozinho. O que reduz o tempo de reparo na estrutura pós-concretagem.”

CRISTALMIX – Concreto e umidade não costumam se dar bem. Especialmente num país de terreno tão úmido quanto o brasileiro. Infiltrações provocam fissuras, e é praticamente impossível contê-las. Mas o Cristalmix consegue ser de dez a 20 vezes mais impermeável que o concreto comum. “Com ele, entre sete e 28 dias o fechamento de fissuras é de quase 100%.” Uma das suas características é o uso de um componente baseado em silicato de cálcio. Esse componente reage com a água e no espaço vazio gera um cristal, que fecha a fissura. É o chamado processo de self-healing, que consiste no selamento de microfissuras estáticas. A absorção é menor que 5% e o índice de vazios, menor que 11%. O Cristalmix é indicado para várias situações: cisternas, fundações em contato com água, construções em áreas litorâneas, estações de tratamento de água, lajes de subpressão etc.

PISOMIX – “O concreto para piso de garagem, ou industrial, precisa de um tempo de pega reduzido”, diz Luana. “Terminamos de concretar e a equipe entra com aquelas máquinas acabadoras para fazer o alisamento, o selamento do piso etc. Quando temos empilhadeiras e caminhões muito pesados, com bastante abrasão, essa camada superficial precisa ter uma qualidade muito superior a qualquer outro tipo de concreto. No Pisomix a gente trabalha com os agregados, com aditivos, adições e fibras de forma que a água não exsude. Quando a água chega a essa fina camada superior do piso, a gente tem delaminação, desplacamento, o que é muito comum acontecer em piso de garagem”. A exsudação máxima do Pisomix é de 2%. Sua resistência à tração na flexão é de até 6 MPa. Ele é indicado para pisos de garagens em subsolos de edifícios, pátios de carga e descarga, armazéns, quadras esportivas e postos de gasolina.

GIGAMIX – A característica principal do concreto Gigamix é a elasticidade. Seu módulo de deformação secante (Ecs) está entre 35 GPa e 50 GPa. Ele é produzido para ser usado em elementos estruturais (vigas, pilares e lajes), elementos esbeltos e que precisem resistir a esforços, mesmo quando deformados precocemente. Suas vantagens: baixa deformabilidade, resistência a esforços mecânicos e rapidez na deforma. Mas o Gigamix tem algumas restrições regionais, segundo a engenheira Luana: “Ele depende muito da dureza do agregado com que se trabalha, principalmente da brita para que eu consiga essa característica. Nas regiões litorâneas, como a Baixada Santista, em São Paulo, e Rio de Janeiro, os agregados não têm essa qualidade de módulo de informação. Então, se conseguem números muito baixos com esse tipo de jazida litorânea. Por exemplo, em Fortaleza a gente precisa levar agregado do interior do Piauí. São 800 km, o que inviabiliza a operação. Por isso o Gigamix é mais restrito às regiões Sul, Sudeste, Grande São Paulo, interior de São Paulo”.

A estratégia da Engemix não se resumiu às inovações dos produtos. Depois de uma pesquisa chamada NPS (Net Promote Score, metodologia usada por companhias como Apple), a empresa gastou cerca de 2 milhões e meio de dólares num software para o cliente fazer com que os novos produtos funcionem com todo o potencial planejado. Ricardo Soares resume o dilema enfrentado pelas construtoras: “Imagine uma concretagem que começa às 8 da manhã com 20 betoneiras escaladas, cada uma, a cada 20 minutos. O cronograma da obra não permite esperar até as 10 da manhã para iniciar o trabalho. Isso gera mão de obra parada, atraso e eventuais problemas de qualidade. É uma logística complicada que deve ser seguida à risca por todos os agentes envolvidos. Estamos falando de um produto que tem uma vida útil de duas horas e meia. Se passar disso, tenho que descartar o concreto”.

O novo software parte do princípio que toda a frota da empresa é rastreada por GPS. Só em São Paulo são 100 betoneiras, e a qualquer momento a empresa sabe onde está cada uma delas. “Eu consigo medir por GPS a hora que meu caminhão chegou”, exemplifica Ricardo Soares. “Eu sei que hora ele saiu e quantos caminhões estão na obra. Eu sei onde os caminhões estão, quanto leva para chegar à obra. Portanto, eu sei em que hora tenho que começar a carregar um caminhão para que ele chegue à obra antes do anterior sair. Assim não deixo o cliente sem concreto.”

“Se houver um desvio do concreto por parte do motorista, o que é muito comum, se ele descarregar concreto num ponto que não é do nosso cliente, eu fico sabendo na hora. Não existe mais desvio de concreto.” Ricardo Soares

Uma olhada no mapa do celular mostrou o grau de detalhismo das informações recebidas. “Este caminhão aqui, por exemplo, carregou às 7h06 da manhã na minha filial. Saiu às 7h31, chegou à obra às 8h25, começou a descarregar na obra às 9h15. Ele está participando de uma concretagem de 80 m3, e pelo aplicativo posso ver que já foram entregues 56 m3 até agora. Ou seja, 70 % já chegou à obra. O cliente está vendo o mesmo aplicativo e sabe que outra betoneira está se aproximando. Assim, ele pode reunir um time de operários e mandar para a laje.”

O software impede outro problema: “Ele tem controle de rotação. Eu sei quando o balão está rodando o material para frente e jogando o material para o fundo do balão, e quando inverte para descarregar. Se houver um desvio do concreto por parte do motorista, o que é muito comum, se ele descarregar concreto num ponto que não é do nosso cliente, eu fico sabendo na hora. Não existe mais desvio de concreto”, finaliza Soares.

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